Everton David Moyes
Futebol Premier League

Everton busca reação com David Moyes após reta final decepcionante; o que esperar da temporada?

O Everton parecia pronto para voltar a disputar competições europeias na temporada passada. Durante boa parte da Premier League, o time de David Moyes brigou na parte de cima da tabela, venceu adversários importantes e fez o torcedor sonhar com um retorno ao cenário continental. No entanto, bastaram algumas semanas para que o roteiro mudasse completamente.

Depois de uma vitória convincente por 3 a 0 sobre o Chelsea, em março, os Toffees ocupavam a oitava colocação e estavam a apenas três pontos da zona de classificação para a Liga dos Campeões. A expectativa era de um final de campeonato emocionante, mas o que veio depois foi uma queda brusca de rendimento.

O Everton não venceu nenhuma das últimas partidas da temporada, encerrou o campeonato novamente na 13ª colocação e agora inicia mais um ciclo sob o comando de David Moyes cercado por dúvidas. Afinal, o treinador conseguirá recolocar o clube no caminho do crescimento ou a equipe ainda precisa de mais tempo para voltar a competir com os melhores da Inglaterra?

Everton saiu da briga pela Europa para desempenho de rebaixado

Poucos imaginavam que a campanha mudaria tão rapidamente.

Após superar o Chelsea por 3 a 0, o Everton vivia seu melhor momento na temporada. Jack Grealish, contratado por empréstimo, havia se tornado o principal jogador da equipe, enquanto Kiernan Dewsbury-Hall se consolidava como uma das referências do meio-campo.

No ataque, Thierno Barry e Beto finalmente começaram a transformar boas atuações em gols. Tudo parecia caminhar para uma classificação europeia. Mas a partir do empate por 2 a 2 com o Brentford, em abril, o desempenho despencou.

Nas sete rodadas finais da Premier League, o Everton não conquistou nenhuma vitória e apresentou números que o colocaram entre as três piores equipes da competição nesse período. Apenas Burnley e Wolverhampton, ambos rebaixados, tiveram desempenho semelhante.

A sequência negativa custou qualquer possibilidade de disputar competições continentais e deixou um gosto amargo para um time que passou boa parte da temporada olhando para cima na tabela.

Mesma posição, mas um contexto completamente diferente

Curiosamente, David Moyes terminou as duas temporadas desde seu retorno ao Everton exatamente na mesma colocação: 13º lugar.

Os contextos, porém, não poderiam ser mais diferentes.

Quando voltou ao clube, em 2025, encontrou uma equipe apenas um ponto acima da zona de rebaixamento. A prioridade era evitar uma nova queda para a Championship.

A reação foi imediata. Sob seu comando, o Everton terminou aquela temporada 23 pontos acima do Z-3, encerrando um período marcado por punições, dificuldades financeiras e enorme instabilidade administrativa.

Na temporada seguinte, entretanto, o cenário mudou.

O clube investiu cerca de 97 milhões de libras em reforços, o maior gasto líquido de sua história em uma única janela de transferências, mas terminou novamente na 13ª colocação, somando apenas um ponto a mais que na campanha anterior.

Para parte da torcida, o resultado representou estagnação. Já para quem acompanha de perto o processo de reconstrução do clube, o entendimento é diferente.

O ex-meio-campista Leon Osman acredita que, apesar da frustração no fim da temporada, houve evolução.

Segundo ele, o Everton finalmente deixou de ser um clube preocupado exclusivamente em escapar do rebaixamento e passou a construir uma base mais sólida para o futuro.

David Moyes ainda busca o Everton ideal

David Moyes inicia a nova temporada vivendo uma situação curiosa. Ao mesmo tempo em que recebe elogios por devolver estabilidade ao clube, também precisa mostrar que consegue dar o próximo passo.

Seu contrato entra no último ano, e a expectativa da diretoria é ver o Everton brigando novamente pela metade superior da tabela.

O desafio, porém, continua enorme. Nos últimos cinco anos, os Toffees aparecem apenas na 15ª posição entre os clubes da Premier League em investimento líquido, muito atrás das equipes que hoje disputam vagas nas competições europeias.

Além disso, exemplos como Bournemouth e Brighton mostram que planejamento e recrutamento eficiente podem compensar investimentos menores.

Enquanto o Bournemouth terminou a última temporada na sexta colocação mesmo lucrando com vendas de jogadores, o Brighton também conseguiu ficar à frente do Everton apostando em um modelo sustentável de mercado.

É justamente esse caminho que os Toffees tentam seguir agora.

Novo estádio ainda não trouxe vantagem

A mudança para o moderno Hill Dickinson Stadium simbolizava o início de uma nova era.

Na prática, porém, os resultados dentro de casa ficaram muito abaixo das expectativas.

O Everton registrou média de apenas 1,2 ponto por partida como mandante, pior desempenho de qualquer clube que estreou em um novo estádio na história da Premier League.

Curiosamente, a equipe apresentou rendimento muito superior atuando como visitante, figurando entre os sete melhores times da competição nesse quesito.

Para Leon Osman, parte dessa dificuldade pode ser explicada pelo período de adaptação ao novo ambiente e também pela perda de Jack Grealish.

Jack Grealish faz diferença enorme

Os números mostram a importância do camisa 10.

Enquanto Grealish esteve disponível, o Everton venceu 45% de suas partidas e conquistou média de 1,6 ponto por jogo. Após sua lesão por estresse no pé, esses números despencaram.

A taxa de vitórias caiu para apenas 22%, enquanto a média passou para um ponto por partida.

Segundo informações da BBC Radio Merseyside, o clube trabalha para renovar o empréstimo do meia junto ao Manchester City até o fim da atual janela.

Existe, porém, um obstáculo importante. O salário de aproximadamente 200 mil libras por semana continua sendo elevado para a realidade financeira do Everton.

Mesmo assim, internamente existe o entendimento de que sua permanência seria fundamental para elevar novamente o nível técnico da equipe.

Mercado também preocupa com possível saída de Ndiaye

Se a permanência de Grealish anima os torcedores, o futuro de Iliman Ndiaye gera preocupação.

O atacante aparece na mira de clubes da Arábia Saudita e pode receber propostas importantes nas próximas semanas.

Perdê-lo obrigaria o Everton a buscar novas alternativas ofensivas. Por outro lado, uma venda de alto valor poderia permitir que a diretoria reforçasse diferentes setores do elenco. Esse equilíbrio financeiro continuará sendo um dos grandes desafios da gestão dos Friedkin.

Juventude será colocada à prova

O Everton segue apostando em jovens talentos para construir seu futuro.

Hayden Hackney, Tyrique George e outros jogadores contratados recentemente representam essa estratégia de longo prazo.

O problema é que David Moyes ainda demonstra certa resistência em utilizá-los.

Na última Premier League, atletas com até 21 anos somaram pouco mais de mil minutos em campo, um dos menores números entre todos os clubes da competição.

Agora, com as saídas de veteranos como Seamus Coleman e Idrissa Gueye, além da ausência inicial de James Garner por lesão, o treinador pode não ter outra alternativa além de acelerar esse processo.

A temporada 2026/27 promete ser decisiva para o Everton. Depois de reconstruir a estabilidade do clube e afastar definitivamente o fantasma do rebaixamento, David Moyes precisa provar que sua equipe é capaz de voltar a competir por objetivos maiores. A reta final da última campanha deixou cicatrizes, mas também mostrou exatamente quais problemas precisam ser resolvidos para que os Toffees deixem de sonhar apenas com tranquilidade e passem a mirar novamente o futebol europeu.