Espanha - Copa do Mundo
Futebol Copa do Mundo

Espanha aposta na força defensiva para conquistar a Copa do Mundo

A Espanha chegou às oitavas de final da Copa do Mundo vivendo um cenário que pode ser decisivo na busca pelo título. Embora a equipe de Luis de la Fuente tenha jogadores talentosos, meio-campo forte e qualidade para controlar partidas com a bola nos pés, o grande trunfo espanhol no torneio está aparecendo em outro ponto: a força defensiva.

Até aqui, a seleção espanhola ainda não sofreu gols na Copa do Mundo de 2026. Após a goleada do México sofrida contra a Inglaterra, a Espanha se tornou a única equipe do torneio que segue sem ser vazada. Isso, por si só, já mostra a dimensão do trabalho realizado por De la Fuente.

No entanto, a solidez espanhola não se resume apenas a ter um goleiro em grande fase. Unai Simón vive um momento muito importante pela seleção e já soma 519 minutos consecutivos sem sofrer gols em Copas do Mundo. Inclusive, o atleta superou marcas históricas de Walter Zenga e Iker Casillas.

Ainda assim, o ponto principal está no funcionamento coletivo. A Espanha dificulta muito a vida dos adversários antes mesmo que eles consigam chegar perto da área. Ou seja, quando alguém consegue encontrar espaço e finalizar com perigo, ainda há um goleiro seguro pela frente. Mas o grande problema para os rivais tem sido justamente conseguir chegar até esse ponto.

A defesa pode ser o caminho da Espanha para o título

Os números ajudam a explicar por que a Espanha aparece como uma das seleções mais fortes da Copa. Em quatro partidas, a equipe sofreu apenas 19 finalizações, sendo somente três na direção do gol. Além disso, permitiu apenas 30 toques dos adversários dentro da própria área. Isso mostra que a seleção espanhola não está apenas contando com grandes defesas de Unai Simón. 

Na verdade, o sistema impede que os rivais criem chances claras com frequência. Quase 58% dos chutes sofridos pela Espanha vieram de fora da área, o que reforça a ideia de uma equipe capaz de empurrar os adversários para zonas menos perigosas. Outro dado importante é o baixo índice de gols esperados contra. A Espanha tem apenas 0,85 de xGA no torneio. 

Neste cenário, tirando as bolas paradas, os adversários produziram somente 0,62 de gols esperados em jogadas com a bola rolando. É um número muito forte e que mostra como é difícil criar algo limpo contra a equipe de De la Fuente.

Dessa forma, a Espanha chega ao mata-mata com uma base extremamente sólida. A vitória por 3 a 0 sobre a Áustria, inclusive, teve mais um dado marcante: foi a primeira vez desde a final da Copa do Mundo de 2014 que uma seleção não permitiu sequer uma finalização no alvo em um jogo de mata-mata.

Sendo assim, fica claro que a defesa espanhola pode ser um fator tão importante quanto qualquer estrela ofensiva. Em um torneio curto, no qual pequenos detalhes costumam decidir grandes jogos, não sofrer gols pode ser o caminho mais seguro para seguir vivo.

Meio-campo também sustenta a Espanha

A força defensiva da Espanha também passa pelo controle da posse de bola. A equipe tem média de 68,2% de posse na Copa, a maior do torneio. Isso significa que os adversários passam muito tempo correndo atrás da bola e pouco tempo conseguindo construir ataques com calma. Neste cenário, Rodri aparece como uma peça fundamental. O meio-campista do Manchester City é o jogador que mais tentou e completou passes nesta Copa. Além de organizar o jogo, ele também ajuda a proteger a defesa e dá equilíbrio para a equipe. Muitas vezes, Rodri até mesmo recua entre Aymeric Laporte e Pau Cubarsí para formar uma linha de três, dando mais segurança na saída de bola.

Essa participação dos jogadores de meio é essencial para entender o momento da Espanha. O time não defende apenas com zagueiros e laterais. A equipe se protege com posse, pressão e posicionamento. Quando perde a bola, tenta recuperar rapidamente. Os adversários têm média de apenas 2,9 passes e 7,7 segundos de posse antes de a Espanha retomar o controle.

Laporte e Cubarsí também têm papel importante nessa construção. Laporte apresenta 93% de acerto nos passes e ainda contribui defensivamente com boa média de interceptações. Já Cubarsí, com apenas 19 anos, errou somente 11 dos 372 passes que tentou na competição, alcançando 97% de aproveitamento.

Isso mostra como a Espanha consegue unir construção e defesa no mesmo pacote. Os zagueiros não servem apenas para cortar jogadas. Eles também participam da circulação da bola, ajudam a controlar o ritmo e impedem que o time fique exposto.

Em 2010, a Espanha encantou o mundo ao conquistar a Copa com uma troca de passes marcante, um meio-campo muito talentoso e jogadores de enorme qualidade técnica. Agora, a equipe mantém parte dessa identidade, mas também parece ter encontrado novamente um trunfo ainda mais direto para brigar pelo título: a solidez defensiva. 

Aquela seleção campeã também sofreu apenas dois gols durante todo o torneio. Ou seja, mesmo em uma equipe lembrada pelo toque de bola, a defesa foi decisiva. O mesmo pode acontecer agora com o time de Luis de la Fuente.

A Espanha ainda terá grandes desafios pela frente, começando por Portugal nas oitavas de final. Porém, os números indicam que qualquer adversário terá muita dificuldade para criar chances claras. E, quando conseguir, ainda precisará superar Unai Simón.

Em uma Copa do Mundo, ter craques capazes de decidir é fundamental. Mas ter uma equipe que quase não permite chances pode ser ainda mais importante. A Espanha entendeu isso muito bem. E, se mantiver esse nível, a defesa pode ser a base de uma campanha campeã.

Créditos da foto de capa: Getty Images.