Aaron Pico
Lutas UFC

A estreia de Aaron Pico no UFC e o impacto da estrela para a organização

A estreia de Aaron Pico no UFC 319 não é apenas mais uma luta no card co-principal de um evento numerado. Para muitos fãs e especialistas, trata-se da concretização de uma história que começou a ser escrita há quase uma década, quando o nome de Pico começou a ecoar nos bastidores do MMA como “o maior prospecto da história”.

Agora, depois de anos competindo no Bellator, o lutador californiano finalmente pisa no maior palco do esporte para encarar Lerone Murphy, britânico invicto e que já derrotou nomes respeitados como Josh Emmett e Edson Barboza.

Aaron Pico: a trajetória até o UFC

A trajetória de Aaron Pico é incomum. Antes mesmo de pensar em assinar com o UFC, ele já colecionava conquistas em diferentes modalidades. Foi campeão mundial juvenil de wrestling, medalhista em torneios internacionais e também construiu carreira sólida no boxe amador, chegando a integrar a seleção dos Estados Unidos. Seu talento no pankration e no wrestling chamou atenção de treinadores e dirigentes de alto nível, o que fez com que, aos 18 anos, fosse apontado como um fenômeno capaz de mudar o jogo no MMA.

Pico, porém, optou por um caminho diferente daquele que muitos imaginavam: assinou com o Bellator em 2014, antes mesmo de fazer uma luta profissional. Sua estreia no MMA aconteceu em 2017, diante de Zach Freeman, e foi marcada por um revés rápido — um choque de realidade que serviria como lição para o resto da carreira.

Depois disso, o estadunidense reconstruiu seu jogo, evoluiu tecnicamente e mentalmente, acumulando vitórias expressivas e se tornando um dos atletas mais perigosos da divisão dos penas e leves no Bellator. Ao todo, somou 13 vitórias, sendo nove delas por nocaute, e construiu reputação como striker explosivo com wrestling de elite.

Com o fim do contrato e a fusão entre Bellator e PFL, Pico se tornou agente livre no começo de 2024. Foi nesse momento que começou a especulação sobre seu futuro, com o UFC despontando como destino óbvio. Dana White, presidente da organização, não escondeu o interesse: chamou Pico de “o agente livre mais empolgante do mundo” e deixou claro que queria vê-lo no Octógono. As negociações avançaram e, na metade de 2025, o contrato foi assinado.

Atraso na primeira luta de Pico

A primeira luta parecia ter sido definida rapidamente: Pico enfrentaria Movsar Evloev, invicto e número 1 do ranking peso-pena, em Abu Dhabi, no mês de julho. O duelo gerou grande expectativa, já que seria um teste imediato contra um dos melhores da divisão. No entanto, uma lesão de Evloev frustrou os planos. Pico, insatisfeito, usou as redes sociais para expressar a decepção, afirmando que já tinha investido pesado no camp na Tailândia e que esperava que o russo voltasse a enfrentá-lo no futuro.

O UFC decidiu não arriscar uma substituição de menor impacto e optou por remarcar a estreia para o UFC 319, em Chicago, mantendo Pico em um evento de alto perfil. Foi então que entrou em cena Lerone Murphy, um adversário perigoso, com cartel de 16 vitórias e um empate, e que vem em ascensão rápida dentro do UFC. Murphy aceitou o combate com apenas três semanas de preparação, algo que mostra não apenas confiança, mas também disposição para enfrentar riscos em troca de grandes recompensas.

Pico vê o confronto como a chance perfeita para se apresentar ao público do UFC com estilo. “Sou diferente de qualquer um que Murphy já enfrentou”, disse o americano, destacando seu wrestling de nível olímpico combinado com um boxe agressivo e preciso. “Quero que ele saia dizendo: ‘Não quero mais lutar com Aaron Pico jamais’.”

O impacto da luta para o futuro do UFC

A luta tem peso extra porque o UFC está em busca de novas estrelas no peso-pena. Desde que Ilia Topuria subiu e Alexander Volkanovski recuperou o cinturão, a organização está apostando em uma renovação da categoria, com nomes como os brasileiros Diego Lopes e Jean Silva, além de Pico e Murphy, que devem entrar nesta leva.

Apesar de todo o hype, nem todos estão convencidos. O brasileiro Renato Moicano disse não conhecer Pico e criticou a escolha do combate como co-principal, classificando como “mais entretenimento do que esporte”. Esse ceticismo não é incomum: muitos fãs que acompanham apenas o UFC nunca viram Pico lutar, e essa estreia será o primeiro contato direto com seu estilo e personalidade.

Se vencer Murphy de forma convincente, Pico poderá ser rapidamente inserido no top 10 e, em pouco tempo, disputar uma eliminatória pelo título. Uma vitória dominante também ajudaria a justificar o investimento e o destaque que o UFC está dando à sua chegada. Para os fãs que acompanharam sua trajetória desde o início, este é o momento de ver a promessa se transformar em realidade. Para o próprio Pico, é a chance de provar que, apesar dos tropeços no início da carreira, ele ainda pode se tornar campeão mundial no maior palco do MMA.

(Foto: Cooper Neill/Getty Images)