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Automobilismo Fórmula 1

F1 pode resgatar GP da Alemanha? O que está por trás das conversas para o retorno de Hockenheim

A Fórmula 1 pode estar mais perto de reencontrar um dos circuitos mais tradicionais de sua história. Stefano Domenicali, CEO da categoria, confirmou que já existem conversas com os responsáveis pelo circuito de Hockenheim para avaliar a possibilidade de um retorno ao calendário no futuro. A pista alemã não recebe uma corrida de F1 desde 2019, mas voltou a aparecer nos planos da categoria diante do crescimento do interesse pelo campeonato na Europa.

Hockenheim foi incorporado ao calendário da Fórmula 1 na década de 1970, depois que a categoria deixou de utilizar o perigoso Nürburgring. Ao longo de quase cinco décadas, o circuito se tornou um dos principais palcos do automobilismo europeu e acompanhou diferentes gerações de pilotos alemães, além de receber grandes momentos da história da categoria.

A situação mudou em 2007, quando Hockenheim e Nürburgring passaram a dividir o GP da Alemanha em um sistema de rodízio. A alternância entre os dois circuitos, porém, não resolveu os problemas financeiros. Com a redução dos investimentos públicos, Hockenheim acabou deixando o calendário definitivamente após a edição de 2019.

Possível retorno do circuito de Hockenheim ganha força

A possibilidade de a Alemanha voltar a receber uma corrida ganhou força depois de Domenicali confirmar que Hockenheim já procurou a Fórmula 1 para discutir o assunto. Durante uma conversa sobre o crescimento do interesse comercial pela categoria em mercados europeus, o dirigente afirmou que a F1 voltou a estabelecer contato com os responsáveis pelo circuito alemão. “Estamos retomando o contato com o pessoal de Hockenheim para ver se, no futuro, a médio prazo, e não no curto prazo, eles poderão ter uma corrida novamente”, afirmou Domenicali.

O comentário é significativo porque mostra que a possibilidade não está apenas no campo da especulação. Segundo o dirigente, o próprio circuito iniciou as conversas com a Fórmula 1 e já houve uma primeira reunião entre as partes. Domenicali, no entanto, deixou claro que um eventual retorno não aconteceria imediatamente. Além da falta de espaço no calendário, existe uma questão financeira importante a ser resolvida.

Investimento privado pode mudar o cenário

Hockenheim passou por mudanças significativas desde sua última participação no campeonato. Em 2024, o grupo Emodrom assumiu 74,99% das ações da Hockenheimring GmbH, enquanto a cidade de Hockenheim e o Badischer Motorsport-Club ficaram com os 25,01% restantes.

A nova estrutura também prevê investimentos de aproximadamente € 250 milhões até 2034, em uma tentativa de modernizar e ampliar as atividades do complexo. Esse dinheiro pode ajudar a colocar Hockenheim novamente no radar da categoria, mas existe um obstáculo: historicamente, a Fórmula 1 tem preferência por eventos apoiados financeiramente por governos e autoridades públicas. O modelo atual de Hockenheim é majoritariamente privado.

Para Domenicali, isso significa que um eventual GP da Alemanha exigiria um nível de investimento diferente daquele necessário para outros eventos de automobilismo realizados no circuito. A questão financeira também é apontada por Jörn Teske, diretor-gerente de Hockenheim. Para ele, o interesse da Fórmula 1 pela Alemanha é real, mas o modelo de negócio atualmente utilizado pela categoria torna uma corrida no país difícil de viabilizar.

Alemanha voltou a chamar a atenção da Fórmula 1

O possível retorno de Hockenheim também está relacionado ao crescimento da F1 no mercado alemão. A categoria perdeu seu GP no país depois de 2019, mas continua contando com uma audiência relevante e uma forte tradição no automobilismo. Domenicali destacou que a situação dos direitos de transmissão também mudou. O acordo com a RTL contribuiu para aumentar o interesse comercial, enquanto uma nova concorrência pelos direitos televisivos na Alemanha deverá contar com mais de uma empresa interessada.

Para o dirigente, esse movimento é um sinal de que a Fórmula 1 está novamente ganhando força no mercado europeu. “Na Europa, esse é um mercado muito importante para nós. A atenção está ficando cada vez maior”, afirmou. A situação alemã acompanha uma tendência mais ampla da categoria. A F1 também voltou a olhar para mercados europeus tradicionais que perderam espaço nos últimos anos, enquanto circuitos históricos continuam sendo vistos pelos fãs como candidatos naturais a um retorno.

Calendário apertado dificulta volta imediata

Mesmo que Hockenheim consiga cumprir todas as exigências financeiras e de infraestrutura, existe outro problema: não há muito espaço no calendário da Fórmula 1. Com o campeonato cada vez mais próximo do limite de corridas permitido pela categoria, a entrada de um novo GP provavelmente significaria a saída ou a alternância com outro evento.

O próprio modelo de rodízio já voltou a ser utilizado pela F1 na Europa. A partir de 2027, por exemplo, Barcelona e Spa-Francorchamps passarão a compartilhar uma vaga no calendário em anos alternados. Hockenheim poderia seguir um caminho semelhante. Em vez de receber uma corrida todos os anos, o circuito poderia dividir espaço com outro palco europeu, permitindo que a Alemanha retornasse sem aumentar ainda mais o número total de etapas.

Essa possibilidade também poderia facilitar a negociação financeira, já que a Fórmula 1 teria uma maneira de recuperar uma praça tradicional sem necessariamente abrir mão de outros mercados.

Hockenheim pode finalmente voltar ao grid?

A resposta ainda está longe de ser definitiva, mas o cenário atual é mais promissor do que nos últimos anos. O circuito voltou a investir em sua estrutura, conta com uma nova composição acionária e já iniciou conversas diretamente com a Fórmula 1. Para Domenicali, entretanto, um retorno só será possível se houver um projeto financeiro compatível com as exigências da categoria. O investimento necessário para receber um GP é muito superior ao de uma corrida convencional, e esse é justamente um dos principais pontos que ainda precisam ser resolvidos.

Teske também acredita que o modelo financeiro precisa mudar para que a Alemanha volte a receber a F1. Segundo ele, outros países conseguem viabilizar as altas taxas cobradas pela categoria por meio de financiamentos ou subsídios externos, algo que não ocorre atualmente na Alemanha.

Ainda assim, a simples confirmação de que Hockenheim já conversou com a Fórmula 1 representa um avanço. O circuito que marcou gerações de fãs alemães e recebeu nomes como Michael Schumacher e Sebastian Vettel pode estar novamente entrando no radar da categoria.

Se o retorno acontecer, porém, provavelmente não será imediato. A própria F1 fala em uma possibilidade de médio prazo, e o calendário apertado torna um acordo de rodízio uma das alternativas mais prováveis. Por enquanto, Hockenheim permanece fora do calendário. Mas, depois de anos de incerteza, uma coisa mudou: a Fórmula 1 e o circuito alemão voltaram a conversar, e isso pode ser o primeiro passo para o retorno do GP da Alemanha.

Foto: (Reprodução/ MotorSport Images)