fórmula 1
Automobilismo Fórmula 1

Fórmula 1: por que o GP da Malásia pode retornar nesta temporada?

A Fórmula 1 avalia a possibilidade de voltar a correr na Malásia pela primeira vez desde 2017. O país aparece entre as alternativas consideradas pela categoria para reorganizar a segunda metade do calendário de 2026, depois que os Grandes Prêmios do Bahrein e da Arábia Saudita foram cancelados em abril por causa do conflito no Oriente Médio.

A situação obrigou a Fórmula 1 a estudar diferentes cenários para preservar o maior número possível de corridas previstas para a temporada. A categoria trabalha atualmente com um calendário de 22 etapas, mas ainda tinha a expectativa de realizar uma prova no Bahrein em outubro, entre os compromissos já marcados no Azerbaijão, em 26 de setembro, e em Singapura, em 11 de outubro.

A escalada recente da tensão na região, após o fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, aumentou a preocupação nos bastidores da Fórmula 1. Com isso, os responsáveis pelo campeonato passaram a analisar alternativas fora do Oriente Médio para preencher possíveis lacunas no calendário.

Sepang surge como alternativa para substituir corrida

O Circuito Internacional de Sepang, localizado nos arredores de Kuala Lumpur, é uma das opções avaliadas. A pista deixou o calendário da Fórmula 1 em 2017, depois que os organizadores não conseguiram acompanhar as taxas exigidas para receber a categoria.

Apesar da ausência da Fórmula 1, o circuito continua ativo e recebe regularmente outras competições internacionais. Essa estrutura existente é um dos fatores que tornam Sepang uma alternativa viável em caso de necessidade. A localização geográfica também favorece a possibilidade. A proximidade entre a Malásia e Singapura permitiria organizar uma sequência de três corridas em um curto período, com etapas na Europa e na Ásia. O cenário estudado envolveria uma prova no Azerbaijão no fim de setembro, seguida pelo Grande Prêmio da Malásia e, uma semana depois, pela corrida de Singapura.

A sequência planejada ficaria assim: 26 de setembro: Grande Prêmio do Azerbaijão; 4 de outubro: Grande Prêmio da Malásia; 11 de outubro: Grande Prêmio de Singapura. As conversas ainda estão em andamento, mas qualquer alteração no calendário precisaria ser definida rapidamente. A organização de uma mudança dessa dimensão exige planejamento logístico envolvendo equipes, transporte de equipamentos, hospedagem e operação dos circuitos.

Turquia também aparece entre as opções

Outra alternativa considerada é o Istanbul Park, na Turquia. O circuito já tem retorno previsto ao calendário da Fórmula 1 em 2027, mas poderia ser analisado como uma solução emergencial caso a categoria precise fazer alterações adicionais na programação de 2026.

A busca por alternativas não está limitada apenas às corridas do segundo semestre. A Fórmula 1 também acompanha com atenção a situação no Oriente Médio por causa do encerramento previsto da temporada. O calendário atual prevê o Grande Prêmio do Catar em 29 de novembro e a etapa de Abu Dhabi em 6 de dezembro.

A possibilidade de mudanças nessa parte final do campeonato também está sendo considerada, embora a categoria deva adiar ao máximo qualquer decisão. Um dos cenários avaliados envolve a realização de uma corrida em Portugal depois do Grande Prêmio de Las Vegas, marcado para 21 de novembro.

Portugal pode ser opção para o fim da temporada

O Circuito Internacional do Algarve, em Portimão, está programado para retornar ao calendário no próximo ano por meio de um acordo de dois anos. A pista recebeu pela última vez uma corrida de Fórmula 1 em 2021, durante o período afetado pela pandemia de Covid-19.

A possibilidade de antecipar a utilização do circuito também aparece como uma alternativa caso seja necessário reorganizar as últimas etapas do campeonato. Outros circuitos europeus igualmente se colocaram à disposição para ajudar a Fórmula 1 diante de eventuais mudanças.

O principal obstáculo para uma solução europeia no fim de novembro, porém, pode ser o clima. As temperaturas mais baixas no final do outono europeu podem dificultar a realização de uma corrida nesse período, especialmente quando comparadas às condições normalmente encontradas em outras regiões do calendário.

Altas taxas de hospedagem influenciam decisão

Apesar das incertezas, os dirigentes da Fórmula 1 não devem tomar uma decisão definitiva sobre as últimas corridas da temporada de forma precipitada. As taxas pagas pelos países e circuitos para receber as etapas têm um peso significativo no planejamento.

Abu Dhabi, por exemplo, paga anualmente uma quantia estimada em £31,5 milhões, equivalente a cerca de US$ 42 milhões, para sediar a última corrida da temporada. O valor ajuda a explicar por que a Fórmula 1 deve tentar preservar ao máximo a programação original antes de considerar uma mudança no encerramento do campeonato.

Enquanto avalia os possíveis ajustes, a categoria também se prepara para estrear um novo destino em 2026. Em setembro, Madri receberá pela primeira vez uma corrida em um circuito de rua, marcando a chegada de uma nova configuração para o Grande Prêmio da Espanha.

Antes da pausa de verão, a Fórmula 1 ainda disputa o Grande Prêmio da Hungria. A partir daí, as atenções se voltarão para a segunda metade da temporada e para as decisões que precisarão ser tomadas diante das incertezas envolvendo o calendário internacional.

Com Sepang, Istanbul Park e Portimão entre as alternativas possíveis, a Fórmula 1 mantém abertas diferentes opções para garantir a realização das corridas previstas. A Malásia, no entanto, aparece como uma das soluções mais práticas devido à proximidade com Singapura e à possibilidade de encaixar o circuito em uma sequência de etapas já concentrada na região.

Foto: (Motor Sport Magazine)