A goleada sofrida no Metropolitano foi mais do que um tropeço isolado para o Barcelona. O 4 a 0 aplicado pelo Atlético de Madrid marcou a pior derrota da era Hansi Flick e escancarou um dado que já vinha chamando atenção ao longo da temporada: sem Raphinha, o Barcelona perde — e perde feio.
O brasileiro não esteve disponível na partida em Madri, e a ausência pesou mais uma vez. Superada a metade da temporada, já não parece coincidência que todas as derrotas do time tenham ocorrido sem sua participação efetiva.
Um padrão que não pode ser ignorado
Os números são claros. Em todas as derrotas do Barcelona na temporada, Raphinha esteve ausente — com uma única ressalva. No revés diante do Chelsea, ele até entrou em campo, mas apenas por 28 minutos, saindo do banco quando o placar já apontava 2 a 0 contra e o time jogava com um homem a menos após expulsão de Ronald Araújo.
Nos demais jogos perdidos — contra Atlético, Real Sociedad, Paris Saint-Germain, Real Madrid e Sevilla FC — o atacante brasileiro não participou.
A repetição desse padrão reforça a percepção de que sua influência vai muito além das estatísticas básicas.
Mais do que números: liderança e intensidade
Raphinha contribui com gols, assistências e criação de oportunidades, mas seu impacto não se resume a isso. Ele oferece intensidade, pressão constante e compromisso defensivo — características essenciais no modelo de jogo implementado por Flick.
Além disso, exerce liderança emocional. Mesmo sem portar a braçadeira de capitão, atua como referência dentro de campo. Cobra, incentiva e contagia os companheiros com postura competitiva. Em jogos grandes, sua agressividade positiva costuma elevar o nível coletivo.
Sem ele, o Barcelona perde profundidade pela direita, perde pressão alta coordenada e, sobretudo, perde personalidade. Contra o Atlético, a equipe mostrou dificuldades para reagir após sofrer o primeiro gol — algo incomum quando o brasileiro está em campo.
Dependência de Raphinha preocupante?
Toda equipe de elite possui jogadores determinantes. No entanto, quando a ausência de um único atleta coincide com 100% das derrotas da temporada, o alerta se acende.
A dependência não significa que o elenco seja frágil, mas indica que o sistema ainda não encontrou alternativa capaz de replicar as funções específicas que Raphinha desempenha. Sua combinação de intensidade física, disciplina tática e contribuição ofensiva é difícil de substituir com uma única peça.
Flick terá de refletir sobre isso. Se o projeto do treinador alemão pretende ser sustentável, precisa oferecer soluções mesmo quando peças-chave não estiverem disponíveis.
O retorno que pode mudar o cenário
A boa notícia para o torcedor culé é que o brasileiro já iniciou o processo de reintegração. Ele treinou parcialmente com o grupo e pode estar disponível para o duelo contra o Girona FC em Montilivi.
Seu retorno não é apenas reforço técnico — é também impulso anímico. O Barcelona precisa recuperar confiança após o duro golpe sofrido em Madri, e a presença de um jogador com seu perfil competitivo pode ser determinante.
A derrota por 4 a 0 no Metropolitano não foi apenas a pior da era Flick; foi a confirmação de uma tendência preocupante. Sem Raphinha, o Barcelona perde intensidade, liderança e capacidade de resposta.
Os dados não mentem: todas as quedas da temporada ocorreram sem ele em campo de forma efetiva. Em um calendário exigente e decisivo, contar com o brasileiro em plena forma pode significar a diferença entre disputar títulos e acumular frustrações.
Para o Barça, a equação parece simples: com Raphinha, há equilíbrio e competitividade. Sem ele, o risco aumenta — e os resultados comprovam isso.