A seleção dos Estados Unidos segue viva na Copa do Mundo. Jogando em casa e empurrada por sua torcida, a equipe comandada por Mauricio Pochettino venceu a Bósnia e Herzegovina por 2 a 0, nos 16 avos de final, e confirmou sua vaga na próxima fase do torneio. Mais do que o resultado, a atuação deixou sinais importantes sobre a força do time norte-americano neste momento da competição.
O confronto não foi exatamente simples. A Bósnia entrou em campo com uma proposta bastante clara, tentando fechar os espaços e dificultar a construção ofensiva dos Estados Unidos. Durante boa parte do jogo, o time europeu apostou em uma marcação compacta, protegendo a entrada da área e obrigando os donos da casa a encontrarem soluções diferentes para chegar ao gol. Neste cenário, a vitória norte-americana também passou muito pela capacidade de adaptação da equipe.
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes da campanha dos Estados Unidos até aqui. Pochettino chegou à Copa do Mundo cercado por críticas e dúvidas, especialmente pela irregularidade apresentada antes do torneio. No entanto, dentro da competição, o treinador conseguiu mudar o cenário. A equipe tem mostrado organização, intensidade e, principalmente, uma capacidade maior de entender os diferentes momentos das partidas.
Contra a Bósnia, isso ficou bastante claro. Os Estados Unidos não encontraram muitos espaços pelo centro no início, mas conseguiram acelerar o jogo com passes curtos, movimentações rápidas e também bolas mais longas pelos lados. Desta forma, o time conseguiu tirar a defesa adversária da zona de conforto, explorando a velocidade dos laterais e dando mais largura ao ataque.
Estados Unidos mostram força coletiva e adaptação tática
A vitória contra a Bósnia e Herzegovina reforça uma ideia importante: os Estados Unidos não dependem apenas do ambiente favorável por jogar em casa. É claro que a torcida tem um peso enorme e transforma cada partida em um evento especial para o país. No entanto, dentro de campo, a equipe também vem entregando argumentos para acreditar em uma campanha de destaque.
A adaptação tática contra a Bósnia foi um bom exemplo disso. Diante de um adversário que entrou em campo preocupado em se defender, os Estados Unidos precisaram ter paciência para circular a bola e inteligência para não insistir em caminhos pouco produtivos. Como a Bósnia tinha força física e muita presença no jogo aéreo, a equipe norte-americana evitou abusar de bolas levantadas sem direção. Pelo contrário, o time tentou construir com a bola no chão, acelerando em poucos toques quando encontrava espaço.
Neste ponto, o meio-campo teve papel importante. Com jogadores capazes de participar da construção e também atacar os espaços, os Estados Unidos conseguiram movimentar a defesa adversária. A equipe não fez um jogo perfeito, mas mostrou maturidade para entender o tipo de confronto que estava disputando.
O gol de Folarin Balogun, ainda no primeiro tempo, ilustrou bem essa capacidade de acelerar no momento certo. A jogada nasceu de uma troca rápida de passes, pegando a marcação da Bósnia desorganizada. Balogun atacou o espaço e mostrou a frieza necessária para colocar os Estados Unidos em vantagem.
A partir dali, o jogo ganhou outro cenário. A Bósnia precisou sair um pouco mais, enquanto os Estados Unidos passaram a ter mais possibilidades para explorar os espaços. Ainda assim, a partida mudou novamente no segundo tempo, quando Balogun acabou expulso. Com um jogador a menos, a equipe de Pochettino precisou mostrar outro tipo de qualidade: a capacidade de sofrer sem perder o controle.
E foi justamente aí que os Estados Unidos deram outro recado importante. Mesmo pressionados, os norte-americanos não se desesperaram. O time baixou as linhas, protegeu melhor a área e tentou acelerar quando teve oportunidade. A estratégia funcionou, e Malik Tillman ainda conseguiu ampliar o placar em uma cobrança de falta, fechando a vitória por 2 a 0.
Ausência de Balogun será uma grande baixa nas oitavas
Apesar da classificação, os Estados Unidos também saíram do jogo com uma preocupação enorme. Balogun, que vem sendo um dos grandes nomes da equipe na Copa do Mundo, está fora das oitavas de final por causa da expulsão. E, neste momento, não há como tratar sua ausência como algo pequeno.
O atacante tem sido uma peça fundamental para o funcionamento ofensivo da seleção norte-americana. Mais do que os gols, Balogun oferece presença, velocidade e capacidade para atacar os espaços entre os defensores. Contra a Bósnia, ele voltou a mostrar isso. Mesmo depois de ter um gol anulado por impedimento, o atleta não se abalou. Pelo contrário, continuou buscando o jogo até balançar a rede para valer.
Esse tipo de comportamento é muito valioso em uma Copa do Mundo. Em jogos de mata-mata, muitas vezes o atacante precisa de poucas chances para decidir. Balogun tem mostrado justamente essa característica. Ele não precisa aparecer o tempo inteiro para ser importante. Basta um movimento certo, uma bola recebida em boa condição ou um espaço atacado no momento correto para mudar o rumo de uma partida.
Neste cenário, sua ausência contra a Bélgica pesa bastante. Os Estados Unidos ainda têm opções para o setor ofensivo, mas perdem seu camisa 9 em um momento decisivo. Ricardo Pepi deve ganhar mais responsabilidade, enquanto Pochettino terá que ajustar a equipe para não perder tanta força no ataque. Ainda assim, a vitória sobre a Bósnia também mostrou que os Estados Unidos possuem algo além de nomes individuais. O time tem competido com muita entrega, mostrando união e capacidade para se adaptar às dificuldades. Essa talvez seja uma das maiores marcas da campanha até aqui.
A verdade é que a seleção norte-americana faz uma grande Copa do Mundo. Os resultados aparecem, o desempenho tem sido convincente em diferentes momentos e a conexão com a torcida cresce a cada partida. O país parece ter abraçado a Copa de uma forma intensa, criando um ambiente que fortalece ainda mais a equipe.
E isso também ajuda a explicar por que essa campanha tem um peso especial. O futebol, que durante muito tempo lutou por espaço nos Estados Unidos, aparece agora com uma força diferente.
Os Estados Unidos ainda terão desafios muito mais pesados pela frente. No entanto, a vitória contra a Bósnia e Herzegovina mostrou que o time tem recursos para competir. Com Pochettino encontrando respostas, uma torcida cada vez mais envolvida e um grupo que parece acreditar no próprio caminho, a seleção norte-americana chega às oitavas com motivos reais para seguir sonhando alto na Copa do Mundo.
Créditos da foto de capa: Getty Images Sport.