A Espanha ainda está comemorando a conquista da Copa do Mundo, mas quem imagina que o trabalho de Luis de la Fuente está encerrado se engana. O treinador deixou claro logo após a decisão que o planejamento para os próximos desafios já começou. Depois de levantar o principal troféu do futebol, a missão agora é ainda mais complicada: manter a seleção no topo durante os próximos anos.
Na coletiva após a final disputada no MetLife Stadium, em Nova Jersey, De la Fuente revelou uma conversa curiosa com alguns jogadores experientes do elenco. Segundo ele, alguns atletas perguntaram o que ainda restava conquistar depois de vencer praticamente tudo com a camisa da Espanha. A resposta foi direta: ainda há muito pela frente. Afinal, a Eurocopa de 2028 e, principalmente, a Copa do Mundo de 2030, que terá a Espanha como uma das sedes, já aparecem no horizonte.
A boa notícia para os espanhóis é que boa parte da equipe campeã continuará em alto nível quando esses torneios chegarem. O time titular da final reúne jogadores jovens, em plena evolução, e praticamente todos ainda estarão em idade considerada ideal para disputar grandes competições internacionais. Mas, como acontece com qualquer potência do futebol mundial, a renovação nunca para. Enquanto os campeões comemoram, uma nova geração já bate à porta da seleção.
Base campeã garante tranquilidade para Luis de la Fuente
Uma das maiores vantagens da Espanha neste momento é a idade do elenco. Diferentemente de outras seleções campeãs que precisaram iniciar uma reformulação logo após levantar a taça, os espanhóis conseguem manter praticamente toda a estrutura montada para a Copa do Mundo.
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Na defesa, por exemplo, Laporte será o jogador mais experiente caso continue no grupo até a Euro de 2028, chegando aos 34 anos. Para um zagueiro, essa idade costuma representar justamente o auge da experiência e da maturidade tática, o que oferece segurança para a comissão técnica.
Ao seu lado, atletas como Cubarsí e Eric García ainda possuem muitos anos de futebol pela frente, formando uma das defesas mais promissoras do cenário internacional. Isso permite que De la Fuente trabalhe pensando no futuro sem abrir mão da competitividade imediata.
Gol parece estar em boas mãos por muito tempo
Se existe um setor que transmite tranquilidade para os espanhóis, é o gol.
Unai Simón consolidou sua posição como titular durante a Copa do Mundo e segue como uma das principais referências do elenco. David Raya continua sendo uma opção extremamente confiável, enquanto Joan García surge como mais um goleiro preparado para assumir responsabilidades sempre que necessário.
Além deles, Leo Román aparece como o principal nome da nova geração. O goleiro do Deportivo já faz parte do grupo monitorado pela comissão técnica e pode ganhar oportunidades nos próximos ciclos de amistosos e competições menores.
Ter quatro goleiros em alto nível é um problema que qualquer treinador gostaria de enfrentar.
Defesa segue produzindo talentos em ritmo impressionante
A fábrica de defensores da Espanha parece funcionar sem interrupções.
Além dos jogadores que participaram da campanha do título mundial, nomes como Le Normand, Huijsen e Vivian continuam brigando por espaço. Nenhum deles participou da Copa, mas todos seguem no radar da comissão técnica e podem voltar às próximas convocações.
Mais atrás, surge Cristhian Mosquera como uma das maiores promessas do país. O defensor já estreou pela seleção principal e chama atenção não apenas pela qualidade como zagueiro, mas também pela capacidade de atuar improvisado na lateral direita quando necessário. Essa versatilidade costuma pesar bastante nas listas de grandes torneios.
Ainda aparecem nomes como Jacobo Ramón e Yarek, ampliando ainda mais as opções para um setor que já era considerado um dos mais fortes do elenco campeão.
Laterais vivem momento de renovação
Pedro Porro foi um dos destaques da Espanha durante a Copa do Mundo e praticamente consolidou sua posição como dono da lateral direita.
Mesmo assim, o futuro reserva concorrência pesada.
Álex Jiménez, recém-chegado à Fiorentina, é tratado como um dos laterais de maior potencial do futebol espanhol. A expectativa é que a mudança para o futebol italiano acelere seu desenvolvimento tático, algo que pode aproximá-lo rapidamente da seleção principal.
Outros jogadores como Iván Fresneda e Víctor Gómez também seguem evoluindo e oferecem alternativas interessantes para os próximos anos da Espanha.
