A Espanha está na final da Copa do Mundo. Em Dallas, a equipe comandada por Luis de la Fuente confirmou o bom momento vivido na competição, controlou a França durante praticamente toda a partida e venceu por 2 a 0 para assegurar presença na decisão. Oyarzabal, em cobrança de pênalti, e Pedro Porro marcaram os gols da classificação espanhola.
Com o resultado, a Fúria chega à decisão do Mundial embalada por mais uma atuação consistente e agora aguarda o vencedor do confronto entre Argentina e Inglaterra para conhecer seu adversário. Já a França disputará o terceiro lugar contra o derrotado da outra semifinal.
O jogo
A Espanha começou a partida repetindo o padrão apresentado ao longo da competição. Com posse de bola, linhas adiantadas e circulação rápida no meio-campo, a equipe buscou controlar o ritmo diante de uma França que apostava em transições rápidas para explorar a velocidade de Mbappé, Dembélé e Barcola.
Os primeiros minutos foram de muito estudo e poucas oportunidades claras. A seleção espanhola mantinha maior volume ofensivo, mas encontrava dificuldades para romper o sistema defensivo francês. Do outro lado, os Bleus também pouco produziam, já que Mbappé recebia sempre cercado e encontrava pouca liberdade para acelerar pelos lados.
A partida ganhou seu primeiro momento decisivo aos 19 minutos. Lamine Yamal recebeu dentro da área e foi atingido por Digne, que chegou atrasado na disputa da bola. Após a marcação da penalidade, Oyarzabal cobrou com firmeza, deslocou Maignan e abriu o placar para a Espanha.
A desvantagem obrigou a França a adiantar suas linhas, mas a reação não aconteceu. Pouco depois do gol, Didier Deschamps ainda perdeu William Saliba, que deixou o gramado lesionado e foi substituído por Lacroix, alterando novamente o sistema defensivo francês.
Mesmo em vantagem, a Espanha não mudou sua postura. Continuou valorizando a posse de bola, ocupando o campo ofensivo e impedindo que os franceses acelerassem os contra-ataques. Antes do intervalo, Fabián Ruiz ainda teve boa oportunidade para ampliar, mas foi bloqueado na hora da finalização.
Na volta para o segundo tempo, o cenário permaneceu praticamente o mesmo. A França aumentou a posse de bola, mas encontrou enorme dificuldade para romper a organização espanhola. Mbappé, Dembélé, Olise e Barcola seguiram bem controlados pela defesa formada por Laporte e Cubarsí, que venceu praticamente todos os duelos importantes.
A Espanha seguiu confortável e aproveitou os espaços deixados pelos franceses. Aos 13 minutos, Pedro Porro iniciou uma tabela com Dani Olmo pelo lado direito, invadiu a área completamente livre e finalizou com categoria na saída de Maignan para ampliar a vantagem.
Com dois gols de desvantagem, a França passou a acelerar ainda mais suas ações ofensivas, mas encontrou dificuldades para criar oportunidades claras. As tentativas se resumiam a cruzamentos e jogadas individuais, facilmente neutralizadas pela defesa espanhola.
A Fúria ainda chegou a marcar o terceiro gol em belo lance de Lamine Yamal, que recebeu lançamento preciso de Cubarsí, driblou o marcador e finalizou com categoria. O lance, entretanto, foi anulado por impedimento após revisão da arbitragem.
Sem conseguir reagir nos minutos finais, a França viu a Espanha administrar a vantagem até o apito final e confirmar a classificação para mais uma decisão de Copa do Mundo.
Espanha controla o jogo do início ao fim e confirma força coletiva
A classificação espanhola foi construída muito mais pela organização coletiva do que pelo brilho individual. A equipe de Luis de la Fuente conseguiu impor seu modelo de jogo desde os primeiros minutos e praticamente não permitiu que a França desenvolvesse suas principais virtudes ofensivas.
O domínio começou pelo meio-campo. Fabián Ruiz, Rodri e Dani Olmo controlaram a circulação da bola e impediram que os franceses pressionassem de maneira eficiente. A Espanha conseguiu alternar momentos de posse longa com acelerações pontuais, mantendo o adversário constantemente atrás da linha da bola.
Sem a posse, o comportamento também chamou atenção. A pressão após a perda foi eficiente durante toda a partida e reduziu significativamente os espaços para Mbappé conduzir em velocidade. O principal jogador francês recebeu poucas bolas em condições favoráveis e, quando conseguiu acelerar, encontrou sempre uma segunda cobertura.
A atuação da dupla Cubarsí e Laporte merece destaque. Os dois zagueiros controlaram o jogo aéreo, venceram a maioria dos confrontos individuais e realizaram uma leitura precisa das infiltrações francesas. O trabalho defensivo facilitou também a atuação dos laterais, que puderam participar com frequência da construção ofensiva.
Pedro Porro foi um dos principais nomes da partida. Além da participação constante pelo corredor direito, aproveitou muito bem os espaços deixados pela defesa francesa para aparecer como elemento surpresa dentro da área. O gol coroou uma atuação de muita intensidade tanto ofensiva quanto defensivamente.
Lamine Yamal talvez não tenha tido o protagonismo habitual nas finalizações, mas voltou a ser decisivo pela capacidade de atrair marcações e criar espaços para os companheiros. Foi dele o lance que originou o pênalti do primeiro gol e também participou de diversas jogadas que desmontaram o sistema defensivo francês.
Pelo lado da França, a eliminação expôs dificuldades que apareceram sempre que a equipe enfrentou adversários capazes de controlar a posse de bola. Os Bleus tiveram pouca criatividade no setor de meio-campo e dependeram excessivamente das iniciativas individuais de seus atacantes.
A estratégia de buscar Mbappé em transições rápidas simplesmente não funcionou. A Espanha encurtou os espaços com eficiência e neutralizou o camisa 10 durante praticamente toda a partida. Dembélé, Olise e Barcola também participaram pouco do jogo, consequência direta da dificuldade francesa para conectar defesa e ataque.
A lesão de Saliba ainda agravou um cenário que já era complicado. A reorganização defensiva reduziu a consistência da equipe, e o segundo gol espanhol nasceu justamente de uma infiltração pelo setor que passou a sofrer mais ajustes após a substituição.
Mais uma vez, a Espanha demonstrou maturidade para administrar uma vantagem em fase decisiva. Depois de abrir o placar, não recuou excessivamente nem passou a jogar apenas em função do resultado. Continuou controlando a posse, administrando o ritmo e escolhendo os momentos certos para acelerar.
A classificação coloca a Espanha na decisão com méritos. A equipe chega à final apresentando um dos futebols mais consistentes da competição, sustentado por uma estrutura coletiva sólida, boa capacidade de adaptação e um sistema defensivo que praticamente anulou alguns dos ataques mais talentosos do Mundial.
(Foto: Aric Becker/AFP)



