Pouco mais de um ano atrás, Mateusz Gamrot era apontado como uma das grandes promessas do peso-leve do UFC. Com vitórias sobre nomes como Arman Tsarukyan e Jalin Turner, o polonês se firmava no top 10 da divisão mais competitiva da organização.
Hoje, prestes a enfrentar Ludovit Klein no UFC Vegas 107, ele encara não apenas o adversário dentro do octógono — mas também o fantasma do esquecimento. Após a derrota para Dan Hooker em agosto de 2024, Gamrot passou meses sem luta e agora retorna frustrado por encarar um oponente fora do ranking.
“Foi difícil conseguir um adversário,” disse Gamrot na coletiva de imprensa desta quarta-feira. “Vim para a Flórida em janeiro. Esperava lutar em breve, mas naquele momento todo mundo do ranking já estava com luta marcada. Então pressionei o UFC, tipo: ‘Ok, pessoal. Se todos estão ocupados, me deem alguém fora do ranking. Não importa pra mim. Quero me manter ativo este ano. Quero lutar.’ E é por isso que estou enfrentando o Ludovit Klein agora.”
De fenômeno europeu a nome ignorado
Mateusz Gamrot chegou ao UFC em 2020 com um cartel invicto e status de campeão duplo do KSW, maior evento de MMA da Polônia. Desde então, acumulou performances técnicas, vitórias sólidas e um estilo de luta que mistura wrestling de elite, pressão constante e boa adaptação em pé. Seu triunfo sobre Arman Tsarukyan em 2022 é até hoje considerado uma das lutas mais técnicas já vistas na categoria.
Apesar da derrota para Beneil Dariush, ele retomou o caminho das vitórias após bater nomes difíceis como Jalin Turner e Rafael Fiziev antes de vencer o brasileiro Rafael dos Anjos. No entanto, a derrota para Hooker provou ser mais danosa do que ele esperava, já que o polonês caiu em esquecimento dentro do Ultimate, e teve dificuldades para encontrar um oponente.
Em um peso-leve cheio de talentos emergentes, ficar inativo por muito tempo é sinônimo de cair no esquecimento. Foi o que aconteceu com Gamrot.
Frustração por adversário não ranqueado
O duelo contra Ludovit Klein no UFC Vegas 107 marca o retorno de Gamrot após quase um ano afastado. Mas, para ele, essa não é a luta ideal. Klein não está ranqueado e ainda busca um grande nome para se afirmar na categoria. Para Gamrot, que já flertou com o top 5, esse é um confronto com risco alto e recompensa baixa.
Essa declaração deixa claro que a luta, para Gamrot, tem um peso simbólico. Não se trata apenas de mais um combate: trata-se de uma reentrada no mapa, uma tentativa de reconquistar a narrativa de que ele ainda pertence à elite da divisão.
Klein é perigo real para Gamrot, mesmo fora do ranking
Ludovit Klein é um striker técnico, com bom controle de distância e potência nos chutes. Vem de vitórias consistentes e tem ganhado espaço no UFC aos poucos. Seu estilo pode gerar complicações para Gamrot se este não conseguir impor seu ritmo e grappling.
Para Klein, é a grande chance de mudar de patamar. Para Gamrot, é um campo minado: uma derrota o afastaria de vez do radar do top 10. Uma vitória por pontos, ou pouco expressiva, talvez também não baste. Por isso, Gamrot já deixou claro: ele precisa de uma performance dominante.
Caso vença com autoridade, Gamrot pode mirar nomes que, assim como ele, estão em posição de afirmação. Lutas contra Paddy Pimblett ou uma revanche contra Dan Hooker fariam sentido. Com bom desempenho, é possível também mirar em nomes como Jusitin Gaethje ou até mesmo o perdedor de Topuria x Oliveira, dependendo dos desdobramentos.
No entanto, tudo isso passa por Vegas. E Gamrot sabe disso.
O UFC Vegas 107 não era o que Mateusz Gamrot sonhava. Ele queria um adversário ranqueado, queria estar nas conversas para eliminatórias de cinturão. Mas, ao aceitar Ludovit Klein, mostra que ainda tem fome — e disposição para reconstruir sua estrada, passo a passo.
Dentro de um octógono lotado de talentos, o desafio não é apenas vencer. É ser lembrado.
E para Gamrot, este sábado será mais do que uma luta. Será sua resposta ao esquecimento.
(Foto: Divulgação/UFC)