Se a vitória por 4 a 1 sobre o Paraguai já chamou atenção pelo placar, o desempenho dos Estados Unidos impressionou ainda mais pelos detalhes. Em uma estreia praticamente perfeita diante de sua torcida, a equipe de Mauricio Pochettino dominou o adversário em todos os aspectos do jogo e produziu, até aqui, a atuação mais convincente da Copa do Mundo de 2026.
A surpresa vai além dos quatro gols marcados, os norte-americanos mostraram organização, agressividade sem a bola e uma capacidade de construção que poucas seleções apresentaram nos primeiros dias do torneio.
Saída de bola segura foi a base do domínio
Uma das principais dúvidas envolvendo os Estados Unidos antes da Copa estava no setor defensivo. O experiente Tim Ream, aos 38 anos, lidera uma linha defensiva que ainda convive com questionamentos, enquanto Tyler Adams chegou ao torneio cercado por preocupações físicas após uma sequência de lesões.
Contra o Paraguai, porém, o trio formado por Ream, Chris Richards e Adams respondeu com uma atuação impecável na construção das jogadas.
Durante o primeiro tempo, os três somaram 137 passes certos em 140 tentativas. Richards foi praticamente perfeito na distribuição e terminou a partida com 84 passes certos e 100% de aproveitamento, marca raríssima em jogos de Copa do Mundo.
Além da segurança, houve ambição. Ream foi responsável por acelerar diversas transições ofensivas e registrou impressionantes 23 passes rompendo linhas de marcação — um número incomum até para meio-campistas e que demonstra o controle territorial exercido pelos anfitriões.
Ataque funcionou pelos dois lados do campo
A superioridade ofensiva dos Estados Unidos começou pela esquerda. Foi dali que nasceu o lance do gol contra de Damián Bobadilla, após jogada construída por Christian Pulisic.
Pouco depois, novamente pelo mesmo corredor, o camisa 10 serviu Folarin Balogun para o segundo gol da partida.
Com o passar dos minutos, o time passou a explorar também o lado direito. Sergiño Dest e Alex Freeman ganharam protagonismo, ampliando as alternativas ofensivas e dificultando qualquer ajuste defensivo do Paraguai.
A movimentação constante de Weston McKennie e Malik Tillman completou o cenário. Os dois participaram ativamente da criação das jogadas e ajudaram a transformar o ataque norte-americano em um sistema imprevisível.
O resultado foi um primeiro tempo praticamente irretocável, encerrado com três gols e uma vantagem que refletia fielmente o que aconteceu dentro de campo.
A pressão de Pochettino sufocou o Paraguai
Desde que assumiu a seleção, Mauricio Pochettino vem tentando implementar uma identidade baseada em intensidade, recuperação rápida da posse e pressão alta. Contra o Paraguai, sua ideia apareceu de forma clara.
Os Estados Unidos recuperaram inúmeras bolas ainda no campo ofensivo e impediram que os sul-americanos encontrassem qualquer conforto na saída de jogo.
Quando perdiam a posse, os norte-americanos reagiam imediatamente para recuperá-la. A agressividade sem bola foi um dos principais fatores para o controle absoluto da partida durante a etapa inicial.
O Paraguai passou grande parte do confronto sem conseguir conectar seus setores e praticamente não ofereceu perigo até o segundo tempo.
Balogun faz história e encerra debate no ataque

A estreia também serviu para reforçar o status de Folarin Balogun como principal referência ofensiva da equipe.
Antes da Copa, havia discussões sobre quem deveria ocupar a posição de centroavante titular, especialmente pela boa fase de Ricardo Pepi no futebol holandês. Balogun respondeu da melhor forma possível.
Com dois gols ainda no primeiro tempo, o atacante do Monaco tornou-se apenas o segundo jogador da história dos Estados Unidos a marcar mais de uma vez em uma partida de Copa do Mundo. O primeiro havia sido Bert Patenaude, autor de um hat-trick justamente contra o Paraguai, em 1930.
Além dos gols, Balogun participou da movimentação ofensiva, atacou os espaços e mostrou eficiência nas finalizações — características que explicam por que Pochettino apostou nele para liderar o setor ofensivo.
Um recado para o restante da Copa

Os Estados Unidos nunca haviam marcado quatro gols em uma única partida de Copa do Mundo. Mais do que quebrar esse tabu, a equipe deixou uma impressão importante para o restante do torneio.
A combinação entre intensidade, qualidade técnica e confiança transformou a estreia em uma declaração de intenções. Ainda é cedo para apontar os norte-americanos como candidatos reais ao título, mas a atuação diante do Paraguai mostrou que os anfitriões podem ser muito mais do que apenas uma seleção beneficiada pelo fator casa.
Se mantiverem esse nível de desempenho, os comandados de Mauricio Pochettino têm argumentos para sonhar com uma campanha histórica diante de seu próprio público.
Crédito da foto de capa: Andre Penner / AP Photo