A contagem regressiva acabou. Depois de semanas de preparação, amistosos e testes, os Estados Unidos de Mauricio Pochettino finalmente estão prontos para iniciar sua caminhada na Copa do Mundo de 2026. A estreia será diante do Paraguai, em um duelo que pode definir o rumo da equipe no Grupo D, que também conta com Austrália e Turquia.
A seleção norte-americana chega embalada por resultados que aumentaram a confiança do elenco. A vitória por 3 a 2 sobre Senegal e a atuação competitiva diante da Alemanha, apesar da derrota por 2 a 1, mostraram que a equipe pode enfrentar adversários de alto nível sem se intimidar.
Mesmo assim, nem tudo está definido. O técnico Mauricio Pochettino ainda possui algumas decisões importantes para tomar antes de colocar sua equipe em campo no jogo de abertura do torneio. Questões táticas, dúvidas físicas e definições sobre peças importantes do elenco continuam em aberto.
Onde Weston Mckennie rende mais?
Poucos jogadores do elenco americano oferecem tanta versatilidade quanto Weston McKennie. O atleta da Juventus já atuou em praticamente todos os setores do meio-campo e até mesmo em funções defensivas ao longo da carreira.
Nos amistosos preparatórios, Pochettino optou por utilizá-lo em uma posição mais avançada, próximo aos atacantes. A ideia era aproveitar sua capacidade de infiltração e chegada à área adversária.
No entanto, a estratégia trouxe algumas dificuldades. Contra a Alemanha, os norte-americanos tiveram problemas para controlar o ritmo do jogo em determinados momentos, especialmente no setor central do campo. Com McKennie mais adiantado, o meio-campo perdeu parte da força de marcação e permitiu que os alemães encontrassem espaços para acelerar as jogadas.
Por isso, cresce a possibilidade de o jogador atuar mais recuado contra o Paraguai. Ao lado de Tyler Adams, ele poderia formar uma dupla de meio-campistas mais equilibrada, oferecendo proteção defensiva e qualidade na saída de bola para o time de Pochettino.
A decisão será importante porque McKennie é uma das referências técnicas da seleção de Pochettino. Definir sua posição ideal pode influenciar diretamente o desempenho coletivo da equipe durante a competição.
Situação de Chris Richards preocupa
Outra questão que segue gerando atenção envolve Chris Richards. O zagueiro é considerado uma das peças mais importantes do sistema defensivo dos Estados Unidos, mas sua condição física ainda levanta dúvidas.
O defensor não participou do amistoso contra a Alemanha devido a uma lesão que o afastou dos gramados nas últimas semanas. Apesar do otimismo demonstrado pelo próprio jogador, a comissão técnica ainda avalia qual será o melhor caminho para sua utilização.
A grande preocupação é o ritmo de jogo. Richards ficou um período considerável sem atuar e retornar diretamente em uma partida de Copa do Mundo pode representar um risco elevado.
Pochettino possui três alternativas. A primeira seria escalar o defensor como titular e confiar em sua experiência. A segunda envolve preservá-lo por mais alguns dias para garantir uma recuperação completa. Já a terceira opção seria utilizá-lo apenas durante parte da partida, permitindo um retorno gradual.
Nenhuma das alternativas é perfeita. Richards é um dos líderes da defesa e sua ausência pode afetar o desempenho da equipe. Por outro lado, colocá-lo em campo sem estar totalmente preparado também pode gerar problemas.
A decisão deverá ser tomada apenas nos momentos finais antes da estreia.
Banco de reservas ainda é uma incógnita para Pochettino
Se existe um aspecto que ainda desperta dúvidas nos torcedores americanos, é o impacto dos jogadores que começam as partidas no banco de reservas.
Em competições curtas como a Copa do Mundo, os atletas que entram durante os jogos costumam ser decisivos. Muitas vezes são eles que mudam o rumo de uma partida equilibrada ou ajudam a segurar um resultado importante nos minutos finais.
Até o momento, Pochettino parece ter encontrado uma base titular bastante sólida. O problema está justamente nas alternativas.
Gio Reyna era apontado como um dos principais candidatos a exercer esse papel de “super reserva”. Entretanto, o meia não conseguiu apresentar o desempenho esperado nos amistosos de preparação e deixou dúvidas sobre sua capacidade de mudar partidas em andamento.
Outra possibilidade envolve Ricardo Pepi. O atacante pode ser utilizado ao lado de Folarin Balogun caso a equipe precise buscar um gol. No entanto, a adoção de um sistema com dois centroavantes exige ajustes táticos que nem sempre são simples de executar durante os minutos finais de uma partida.
Além disso, jogadores como Tim Weah, Malik Tillman e Brenden Aaronson também podem ganhar importância dependendo das circunstâncias dos jogos.
Estreia pode responder perguntas importantes
Apesar das dúvidas existentes, o cenário é muito mais positivo do que há alguns meses. A equipe mostrou evolução durante a preparação e chega à Copa do Mundo com confiança elevada.
Mauricio Pochettino parece ter encontrado uma identidade para o time, principalmente após consolidar um sistema com três defensores e maior equilíbrio entre defesa e ataque.
Agora, resta descobrir como serão respondidas as últimas perguntas antes da estreia. A posição ideal de Weston McKennie, a condição física de Chris Richards e o papel dos jogadores que saem do banco podem fazer enorme diferença na campanha dos Estados Unidos.
A partida contra o Paraguai servirá como primeiro grande teste. E, em uma Copa do Mundo disputada em casa, cada decisão tomada por Pochettino será analisada com atenção redobrada. Afinal, a expectativa da torcida americana é ver sua seleção dar um passo além e mostrar que está preparada para competir contra as principais potências do futebol mundial.
Foto: Ira L. Black/USSF/Getty Images