Felipe Drugovich Mônaco
Automobilismo Fórmula 2

Há dois anos, Felipe Drugovich dominava as ruas de Mônaco; relembre

Há dois anos, pudemos presenciar algo que por muitos anos esteve adormecido no coração dos fãs de automobilismo brasileiro. Experimentamos um sentimento nostálgico dos anos 80 e 90, quando era comum ver um brasileiro brilhando nas ruas estreitas de Monte Carlo. Felipe Drugovich nos proporcionou uma faísca de alegria ao nos permitir ouvir novamente, mesmo que de uma forma diferente, o hino brasileiro tocando no alto do pódio da corrida mais tradicional da maior categoria do planeta.

Neste especial, vamos relembrar como o paranaense dominou a prova de 2022, essencial para abrir uma vantagem confortável sobre Theo Pourchaire e que o levou a ser campeão naquele ano.

A pole de Drugovich e uma Sprint difícil

Para contextualizar, a situação do campeonato no momento era a seguinte: Drugovich liderava com 86 pontos, tendo vencido as etapas da Feature Race em Jeddah e na Espanha. Pourchaire estava 23 pontos atrás, com 63, também com duas vitórias na corrida principal, na abertura do campeonato no Bahrein e em Ímola. Mesmo estando apenas na quinta etapa do campeonato, ambos já mostravam que disputariam o título ponto a ponto.

Na quinta-feira, durante a sessão de qualificação, Felipe demonstrou que aquele poderia ser um ótimo fim de semana. Cravou uma das voltas mais perfeitas do circuito, impressionando a todos pela precisão e agressividade ao atacar as zebras. No entanto, na última curva de sua última volta, acabou batendo ao perder o controle do carro. Mesmo assim, sua volta anterior de 1:21.348 foi a mais rápida do pelotão.

Na Sprint, porém, teve uma das corridas mais desastrosas de sua carreira. Logo após a largada, sofreu um toque que furou seu pneu, obrigando-o a ir aos boxes. A equipe sugeriu a troca para pneus de chuva, esperando uma mudança climática que não aconteceu, o que o deixou ainda mais distante do restante do grid. Precisou fazer mais um pit stop para retornar aos pneus secos.

Na volta seguinte ao segundo pit stop, a equipe MP Motorsport avisou por rádio que ele precisaria parar novamente, devido a uma confusão nos jogos de pneus, sendo forçado a terminar a corrida com os pneus de chuva. Além disso, recebeu duas punições de Stop & Go, uma por exceder o limite de velocidade no pitlane e outra por usar o composto de pneu errado. Após todas essas frustrações, a equipe pediu que ele retirasse o carro na volta 20.

O grande dia

No domingo, a história foi muito diferente. Largando da pole position, Drugovich conseguiu se defender de Pourchaire, que estava ao seu lado no grid. Felipe chegou a abrir uma vantagem de até quatro segundos sobre o piloto francês e teve um ótimo rendimento com o carro, até que uma bandeira amarela causada por Amaury Cordeel ativou o safety car, criando a janela perfeita de pit stop.

A parada de Felipe foi prejudicada por problemas no pneu dianteiro direito da MP, mas naquele dia os deuses do automobilismo estavam com ele, pois o pit stop da ART também teve problemas. Mesmo assim, Drugovich saiu do pitlane à frente de Pourchaire.

Dali em diante, assistimos a um embate digno de Mansell e Senna, com os pilotos duelando por mais de 20 voltas, mantendo uma distância de meio segundo. Mesmo nas zonas de DRS, Pourchaire não conseguia colocar o carro lado a lado, enquanto Drugovich se defendia com maestria, posicionando o carro de forma impecável nas retas e curvas.

Após 42 voltas,Drugovich, usando um capacete especial em homenagem a Ayrton Senna, viu a bandeirada e sentiu um alívio no coração. Após uma prova extremamente nervosa e um fim de semana que o levou ao extremo, terminou de forma feliz, com o hino brasileiro no topo do pódio. Isso deu um gás para o restante da temporada, criando uma vantagem de 32 pontos, isolando-se na liderança e mostrando que o automobilismo brasileiro continua presente na história mundial.

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