Na esquerda, Cucurella e Grimaldo continuam sendo as principais referências, mas Fran García voltou a ganhar força após sua transferência para o Betis. O lateral sempre agradou a Luis de la Fuente e pode voltar a aparecer com frequência nas próximas listas. Álex Valle e Sergio Gómez completam um setor que também apresenta boas perspectivas de renovação.
Meio-campo continua sendo o maior luxo da Espanha
Poucas seleções do mundo conseguem reunir tanta qualidade no setor de meio-campo quanto a Espanha.
O próprio Luis de la Fuente costuma repetir que possui os melhores meio-campistas do planeta, e não parece exagero observar a quantidade de opções disponíveis.
A concorrência é tão alta que jogadores extremamente talentosos encontram dificuldades para conquistar espaço. Marc Bernal, por exemplo, é considerado uma das maiores promessas da posição e já teve contato com a equipe principal, mas sabe que precisará evoluir bastante para disputar vaga entre tantos nomes consolidados.
Chema Andrés e Mario Martín aparecem como outros jovens observados pela comissão técnica. Além deles, Fermín López e Pablo Barrios devem retornar ao grupo após ficarem fora da Copa do Mundo por causa de lesões, aumentando ainda mais o nível de competitividade dentro do elenco.
Traduzindo: conseguir uma vaga no meio-campo da Espanha hoje parece mais difícil do que encontrar estacionamento na porta do estádio cinco minutos antes da final.
Ataque da Espanha continua revelando jogadores decisivos
Se Lamine Yamal e Nico Williams já eram considerados protagonistas antes da Copa, o Mundial serviu para confirmar esse status.
Quem também ganhou enorme prestígio foi Álex Baena. Campeão europeu, olímpico e agora mundial, o meia-atacante realizou uma excelente campanha e passou a ser tratado praticamente no mesmo nível dos principais nomes ofensivos da equipe.
Enquanto isso, novos talentos aguardam oportunidades. Víctor Muñoz esteve presente na Copa, mas jogadores como Ander Barrenetxea, Jesús Rodríguez, Alberto Moleiro, Virgili e Mayenda seguem monitorados pela comissão técnica e podem aparecer nas próximas convocações.
A disputa promete ser intensa, algo bastante positivo para uma seleção que pretende manter o alto nível durante muitos anos.
Posição de centroavante ainda gera dúvidas
Curiosamente, justamente o setor mais tradicional do futebol continua sendo aquele que oferece menos opções para a Espanha.
Mikel Oyarzabal e Ferran Torres são nomes praticamente garantidos nas próximas convocações, mas a terceira vaga de centroavante ainda parece aberta.
Borja Iglesias participou da Copa do Mundo, mas aos 33 anos dificilmente estará presente no ciclo que levará ao Mundial de 2030. Gonzalo surge como um dos candidatos naturais, embora ainda precise ganhar mais espaço em seu clube para convencer definitivamente Luis de la Fuente.
Outra expectativa gira em torno da recuperação de Samu Aghehowa, que sofreu uma grave lesão no joelho, além de Mateo Joseph, que também passou por um rompimento do ligamento cruzado anterior depois de uma temporada pouco produtiva no Mallorca.
As gerações de 2007 e 2009 já animam a Espanha
Se o presente já parece bastante promissor, o futuro consegue empolgar ainda mais os dirigentes da Federação Espanhola.
As categorias de base tratam as gerações de 2007 e 2009 como algumas das mais talentosas das últimas décadas. A primeira acabou de conquistar o Campeonato Europeu Sub-19 e reúne jogadores como Manu González, Thiago Pitarch, Morante e Ousmane Diallo.
Logo atrás vem uma safra igualmente elogiada, liderada por nomes como Ebrima Tunkara, Jordi Pesquer, Enzo Alves e Abdou Kemo.
Naturalmente, nem todos chegarão à seleção principal. O futebol costuma ser imprevisível e muitas promessas acabam ficando pelo caminho. Ainda assim, o cenário reforça a sensação de que a Espanha não construiu apenas uma equipe campeã da Copa do Mundo, mas também uma estrutura capaz de manter o país entre as grandes potências do futebol internacional por muitos anos. Se a renovação continuar acontecendo nesse ritmo, Luis de la Fuente terá um daqueles “bons problemas” que todo treinador sonha em administrar: escolher quem ficará fora de uma seleção recheada de talento.
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