Depois de anos esperando um novo representante na Fórmula 1, o Brasil pode ter logo dois. O país, que antes era órfão de um piloto titular na principal categoria do automobilismo mundial. tem Felipe Drugovich podendo ser o segundo a ocupar um assento, junto de Gabriel Bortoleto, que faz parte da Kick Sauber.
O momento de Drugovich é de expectativa e preparação. O brasileiro, que desde 2023 atua como piloto de testes e reserva da Aston Martin, ganhou força nos bastidores da Fórmula 1 depois de se destacar em sessões privadas, impressionando inclusive Fernando Alonso e o próprio paddock com seus tempos sólidos e consistência técnica. Agora, com a Alpine vivendo uma crise de desempenho com seus jovens pilotos, o nome de Drugovich foi colocado com força na mesa da escuderia francesa como potencial substituto para a vaga de titular.
Alpine em busca de soluções
O time francês iniciou o ano de 2025 com Jack Doohan como titular ao lado de Pierre Gasly, mas o australiano decepcionou. Com desempenho fraco, erros em pista e incapacidade de marcar pontos de forma consistente, Doohan foi sacado da posição e substituído por Franco Colapinto, jovem argentino que integra o programa da Alpine. A troca, no entanto, não surtiu o efeito desejado: Colapinto também não conseguiu mostrar serviço e a cada corrida o clima de impaciência cresce dentro da equipe.
Com uma vaga instável e uma equipe que precisa desesperadamente de resultados, Drugovich aparece como uma alternativa segura e madura. Aos 25 anos, o paranaense já não é mais uma promessa juvenil, mas um piloto pronto, com bagagem de campeão da Fórmula 2 em 2022 e experiências valiosas nos testes com a Aston Martin.
Um currículo que justifica a aposta
Felipe Drugovich construiu sua trajetória no automobilismo com perseverança e qualidade. Diferente de alguns talentos que chegaram à Fórmula 1 ainda na adolescência, ele fez o caminho mais longo: kart, Fórmula 4, categorias intermediárias e, finalmente, a Fórmula 2, onde brilhou em 2022 conquistando o título de forma dominante pela MP Motorsport. O título na F2 deveria ser um passaporte direto para a F1, mas a falta de vagas e patrocínio robusto atrasaram seu salto.
Mesmo assim, Drugovich soube jogar o jogo político da categoria. Assinou com a Aston Martin como piloto reserva, foi responsável por vários treinos de desenvolvimento e sempre se manteve visível no paddock. Em sessões privadas, registrou tempos próximos ou até superiores aos de Lance Stroll, algo que não passou despercebido para os chefes de equipe.
Mais recentemente, Liam Lawson — piloto ligado à Red Bull — chegou a afirmar publicamente que Drugovich foi mais rápido que Fernando Alonso em algumas sessões de testes, aumentando ainda mais o prestígio do brasileiro.
Drugovich e a concorrência para chegar à Alpine
O que torna Drugovich um candidato ideal para a Alpine vai além dos resultados. Ele tem um perfil técnico e cerebral, adaptável a diferentes carros e condições. Seu conhecimento de acerto de carro, adquirido ao longo das sessões com Aston Martin, pode ser crucial para uma Alpine que precisa urgentemente de um piloto capaz de contribuir no desenvolvimento do monoposto, além de entregar resultados em corrida.
Além disso, sua postura fora das pistas agrada: é discreto, profissional e focado. Um perfil que combina com o momento da Alpine, que tenta reerguer sua imagem após temporadas abaixo das expectativas.
Claro que Drugovich não está sozinho nessa disputa. Valtteri Bottas, experiente ex-piloto da Mercedes, surge como uma opção de segurança para a Alpine, oferecendo rodagem, confiabilidade e experiência. Outro nome no radar é o do estoniano Paul Aron, jovem piloto de testes da própria Alpine. A escuderia ainda não decidiu se vai investir em experiência ou dar mais uma chance à juventude.
Ainda assim, Drugovich parece o meio-termo ideal: não tão jovem quanto Aron, mas também longe da curva descendente de Bottas. E, acima de tudo, com fome de provar que merece um lugar definitivo no grid.
A janela chamada Spa-Francorchamps
A decisão da Alpine deve ocorrer nas próximas semanas, com um foco especial no GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, onde um novo nome deve assumir o carro 2 da equipe. Caso Drugovich seja o escolhido, será sua primeira grande chance de competir oficialmente em um Grande Prêmio de Fórmula 1, não apenas em treinos ou sessões privadas.
O brasileiro já declarou em entrevistas recentes que não desistiu do sonho de correr na Fórmula 1 e que está pronto para assumir qualquer desafio. Uma estreia em Spa seria simbólica: uma das pistas mais desafiadoras e tradicionais do mundo, local ideal para um piloto mostrar que tem o que é necessário para permanecer na elite.
Com talento comprovado, experiência de bastidores e o momento político favorável, o brasileiro está mais perto do que nunca de realizar o sonho. Agora, tudo depende de uma escolha da Alpine — e, claro, de um desempenho à altura assim que surgir a oportunidade.
(Foto: Getty Images)


