Com 14 etapas completadas na temporada 2025 de F1, o campeonato já tomou forma, revelando seus protagonistas na disputa pelo título, as surpresas agradáveis e, inevitavelmente, as decepções.
Embora fatores como desempenho do carro, decisões estratégicas da equipe e até o acaso desempenhem papel relevante, certos pilotos têm entregado resultados abaixo do esperado, frustrando as expectativas de fãs, especialistas e, em alguns casos, das próprias equipes. Entre os nomes que decepcionaram até agora, três se destacam negativamente: Lewis Hamilton, Carlos Sainz e Yuki Tsunoda.
Lewis Hamilton: um ano de estreia na Ferrari sem brilho
A temporada 2025 da F1 marca um ponto decisivo na carreira de Lewis Hamilton. Após anos de glória na Mercedes, o heptacampeão mundial iniciou sua nova fase na Ferrari, equipe com a qual assinou um contrato histórico em 2024. A expectativa era alta. O casamento entre um dos maiores nomes da história da categoria e a escuderia mais icônica do grid prometia ser, no mínimo, competitivo.
No entanto, a realidade tem sido decepcionante. Hamilton ocupa apenas a sexta colocação na tabela de pilotos, com poucos desempenhos marcantes. O que chama atenção é a falta de impacto em comparação ao companheiro de equipe Charles Leclerc, que segue entregando resultados mais consistentes e tem uma diferença considerável de pontos no campeonato (151 a 109).
É preciso considerar que a adaptação a um novo carro e equipe pode levar tempo, mas Hamilton não é um novato. Esperava-se uma resposta mais contundente de um piloto de sua estatura. Erros em classificação, desempenho discreto em corrida e uma postura menos combativa do que o habitual levantam questionamentos sobre sua motivação e capacidade de encerrar sua carreira em alto nível. Tudo isso, gerou uma autocobrança que ele escancarou em entrevistas e uma dúvida sobre a própria capacidade.
Carlos Sainz: apagado na Williams, pressionado pelo companheiro

Depois de deixar a Ferrari ao fim de 2024, Carlos Sainz foi anunciado como piloto da Williams para 2025. A equipe britânica, que passa por uma fase de reestruturação e crescimento técnico, via no espanhol um nome forte para liderar o desenvolvimento e trazer resultados consistentes. Mas o que se viu até aqui foi um Sainz irreconhecível e um verdadeiro atropelo vindo de dentro da própria garagem.
Seu companheiro de equipe, Alexander Albon, soma 54 pontos e vem entregando atuações sólidas, pontuando com frequência e se envolvendo na briga entre as equipes intermediárias. Sainz, por outro lado, acumulou apenas 16 pontos até o momento, desempenho considerado bem abaixo da expectativa.
Não se trata apenas de resultados. Sainz tem demonstrado uma postura discreta, pouco combativa e, por vezes, errática em momentos decisivos. Em um ano em que poderia assumir um papel de liderança técnica e marcar território como um dos protagonistas da F1 fora das equipes de ponta, o espanhol se escondeu. Se continuar nesse ritmo, corre o risco de ver sua carreira entrar em um ciclo descendente difícil de reverter.
Yuki Tsunoda: chance de ouro desperdiçada na Red Bull
A grande virada na carreira de Yuki Tsunoda na F1 veio no início de 2025, quando a Red Bull surpreendeu o paddock ao promover o japonês à equipe principal, trocando sua vaga com Liam Lawson, que foi para a Racing Bulls. Muitos viram a movimentação como a chance definitiva do japonês provar que pertencia à elite da categoria.
Mas os números não mentem: 10 pontos em 14 corridas e a 18ª colocação no campeonato de pilotos. Para piorar, seu companheiro de equipe é Max Verstappen, atual tricampeão mundial e terceiro colocado na tabela com 187 pontos. A comparação é cruel, mas inevitável. Tsunoda não só não acompanha o ritmo de Verstappen, como também compromete com frequência o resultado da equipe com erros de pilotagem, incidentes evitáveis e desempenho fraco em ritmo de corrida, ficando atrás dos dois pilotos da Racing Bulls.
Tsunoda não parece estar em curva de aprendizado e a Red Bull, historicamente impaciente com desempenhos abaixo da média, já começa a ser pressionada por dentro e por fora a substituí-lo para o ano que vem. O sonho realizado no começo do ano se tronou um pesadelo para o japonês.

A F1 é implacável: Temos três histórias diferentes e a sensação de frustração em comum
Seja pela idade e pelo peso das expectativas (como no caso de Hamilton), pelo confronto direto com um companheiro de equipe mais eficiente (como Sainz), ou pela incapacidade de corresponder à chance mais importante da carreira (como Tsunoda), os três pilotos simbolizam o lado amargo da temporada 2025.
O esporte é implacável com quem não entrega e as provas que faltam no campeonato serão decisivas para o futuro de cada um deles.
(Imagem de capa: Getty Images)