Vitória de Jair Ventura mostra que está vivo e que vai incomodar
Brasileirão Futebol

Ao estilo Jair Ventura, Vitória supera o Vasco e segue em ascensão no Brasileirão

O Vitória deu mais uma demonstração de que a identidade construída por Jair Ventura começa a aparecer com cada vez mais clareza dentro de campo. Na vitória por 1 a 0 sobre o Vasco, no Barradão, a equipe baiana não encantou ofensivamente nem criou uma grande quantidade de oportunidades, mas executou quase à perfeição um plano de jogo baseado em intensidade, organização defensiva e aproveitamento dos erros do adversário. O resultado recolocou o Leão na parte de cima da classificação, ocupando agora a décima colocação, e reforçou a boa fase da equipe, principalmente atuando em Salvador.

Mais do que o placar, a atuação mostrou um Vitória confortável em jogar sem dominar completamente a posse de bola. O time soube controlar os espaços, venceu a maior parte dos duelos físicos e praticamente anulou o ataque vascaíno durante os 90 minutos. Quando encontrou a oportunidade para decidir a partida, foi eficiente. Depois de abrir vantagem, também não repetiu o comportamento comum de muitas equipes que apenas recuam para defender o resultado. Pelo contrário, continuou pressionando a saída de bola do Vasco e dificultando qualquer tentativa de reação.

Esse tipo de atuação lembra o estilo que Jair Ventura costuma implementar em suas equipes: poucas oportunidades concedidas ao adversário, intensidade sem a bola e máxima eficiência nos momentos decisivos.

Organização defensiva foi a principal arma do Vitória durante toda a partida

Desde os primeiros minutos ficou claro que o Vitória priorizaria o equilíbrio antes de buscar o ataque. O primeiro tempo foi bastante estudado, com as duas equipes encontrando dificuldades para construir jogadas e disputando intensamente cada espaço no meio-campo.

Durante boa parte da etapa inicial, nenhuma das equipes conseguiu transformar a posse de bola em chances claras. O Vitória, entretanto, dava sinais de maior controle da partida. Além de sofrer pouco defensivamente, foi quem criou as melhores oportunidades antes do intervalo.

Erick desperdiçou uma boa chance dentro da área após vencer a marcação, enquanto Baralhas obrigou Léo Jardim a fazer uma excelente defesa em chute de longa distância nos minutos finais do primeiro tempo.

Embora o placar permanecesse zerado, o Vitória demonstrava maior segurança coletiva.

Essa impressão ficou ainda mais evidente após o intervalo.

O Vasco voltou mais agressivo, adiantando suas linhas e buscando acelerar a partida. As mudanças promovidas por Pedro Emanuel aumentaram o volume ofensivo da equipe carioca, mas também abriram espaços para os contra-ataques do Vitória.

Mesmo quando o adversário conseguiu criar suas duas melhores oportunidades, Lucas Arcanjo praticamente não precisou fazer defesas difíceis para manter o empate. Isso ajuda a explicar a consistência defensiva apresentada pela equipe baiana.

Os números reforçam essa atuação.

O Vitória venceu 43 dos 75 duelos pelo chão disputados durante a partida, contra apenas 32 do Vasco. Além disso, acumulou 25 desarmes e 11 interceptações, estatísticas que demonstram não apenas uma equipe organizada, mas também agressiva na recuperação da posse de bola.

Essa intensidade foi determinante para impedir que o Vasco encontrasse espaços entre as linhas de marcação.

Mesmo quando o time carioca controlou mais a posse de bola na reta final, teve enorme dificuldade para transformar esse domínio territorial em oportunidades reais de gol.

Foi um desempenho defensivo que vai além da atuação da última linha. O sistema inteiro funcionou de forma coordenada, reduzindo espaços, pressionando rapidamente após a perda da bola e vencendo grande parte das disputas individuais.

Vitória foi eficiente no ataque e mostra evolução sob o comando de Jair Ventura

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Foto: Victor Ferreira

Se defensivamente o Vitória apresentou consistência, ofensivamente a equipe mostrou eficiência.

O dado mais curioso da partida evidencia exatamente isso.

Das 14 finalizações realizadas pelo time baiano, apenas uma foi considerada uma grande oportunidade, justamente aquela convertida por Renato Kayzer.

O gol nasceu de uma característica que Jair Ventura valoriza bastante: pressão na saída de bola adversária.

Robert Renan acionou Cauan Barros sob forte marcação. Tarzia percebeu a oportunidade, roubou a bola e imediatamente encontrou Renato Kayzer livre dentro da área. O atacante, que havia acabado de entrar em campo, finalizou com tranquilidade para superar Léo Jardim e marcar o único gol da partida.

Mais importante do que o lance em si foi o comportamento da equipe após abrir vantagem.

Ao contrário do que costuma acontecer em diversas equipes que enfrentam adversários tradicionais, o Vitória não recuou completamente.

Mesmo vencendo, continuou pressionando a saída de bola do Vasco, impedindo que a equipe carioca construísse jogadas com tranquilidade desde o campo defensivo.

Essa postura impediu que o Vasco transformasse sua maior posse de bola em pressão efetiva.

O domínio territorial existia, mas as chances claras continuavam escassas.

Esse equilíbrio entre defesa sólida e pressão sem a bola é justamente uma das marcas que começam a aparecer no trabalho de Jair Ventura.

O treinador parece ter encontrado uma identidade para o Vitória, priorizando organização antes de volume ofensivo.

Os resultados começam a confirmar essa evolução.

Com a vitória, o Leão chegou à 10ª colocação e se aproxima do grupo que disputa as primeiras posições da tabela.

Além disso, a equipe mantém uma campanha extremamente consistente dentro de casa.

O Barradão tornou-se um dos grandes trunfos do clube nesta temporada. O Vitória possui agora a terceira melhor campanha como mandante da competição e sofreu apenas três gols em nove partidas diante de sua torcida.

Mais do que um simples dado estatístico, esse desempenho mostra uma equipe que sabe explorar muito bem o fator casa e que constrói sua campanha a partir da segurança defensiva.

Ainda há pontos a evoluir ofensivamente. O Vitória produziu apenas uma grande chance em toda a partida, um número que demonstra que a criação ainda pode crescer ao longo da temporada.

Por outro lado, quando um time consegue limitar o adversário a poucas oportunidades, vence a maioria dos duelos individuais, recupera bolas constantemente e ainda mantém intensidade mesmo após abrir o placar, passa a transmitir confiança para objetivos maiores.

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Kaique