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FIFA quer vender parte da Copa do Mundo? Entenda o plano de Infantino e o que pode mudar no futebol

A FIFA apresentou uma proposta que pode transformar completamente a forma como a Copa do Mundo é administrada e financiada nos próximos anos. O presidente da entidade, Gianni Infantino, pretende criar uma nova empresa para controlar os principais torneios organizados pela federação e vender uma participação minoritária desse negócio para investidores privados.

Segundo o projeto, o objetivo é arrecadar bilhões de dólares para aumentar os investimentos nas federações nacionais. No entanto, a proposta também desperta críticas por abrir espaço para investidores privados em um dos patrimônios mais importantes do futebol mundial.

A ideia ainda depende da aprovação das 211 associações filiadas à FIFA, mas já divide opiniões e pode marcar uma das maiores mudanças na história da entidade.

Qual é o plano da FIFA para a Copa do Mundo?

A proposta de Gianni Infantino prevê a criação de uma subsidiária chamada FIFA Forward Enterprise (FFE). Essa nova empresa seria responsável por concentrar toda a operação comercial e de eventos da FIFA.

Na prática, isso significa que competições como a Copa do Mundo masculina, a Copa do Mundo feminina e os novos formatos do Mundial de Clubes passariam a ser administrados comercialmente por essa empresa.

Embora continue sendo controlada pela FIFA, a FFE abriria espaço para investidores adquirirem uma participação minoritária no negócio. A própria entidade avaliou a empresa em cerca de US$ 20 bilhões.

Com isso, a FIFA pretende vender aproximadamente 21% dessa subsidiária para levantar cerca de US$ 4,2 bilhões, valor que seria redistribuído entre as federações filiadas para financiar projetos de desenvolvimento do futebol.

Infantino pode continuar no comando após deixar a presidência

Outro ponto que chama atenção é o papel reservado para Gianni Infantino.

De acordo com informações publicadas pelo jornal The Times, o dirigente poderá assumir o cargo de “comissário” da nova empresa quando deixar a presidência da FIFA, caso seja reeleito e cumpra mandato até 2031.

O veículo britânico afirma que o salário poderia seguir um modelo semelhante ao de Roger Goodell, comissário da NFL, que recebe cerca de US$ 64 milhões por ano.

A FIFA, porém, negou que o cargo específico de Infantino já tenha sido definido. Segundo a entidade, apenas está previsto que o presidente e a administração da FIFA continuem exercendo papel de liderança dentro da futura empresa.

Quem são os investidores interessados?

O principal grupo de investidores será liderado pela empresa Thrive Eternal, fundada por Joshua Kushner.

Joshua é irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o The Times, pessoas ligadas ao governo americano também participaram das discussões sobre o projeto.

Além da Thrive Eternal, a proposta conta com participação de:

  • JP Morgan;
  • OpenEconomics;
  • Greg Maffei, CEO da BANN Ventures e ex-presidente da Liberty Media.

A FIFA afirma que todos esses investidores terão apenas participação minoritária e sem poder de decisão sobre a administração da Copa do Mundo.

Pela divisão prevista atualmente, a estrutura ficaria assim:

  • FIFA: aproximadamente 59%;
  • Federações filiadas: cerca de 20%;
  • Investidores privados: 21%.

Por que a FIFA quer fazer isso?

Segundo Infantino, o objetivo é ampliar a capacidade financeira da entidade e distribuir mais recursos para o desenvolvimento do futebol em todo o planeta.

Hoje, cada associação nacional receberia cerca de US$ 8 milhões durante o ciclo entre 2027 e 2030.

Caso a proposta seja aprovada, esse valor subiria para US$ 20 milhões, além de um aporte imediato de outros US$ 20 milhões para projetos considerados especiais.

Nos ciclos seguintes, a previsão seria:

  • 2027 a 2030: US$ 20 milhões;
  • 2031 a 2034: US$ 22 milhões;
  • 2035 a 2038: US$ 24 milhões.

Para muitas federações menores, esse aumento representa mais do que o dobro dos recursos atualmente previstos.

Projeto gera preocupação sobre o futuro da Copa do Mundo

Apesar do discurso de democratização do futebol apresentado pela FIFA, o plano também desperta preocupação dentro da modalidade.

A principal crítica é que investidores privados naturalmente buscarão aumentar o retorno financeiro sobre o dinheiro aplicado. Isso pode influenciar diretamente decisões comerciais envolvendo a Copa do Mundo.

Entre os possíveis impactos discutidos estão:

  • aumento da frequência da Copa do Mundo;
  • expansão ainda maior do Mundial de Clubes;
  • realização de mais torneios em mercados considerados mais lucrativos;
  • ingressos cada vez mais caros;
  • maior exploração comercial das competições.

Outro receio é que países com maior potencial financeiro passem a concentrar ainda mais edições dos torneios organizados pela FIFA.

UEFA critica proposta e chama atenção para a governança do futebol

A proposta encontrou forte resistência da UEFA, que publicou um duro comunicado criticando a iniciativa.

A entidade europeia afirmou que “a alma e a governança do futebol não são ativos para serem comercializados” e questionou a falta de transparência sobre quem realmente será beneficiado financeiramente pela operação.

Mesmo assim, a UEFA não possui votos suficientes para barrar sozinha a proposta.

Para que o projeto seja aprovado, basta que a maioria das 211 associações filiadas vote favoravelmente. Como existem 156 federações fora da Europa, Infantino poderá conseguir os votos necessários caso convença boa parte dessas entidades, especialmente diante do aumento significativo dos recursos financeiros prometidos.

Se isso acontecer, a Copa do Mundo poderá iniciar uma nova era, marcada pela entrada de investidores privados em um dos ativos mais valiosos e tradicionais do futebol mundial.

Foto: Getty Images