Fernando Alonso
Automobilismo Fórmula 1

Fernando Alonso e McLaren podem se reunir para tentar feito histórico

A insistência de Zak Brown em convencer Fernando Alonso a retornar à McLaren para disputar as 500 Milhas de Indianapolis após o fim de sua carreira na Fórmula 1 pode ser o fechamento de uma janela que parecia fechada após a saída do espanhol. No fundo, a ideia de Alonso novamente no Brickyard carrega tanto romantismo quanto pragmatismo, e expõe também as contradições de uma relação marcada por frustrações, mas nunca completamente rompida.

Fernando Alonso e McLaren têm uma das histórias mais turbulentas da Fórmula 1 contemporânea. Em 2007, o espanhol chegou a Woking como bicampeão mundial, no auge da carreira, para formar uma dupla histórica com um estreante chamado Lewis Hamilton. O que se seguiu foi um choque de egos, erros políticos internos e uma temporada que terminou sem título e com Alonso fora da equipe após apenas um ano. Foi um divórcio ruidoso, daqueles que parecem definitivos.

Anos depois, em 2015, Alonso voltou. O contexto era outro, mas o resultado esportivo foi igualmente frustrante. A McLaren apostava na reunião com a Honda, prometendo um projeto de longo prazo que jamais se concretizou. O carro era pouco competitivo, pouco confiável e simbolizou um dos períodos mais difíceis da carreira do espanhol. Alonso resistiu até 2018, quando decidiu deixar a Fórmula 1, cansado de lutar no meio do pelotão e sentindo que seu talento já não encontrava espaço à altura no grid.

Curiosamente, foi fora da F1 que a relação entre Alonso e McLaren ganhou seus momentos mais positivos. Na Fórmula Indy, especialmente na Indy 500, a parceria teve nuances que nunca apareceram nos autódromos europeus. Em 2017, Alonso estreou na prova mais famosa dos Estados Unidos com desempenho impressionante: largou em quinto, liderou voltas e só não brigou pela vitória por conta de uma falha mecânica. Aquela participação foi vista como um sopro de ar fresco, uma lembrança de que o espanhol ainda era capaz de brilhar em qualquer contexto competitivo.

As tentativas seguintes, no entanto, foram mais duras. Em 2019, Alonso sequer conseguiu se classificar para a corrida, um episódio constrangedor para alguém de seu calibre e também para a própria McLaren. Em 2020, completou a prova apenas na 21ª posição, uma volta atrás do líder. Resultados modestos, que poderiam ter encerrado de vez essa aventura americana. Mas, mesmo assim, Zak Brown segue insistindo.

Alonso busca a Tríplice Coroa do Automobilismo, e McLaren pode ser o caminho para isso

O motivo é claro: legado. Caso Alonso aceite o convite e vença a Indy 500, ele se tornaria apenas o segundo piloto da história a conquistar a Tríplice Coroa do automobilismo: Mônaco, Le Mans e Indy. Um feito reservado até hoje apenas a Graham Hill. Alonso já venceu em Mônaco e nas 24 Horas de Le Mans. Falta apenas o Brickyard. Para um piloto obcecado por desafios e história, essa é uma tentação difícil de ignorar.

Do ponto de vista da McLaren, também faz sentido. A equipe acredita ter hoje um carro capaz de vencer a Indy 500, e associar essa possível conquista ao nome de Fernando Alonso seria um ganho esportivo e de marketing imenso. Zak Brown deixa claro que sua insistência não é protocolar: ele realmente acredita que Alonso ainda tem nível para ganhar a prova. E mais do que isso, acredita que a parceria, desta vez, poderia terminar de forma diferente.

Ainda assim, há questões importantes a serem consideradas. Alonso está em seus últimos anos como piloto de Fórmula 1 e, embora siga competitivo, o peso físico e mental de disputar a Indy 500 não é desprezível. É uma prova única, extremamente específica, que exige adaptação, coragem e um certo grau de aceitação do risco. Além disso, o histórico recente mostra que nem sempre talento e boa estrutura são suficientes em Indianápolis.

Existe também o aspecto simbólico. Um retorno de Alonso à Indy 500 com a McLaren seria uma espécie de reconciliação definitiva, uma tentativa de reescrever uma história marcada por decepções. Mas também pode ser visto como a última chance de transformar frustração em glória. Se der certo, será épico. Se não, pode reforçar a sensação de que algumas histórias simplesmente não nasceram para ter final feliz.

Zak Brown sabe disso. Ainda assim, prefere insistir. Talvez porque o automobilismo viva de narrativas assim: grandes pilotos, grandes desafios e a eterna busca por algo que ficou faltando. Fernando Alonso nunca foi um homem de caminhos óbvios. Se ele voltará ou não à Indy 500, só o tempo dirá. Mas o fato de essa possibilidade ainda existir diz muito sobre quem ele é, e sobre como algumas rivalidades e parcerias nunca se encerram de verdade.

(Boglarka Bodnar/MTI via AP)