Futebol Premier League

Estêvão brilha e já merece ser titular do Chelsea

Desde que chegou ao Chelsea, Estêvão tem chamado a atenção não apenas por sua idade, mas principalmente pela maturidade e impacto imediato que tem demonstrado nos jogos em que participou.

O gol marcado nos acréscimos da partida contra o Liverpool, um dos adversários mais difíceis e atual campeão da Premier League, não foi apenas uma pintura de talento, mas também uma demonstração clara de personalidade.

Ao decidir um confronto tão grande, em um cenário tão simbólico como Stamford Bridge, o jovem brasileiro deixou claro que não está em Londres apenas para se desenvolver: ele já é capaz de entregar.

Mais do que o gol da vitória por 2 a 1, Estêvão mudou a dinâmica do jogo. Antes de sua entrada, o Liverpool dominava territorialmente, impondo ritmo e criando as principais chances. A partir da substituição, o Chelsea passou a ter mais profundidade, mais verticalidade e, acima de tudo, um elemento surpresa que bagunçou a marcação adversária.

Estêvão trouxe energia e técnica, mostrou coragem ao partir para cima de zagueiros mais experientes e não se omitiu em nenhum momento, mesmo com a pressão que naturalmente recai sobre um jovem de apenas 18 anos. O brasileiro foi ovacionado ao final do jogo e a mensagem das arquibancadas foi clara: ele já conquistou Stamford Bridge.

Estevão foi ovacionado pela torcida ao fim do jogo diante do Liverpool
Estevão foi ovacionado pela torcida ao fim do jogo diante do Liverpool (Imagem: Michael Steele/Getty Images)

Estêvão tem tudo para ser titular e ídolo

O técnico Enzo Maresca sabe que o Chelsea vive um momento de reconstrução, de equilíbrio entre juventude e experiência. No entanto, há jovens que não podem ser tratados como projetos para o futuro, porque o presente já exige sua presença. Estêvão é um desses casos.

A atuação de Estêvão contra o Liverpool não foi um ponto fora da curva. Em seu primeiro jogo como titular, contra o West Ham, ele já havia sido eleito o melhor em campo. Deu uma assistência, criou oportunidades, e mesmo quando cometeu um erro (um passe de calcanhar interceptado que resultou em gol do adversário), mostrou maturidade para se recuperar e seguir em alto nível.

Enzo Maresca, inclusive, defendeu o jovem em entrevista pós-jogo, dizendo que erros fazem parte do processo e elogiou sua postura diante da adversidade. Até porque ele foi muito mais útil do que o contrário na vitória por 5 a 1.

O que se nota é que Estêvão tem uma característica rara: a capacidade de desequilibrar jogos sem comprometer a estrutura coletiva da equipe. Ele recompõe defensivamente, pressiona na saída de bola adversária, cumpre funções táticas e, ao mesmo tempo, oferece criatividade e agressividade no terço final.

O atacante brasileiro é versátil, pode jogar pelos dois lados do campo e até por dentro, tem bom passe, visão, e o principal: encara adversários com personalidade, como fez contra Van Dijk e Robertson, sem se intimidar.

Ao analisar o elenco atual do Chelsea, é possível ver que há espaços no setor ofensivo. Muitos jogadores ainda oscilam, outros não têm entregado o impacto esperado, e Estêvão tem superado a média de produtividade, mesmo com minutos reduzidos.

Não se trata apenas de premiar boas atuações, mas de reconhecer que o time joga melhor com ele em campo. Sua presença amplia o leque de possibilidades ofensivas e obriga os adversários a redobrarem a atenção, um efeito que apenas jogadores diferenciados conseguem causar.

A juventude, que poderia ser vista como fator limitador, na verdade se transforma em vantagem. Estêvão tem físico, fome, explosão e capacidade de adaptação. Se mantiver uma sequência, pode evoluir ainda mais rápido. Negar-lhe a titularidade neste momento seria mais prejudicial do que benéfico.

Estêvão já provou que pode suportar a pressão, que responde bem aos desafios e que tem um teto técnico acima da média, algo que, em um clube como o Chelsea, precisa ser cultivado e potencializado com protagonismo em campo.

Portanto, é hora de Maresca encontrar um espaço fixo para Estêvão no time titular. Seja adaptando o esquema, seja reposicionando jogadores, o técnico italiano precisa reconhecer o valor imediato que tem nas mãos.

Não há mais por que segurar um talento que já demonstra maturidade, eficácia e mentalidade de jogador grande. Estêvão não é só o futuro do Chelsea, ele já é o presente.

(Imagem de capa: Getty Images)