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Automobilismo Fórmula 1

Ferrari abandona ‘asa Macarena’ para GP da China após desenvolvimento apressado

Para o GP da China deste fim de semana, a Ferrari planejava usar pela primeira vez em uma sessão oficial a inovação radical que havia testado na pré-temporada: a asa traseira que gira 180°. Apelidada de ‘asa Macarena’, a solução foi abandonada pelo time de Maranello logo após o treino livre e já não estava nos carros de Lewis Hamilton e Charles Leclerc na classificação sprint.

A promessa era de que, graças à filosofia de aerodinâmica ativa completa implementada na Fórmula 1, a nova asa trouxesse ganho de desempenho tanto nas retas quanto nas frenagens, além de melhorar a eficiência na administração da bateria. Porém, o que não se sabia era que a Ferrari havia adiantado o programa de desenvolvimento da solução.

De volta à asa traseira original, Hamilton se qualificou em quarto e Leclerc em sexto no treino que definiu o grid para a corrida sprint deste sábado.

Hamilton admite que Ferrari apressou a implementação da nova asa

Foto: Reprodução

Após a classificação, o heptacampeão disse à Sky Sports F1 que o curso normal do desenvolvimento da asa Macarena previa que ela fosse usada apenas na quarta ou quinta etapa do campeonato. Nos testes de pré-temporada, a Ferrari utilizou o recurso por apenas cinco voltas antes de retornar à configuração padrão. Porém, a equipe antecipou a introdução e tentou usá-la já na segunda corrida.

Segundo o inglês, apenas duas unidades da nova asa traseira estavam disponíveis para este fim de semana e “talvez tenha sido um pouco prematuro [trazê-la para Xangai]”. Hamilton ainda disse que o conjunto segue forte mesmo após voltar à aerodinâmica original e que a Ferrari deve voltar a usar a solução ao longo da temporada.

Após a decepção de ter se classificado apenas em sétimo em Albert Park, o piloto do carro nº 44 celebrou o quarto lugar no grid da corrida sprint. O ponto forte do SF-26 em comparação com a rival Mercedes tende a estar nas curvas, além das fortes largadas que, em um regulamento que aponta para ultrapassagens mais difíceis, podem ser um fator determinante.

Na temporada anterior, mesmo em meio àquela que foi sua pior temporada na Fórmula 1, Hamilton conquistou seus melhores resultados do ano no GP da China. Pole da sprint na sexta, ele venceu a corrida curta, embora tenha sido desqualificado do Grande Prêmio no domingo.

Ferrari ainda perde em velocidade de reta

Apesar de Hamilton estar satisfeito com o resultado, ele aponta um fator decisivo que coloca a Mercedes em larga vantagem: a unidade de potência. A velocidade máxima que o W17 tem alcançado é cerca de 15 km/h superior à da Ferrari.

“Sabíamos que a Mercedes havia começado o processo de desenvolvimento antes de nós e de nossos rivais. Eles fizeram um trabalho fantástico, e precisamos mudar de ritmo e pressionar para diminuir essa diferença”, declarou Hamilton.

Além do programa de desenvolvimento da Ferrari, a mudança nas regras de checagem das taxas de compressão do motor a partir da sétima etapa do campeonato é um fator a se considerar, que pode aproximar as rivais das Flechas de Prata. No momento, a superioridade dos alemães é comparável ao início da era híbrida, quando a própria Mercedes conseguia facilmente bater os adversários por mais de meio segundo na classificação.

Xangai possui uma das maiores retas do calendário, que mede 1,2 quilômetro de comprimento. O trecho coloca a Mercedes em vantagem no setor três, onde a reta está localizada, mas as sequências de curvas nos setores um e dois, somadas a uma boa administração de energia, podem equilibrar o jogo.

(Foto principal: Reprodução / Motorsport Images)