Felipe Nasr
Automobilismo Fórmula 1

Felipe Nasr: de fracasso na Fórmula 1 a lenda no Endurance

Felipe Nasr, brasileiro de 32 anos, nascido em Brasília, foi mais um jovem piloto que sonhava em chegar à Fórmula 1. E não me entenda mal: na “escalada da Fórmula”, ele mandou muito bem. Porém, mal sabia ele que seu brilho viria de outro lugar.

Felipe começou no kart em terras brasileiras, onde foi pentacampeão brasiliense e vice-campeão brasileiro. Com esses resultados, em 2008, partiu para competir na Fórmula 3 e na Fórmula BMW na América do Sul.

Em 2009, Felipe seguiu para a Europa com um contrato recém-assinado com a Red Bull. O brasileiro chegou à Fórmula BMW Europeia para disputar o campeonato na mesma equipe do espanhol Daniel Juncadella, que, na época, era o grande favorito ao título. No entanto, desde a pré-temporada, Felipe se mostrou superior a seu companheiro e ao restante do grid. Com um ano impecável, somando 5 vitórias e 14 pódios, ele conquistou o título da categoria.

Com esse título, em 2010, Felipe chegou à Fórmula 3 Britânica. Apesar de um ano discreto, chamou atenção e, em 2011, fez uma transferência para a Carlin, uma das principais equipes da categoria. Enfrentando adversários como Valtteri Bottas, António Félix da Costa, Pipo Derani e Kevin Magnussen, Felipe somou 7 vitórias e 16 pódios em 24 provas, garantindo o título com duas corridas de antecedência.

Após esse desempenho dominante em 2011, Felipe foi promovido à GP2 (atual Fórmula 2). Em 2011, assinou com a DAMS e teve uma temporada discreta, terminando em décimo lugar, mas o suficiente para ser o melhor estreante. Nos anos seguintes, 2012 e 2013, Felipe voltou à Carlin, onde teve maior sucesso, terminando em quarto lugar em 2012 e como vice-campeão em 2013.

As expectativas em torno de Felipe Nasr eram enormes. Ele havia feito uma carreira brilhante nas categorias de base e, em 2014, a tão sonhada promoção à Fórmula 1 finalmente chegou — em parte.

Fracasso de Nasr na Fórmula 1

Nasrestreou na Fórmula 1 em 2014 como piloto reserva da Williams, que tinha Felipe Massa e Valtteri Bottas como titulares (o mesmo Bottas que Felipe superou com folga quatro anos antes). Após um ano como reserva, em novembro de 2015, ele foi anunciado como piloto titular da Sauber.

A chegada de Nasr à Sauber empolgou os brasileiros e o próprio piloto. Contudo, a Sauber não era uma equipe competitiva no topo da tabela. Apesar de muito esforço, Felipe não conseguiu mudar esse panorama.

Foram dois anos, 39 corridas e 29 pontos somados, com vitórias sobre seu companheiro Marcus Ericsson em ambas as temporadas e bons momentos em pista. Seu principal destaque foi na estreia, com um impressionante 5º lugar no GP da Austrália, segurando a pressão de Daniel Ricciardo por quase toda a corrida.

Nasr deixou a Fórmula 1 em 2016. Em 2017, sem equipe, optou por um ano sabático. Diferente de Mika Hakkinen, que nunca retornou, Felipe voltou às pistas em 2018, desta vez no IMSA, o campeonato de Endurance dos Estados Unidos.

A ascensão como uma estrela do Endurance

Em 2018, Felipe foi anunciado pela Whelen Cadillac, e finalmente pôde mostrar todo o seu potencial. Logo em sua temporada de estreia, conquistou uma vitória e cinco pódios, garantindo o título da categoria. Esse sucesso se repetiu em 2021, com ainda mais brilho: além de quatro vitórias e oito pódios, dividiu o título com seu grande amigo e compatriota Pipo Derani.

No final de 2021, uma ligação de Roger Penske mudou sua carreira. Nasr foi chamado para ser piloto do Porsche Penske n° 7, competindo tanto no IMSA quanto no WEC (Campeonato Mundial de Endurance). Após quatro anos de sucesso com a Cadillac, Felipe aceitou sem pensar duas vezes.

Em 2022 e 2023, Felipe e sua equipe enfrentaram altos e baixos, mas ele manteve consistência e velocidade. Em 2024, após ajustes no programa e dedicando-se exclusivamente ao protótipo, o vento mudou.

Em 2024, Felipe conquistou o tricampeonato do IMSA, venceu as 24 Horas de Daytona e consolidou-se como um dos maiores nomes do Endurance mundial.

Agora, em 2025, Felipe começa o ano com outra vitória nas 24 Horas de Daytona.O feito foi coroado com uma ultrapassagem sensacional nos últimos 25 minutos sobre o Porsche n° 6, demonstrando mais uma vez sua qualidade e grandeza no esporte.

Confirmado para a temporada completa do IMSA e cotado para disputar as 24 Horas de Le Mans, o brasileiro, antes considerado uma “lenda fracassada” por sua passagem na Fórmula 1, continua a escrever um legado brilhante no Endurance mundial.

Felipe Nasr prova que existe vida após a Fórmula 1 — e ela pode ser ainda mais grandiosa.