Toto Wolff se descreveu como “muito feliz” com o bom início da Mercedes em 2026 e com a nova era de regulamentos da F1 no Shakedown de Barcelona, mas admitiu que a equipe “simplesmente não sabe” em que ponto se encontra neste momento.
A Mercedes foi uma das equipes mais consistentes durante o primeiro encontro de pré-temporada na semana passada, George Russell e Kimi Antonelli acumularam voltas a bordo do W17, demonstrando um otimismo cauteloso em relação ao seu programa.
Na segunda-feira, a Mercedes se reuniu para o lançamento oficial da equipe, e Wolff aproveitou o momento para analisar o Shakedown da perspectiva das Flechas de Prata, além de refletir sobre o que a concorrência tem feito.
“Estou muito feliz com o resultado, em termos da interação da unidade de potência, da distribuição de potência e do chassi”, comentou o chefe da Mercedes, Wolff, a um grupo de jornalistas.
“Dito isso, tivemos três dias sólidos, o que é algo para construirmos em cima, mas ainda não temos uma ideia clara do desempenho. Não vimos Max [Verstappen] pilotando o carro [da Red Bull] em alta velocidade, não vimos a McLaren e a Ferrari mostrando todo o seu potencial. Portanto, eu me absteria de dizer que foi ótimo para nós, simplesmente não sabemos.”, seguiu
Com a Mercedes tendo conquistado seu último título em 2021, quando garantiu o último de oito campeonatos consecutivos de equipes, Wolff foi questionado se qualquer resultado que não fosse a disputa pelo título em 2026 poderia ser considerado um fracasso.
“Fracasso é uma palavra muito dura, de certa forma”, respondeu ele. “Estamos sob essas regulamentações pelos próximos anos. Gostaria de ver isso de uma maneira que não seja apenas a otimização em um fim de semana ou em uma temporada, mas sim uma trajetória ascendente.”, continuou.
“Seja qual for o nosso começo… tenho certeza de que haverá desafios, nossos próprios desafios, o desempenho relativo em comparação com os outros. Vamos ver como as coisas se desenrolam, vamos ver se temos um carro com potencial para lutar pelo campeonato.”, contou.
Ele acrescentou: “Como você sabe, sempre sou cético em relação ao desempenho. Muitas vezes, minhas expectativas estão no lugar errado e não quero chegar à conclusão, no Bahrein ou em Melbourne, de que não somos o que pensávamos que seríamos, ou seja, vencedores de corridas.”
Embora o desempenho do W17 em relação aos seus rivais permaneça desconhecido, Wolff não tem dúvidas sobre o potencial de seus dois pilotos, Russell e Antonelli, que continuam como companheiros de equipe pela segunda temporada consecutiva.
Ao comentar sobre Russell ser o favorito nas apostas da pré-temporada, Wolff disse: “É sempre bom quando seu piloto é o favorito das casas de apostas, e acho que ele merece, porque é um dos melhores. Ele nos mostrou o potencial do carro e, no geral, tem sido mais do que ótimo para nós.”
“Mas, como sempre, o melhor piloto e o melhor carro vencem, e ainda não provamos que temos um conjunto suficientemente bom. Não enfrentamos o calor intenso do Bahrein com o asfalto abrasivo, o que sempre foi complicado para nós. Espero que as casas de apostas estejam certas, mas só acreditarei quando virmos performances que confirmem isso.”, analisou Wolff
“Quanto ao Kimi, ele está seguindo exatamente a trajetória que sempre traçamos desde o início. No ano passado, seu primeiro ano na F1, com todo esse circo que o cercava, as obrigações com a mídia, os pedidos dos patrocinadores e dos fãs, foi exatamente por isso que tivemos ótimas performances e algumas corridas em que ele teve mais dificuldades.”, explicou.
“Não há dúvidas sobre a velocidade e a habilidade dele em pista. Ele está entrando em sua segunda temporada, conhece todas as pistas, conhece todos vocês [a imprensa], conhece a maioria dos outros requisitos. Tenho certeza absoluta de que será um bom ano para ele.”, falou um esperançoso Toto Wolff.
Dito isso, não acho que devamos esperar que ele seja como o George o tempo todo. O George é um dos melhores, está na F1 há muito tempo, é uma referência, e o Kimi tem 19 anos e está entrando em sua segunda temporada. Vamos ver uma evolução, disso eu tenho certeza.”, completou o chefe da Mercedes.
Por que a Mercedes de Toto Wolff é favorita?

Após os primeiros testes pré-temporada de 2026 em Barcelona, a Mercedes chamou a atenção como uma das principais favoritas ao título mundial. Nos cinco dias de shakedown, a equipe liderada por Toto Wolff demonstrou não apenas confiabilidade, mas também grande produtividade e ritmo consistente com seu novo W17, algo que vinha sendo uma dúvida com as novas regras e unidades de potência introduzidas este ano.
A Mercedes foi a equipe que mais acumulou quilometragem, completando cerca de 500 voltas com os dois carros, acumulando mais de 2.300 km de dados e mostrando que seu pacote técnico está sólido desde o início do desenvolvimento. Essa marca de confiabilidade e consistência na pista é um ingrediente essencial quando se mira um campeonato, especialmente em um ano de regulamento tão transformador.
Outro ponto que coloca a Mercedes em posição de destaque é como os pilotos se adaptaram ao novo carro durante os testes. George Russell foi o piloto com mais voltas completadas entre todos os competidores no shakedown, o que não apenas reforça a confiabilidade do carro, mas também indica boa usabilidade do pacote em diferentes condições e programas de desenvolvimento.
Paralelamente, a equipe não enfrentou problemas significativos de confiabilidade em nenhuma das sessões, algo que muitos temiam com as mudanças drásticas nas regulações de chassis e motores. Essa ausência de entraves técnicos permite à Mercedes focar no refinamento de performance, algo que muitas equipes rivais ainda estão lutando para alcançar com a mesma consistência.
Além disso, embora os tempos de volta em testes não sejam indicativos absolutos de desempenho nas corridas, a Mercedes colocou sua marca no topo de alguns benchmarks e apresentou um ritmo competitivo em diferentes configurações. Com a Ferrari também mostrando força e outras equipes como Red Bull e McLaren ainda guardando informações, a prova de fogo em Barcelona foi mais sobre durabilidade e coleta de dados do que pura velocidade.
Ainda assim, a capacidade da Mercedes de rodar bem em longos stints, sem incidentes técnicos, é um sinal claro de preparo: em ambientes competitivos como a Fórmula 1, coleta contínua de dados e desenvolvimento sem contratempos nas primeiras sessões costuma se traduzir em vantagem estratégica nos primeiros GPs do ano.
Por fim, a combinação de um pacote técnico confiável, a grande quilometragem acumulada e a adaptação eficiente dos pilotos ao novo regulamento coloca a Mercedes como a grande favorita ao título antes mesmo da estreia oficial da temporada no Grande Prêmio da Austrália, no início de março. A equipe conseguiu aquilo que muitas rivais ainda buscam: minimizar riscos, aprender rápido com o novo carro e criar uma base sólida de trabalho antes dos testes mais públicos no Bahrein.
Claro, os desafios continuam e rivais como Red Bull, com sua própria solução de motor, a campeã McLaren, a esperançosa Ferrari, e equipes em ascensão não devem ser descartadas, mas o desempenho visto em Barcelona dá a Mercedes um status de referência técnica e de estabilidade para atacar o campeonato com confiança em 2026.
(Imagem de capa: Divulgação F1)