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Fernando Mendoza é ignorado pela NFL: ausência de jogos em horário nobre expõe desconfiança da liga com Raiders e franquias em reconstrução

A divulgação da tabela da NFL para a temporada 2026 trouxe uma situação curiosa envolvendo Fernando Mendoza. Escolha número 1 do Draft pelo Las Vegas Raiders, o quarterback entrará em sua temporada de estreia sem sequer um jogo em horário nobre marcado pela liga.

Em uma NFL que transforma quarterbacks novatos em protagonistas e aposta pesado na venda de novas estrelas, a ausência completa de Mendoza nas vitrines nacionais chama atenção. Mais do que isso: funciona como um recado claro da liga sobre como ela enxerga atualmente os Raiders e outras franquias em reconstrução.

Historicamente, a NFL costuma usar seus horários nobres para impulsionar narrativas. Quarterbacks jovens, franquias tradicionais, mercados fortes e times competitivos quase sempre recebem espaço privilegiado na programação nacional. Foi assim com Caleb Williams, Jayden Daniels, C.J. Stroud e tantos outros novatos recentes. O fato de Mendoza não receber o mesmo tratamento evidencia que a liga não acredita, ao menos neste momento, que os Raiders estejam prontos para se tornarem um produto atrativo, mas isso vai muito além do jogador.

A NFL pune reconstruções mal sucedidas

Embora a liga jamais admita publicamente, existe uma percepção crescente de que o calendário funciona também como mecanismo de pressão sobre franquias desorganizadas. Quando uma equipe desaparece do horário nobre, a mensagem implícita é clara: falta competitividade, estabilidade e interesse nacional suficiente para justificar a exposição.

Os Raiders chegam a esse cenário após uma temporada desastrosa. A expectativa criada em torno do técnico Pete Carroll, do coordenador Chip Kelly e da chegada de Geno Smith rapidamente desmoronou em meio a conflitos internos, desempenho ofensivo ruim e uma campanha de apenas 3-14.

A sensação deixada em Las Vegas foi de completo fracasso. Nem mesmo a presença de Maxx Crosby conseguiu impedir a percepção de que a franquia havia perdido rumo competitivo ao longo do campeonato. O fim da temporada piorou ainda mais a imagem da organização, especialmente com rumores de que jogadores importantes foram preservados enquanto o time já pensava na primeira escolha do Draft.

Nesse contexto, Mendoza acaba “pagando” pela falta de credibilidade acumulada pela franquia. A NFL claramente prefere esperar resultados concretos antes de devolver os Raiders aos grandes palcos nacionais.

A situação se torna ainda mais incomum quando comparada ao histórico recente da liga. Quarterbacks selecionados no topo do Draft normalmente recebem enorme exposição desde o primeiro dia. A NFL entende que jovens passadores movimentam audiência, redes sociais, venda de camisas e interesse comercial. Mendoza, porém, chega cercado por um ambiente que reduz completamente esse entusiasmo.

Mendoza, então, se torna apenas o terceiro quarterback nos últimos 20 anos a não jogar nenhum jogo de primetime sendo a primeira escolha geral do Draft.

O efeito da crise dos Raiders

Embora Mendoza seja visto como um quarterback talentoso e promissor, o problema é que ele chega a uma franquia cuja imagem foi fortemente desgastada. Os Raiders até receberam três jogos de horário nobre em 2025, muito por causa da expectativa envolvendo Pete Carroll, Chip Kelly e Ashton Jeanty, um dos running backs universitários mais empolgantes dos últimos anos. O resultado, porém, foi decepcionante em praticamente todos os aspectos.

A NFL parece ter interpretado a temporada passada como um erro de avaliação. Por isso, existe uma sensação clara de “punição” no calendário de 2026. A liga simplesmente não quis correr novamente o risco de colocar os Raiders em jogos isolados nacionalmente e assistir a um produto ruim em campo.

Para Mendoza, isso cria um início de carreira curioso. Ao mesmo tempo em que terá menos pressão imediata dos holofotes nacionais, também perde oportunidades importantes de construção de imagem e narrativa dentro da NFL.

Quarterbacks crescem muito em popularidade quando performam bem em jogos de grande audiência. Foi assim com Patrick Mahomes, Josh Allen, Joe Burrow e até Brock Purdy recentemente. Mendoza começará sua trajetória praticamente fora desse circuito midiático.

Outros times que a NFL não considerou para os horários nobres

O caso do Tennessee Titans ajuda a entender perfeitamente a lógica da liga. Cam Ward deixou bem claro durante a temporada passada ao mandar uma fala simbólica e correta: “We ass” (“Nós somos horríveis”). A declaração acabou resumindo como Tennessee foi enxergado nacionalmente em 2025.

A equipe terminou novamente com campanha 3-14 e sequer a chegada de Ward como primeira escolha do Draft anterior foi suficiente para convencer a NFL de que existia algo interessante ali. O resultado foi um segundo ano consecutivo sem prime time.

Existe quase um “efeito bola de neve” nesses casos. Times ruins recebem menos exposição, perdem relevância nacional, geram menos interesse comercial e acabam ainda mais afastados das principais janelas televisivas.

Os outros times ignorados ajudam a consolidar o padrão usado pela NFL na construção da tabela. O Miami Dolphins passou por uma desmontagem completa de elenco e comissão técnica. A saída de Tua Tagovailoa, Mike McDaniel e Chris Grier praticamente transformou a franquia em um projeto de longo prazo sem grande apelo imediato.

Já o New York Jets parece ainda sofrer consequências do enorme fracasso envolvendo Aaron Rodgers nos últimos anos. Mesmo localizado no principal mercado midiático do país, o time perdeu completamente a confiança da liga após campanhas ruins consecutivas.

O Arizona Cardinals, por sua vez, regrediu drasticamente após um pequeno avanço em 2024. A decisão de colocar Jacoby Brissett no lugar de Kyler Murray em grande parte da temporada simbolizou o caos esportivo da franquia. Em comum, todas essas equipes apresentam instabilidade, falta de perspectiva imediata e baixa confiança nacional.

A NFL quer relevância, não apenas talento

A ausência de Fernando Mendoza no prime time deixa uma mensagem importante sobre como a NFL constrói sua narrativa hoje em dia. O talento individual continua sendo relevante, mas sozinho já não basta. A liga prioriza franquias competitivas, ambientes estáveis e histórias capazes de gerar audiência massiva. Hoje, os Raiders não oferecem nenhuma dessas garantias.

Isso não significa que Mendoza esteja condenado ao fracasso. Pelo contrário. Muitos quarterbacks cresceram justamente longe da pressão inicial dos grandes holofotes. Mas a exclusão completa da programação nobre evidencia que a NFL prefere observar primeiro antes de apostar novamente em Las Vegas.

No fundo, o calendário de 2026 revela algo simples: a liga não está vendendo esperança. Está vendendo confiança. E, neste momento, os Raiders ainda não reconquistaram a dela.

(Foto: AP Photo/Candice Ward)