Flamengo x PSG
Futebol Copa Intercontinental de Clubes

Flamengo tem decisão por pênaltis para esquecer e PSG conquista título da Copa Intercontinental

O Flamengo saiu de campo com a sensação de que poderia ter ido além. Diante do PSG, em um confronto marcado por erros, ajustes e momentos de domínio alternado, o Rubro-Negro mostrou força mental, mudou o jogo no segundo tempo e sustentou um empate que levou a decisão para a prorrogação. O duelo foi decidido nos pênatis, onde Matvey Safonov pegou quatro penalidades para levar os franceses ao título da Copa Intercontinental de Clubes.

Com isso, o PSG conquistou o seu primeiro título mundial, adicionando mais esse troféu ao maior ano da história do clube. O Flamengo, por sua vez, parou no meio do caminho novamente, assim como aconteceu em 2019, e aumentou a sequência negativa de sul-americanos contra europeus nos intercontinentais, que vai para 14 anos.

O jogo

O início da partida foi todo do PSG, e perigoso para o Flamengo. Logo aos três minutos, João Neves apareceu livre na área após jogada ensaiada e finalizou rente ao lado de fora da rede. Rossi apenas acompanhou com o olhar. Pouco depois, o goleiro argentino viveu outro momento de tensão. Tentou evitar a saída de bola em um lance confuso, mas viu Fabián Ruiz completar para o gol na sequência. Rossi, então, passou de protagonista involuntário a torcedor atento do VAR. A bola havia saído antes da conclusão, e o gol foi corretamente anulado.

O susto não acordou o Flamengo de imediato. A pressão alta do PSG seguia sufocando a saída de bola rubro-negra, forçando erros técnicos e decisões apressadas. O Flamengo, por sua vez, continuava tentando pressionar de forma descoordenada na área do PSG, deixando muitos espaços.

E foi justamente nesse detalhe que o PSG abriu o placar. Após uma saída boa, Mayulu, recém-entrado, recebeu pela direita e abriu para Doué cruzar. Rossi desviou levemente com a ponta dos dedos, mas o toque não afastou o perigo. Pelo contrário: deixou a bola viva na pequena área, na medida para Kvaratskhelia empurrar para o fundo da rede. Um erro pequeno, mas fatal.

O Flamengo ainda respondeu com coragem. Em jogada ensaiada de bola parada, Arrascaeta cobrou escanteio fechado, Léo Ortiz fez o bloqueio e Pulgar apareceu livre, vindo de trás, para cabecear com perigo. A bola passou perto, e o Rubro-Negro foi para o intervalo vivo, apesar da desvantagem.

O segundo tempo trouxe um Flamengo mais confiante e mais presente no campo ofensivo. A equipe passou a ter mais posse, mesmo com o PSG mantendo a marcação alta e intensa. No entanto, o que mudou o jogo foram as modificações táticas de Filié Luís, que parou de tentar pressionar alto e buscou os lançamentos longos. No entanto, a falta de jogadores do Flamengo na segunda bola era incômodo.

Mesmo assim, quando ganhou essa segunda bola, o Flamengo foi decisivo. Bruno Henrique brigou pela bola pelo lado esquerdo, manteve a jogada viva e encontrou Arrascaeta. O uruguaio cortou a marcação e acabou tocado por Marquinhos. O VAR entrou em ação, chamou o árbitro, e o pênalti foi marcado. Jorginho, com a calma de quem construiu carreira na marca da cal, bateu com categoria e empatou o jogo.

No momento do gol, Filipe Luís já havia mudado a estrutura da equipe. Pedro entrou em campo, e o Flamengo passou a atuar em um 4-4-2 mais claro. Bruno Henrique ficou aberto pela esquerda, Plata pelo lado direito, e a dinâmica ofensiva ganhou mais peso. Pouco depois, Everton Cebolinha substituiu Arrascaeta, e Bruno Henrique passou a fazer dupla com Pedro no ataque.

A mudança alterou o cenário. O Flamengo ficou mais imprevisível, passou a alternar ataques posicionais com transições rápidas e tirou do PSG o controle absoluto da partida. Os parisienses tentaram aumentar a pressão na reta final, mas deixaram espaços generosos.

Em um desses contra-ataques, Plata quase virou o jogo. Pedro finalizou, mas teve o chute bloqueado. Na sequência, Rossi lançou Plata em profundidade. O atacante cortou Pacho e bateu com perigo. O Flamengo crescia em confiança. Bruno Henrique também levou perigo ao se livrar da marcação e bater de canhota, assustando a defesa francesa.

O jogo quase terminou como começou: com erro na saída de Rossi. Dembélé cruzou na pequena área, e Marquinhos, livre, falhou de maneira inacreditável, desperdiçando a chance da vitória parisiense no tempo normal.

Na prorrogação, o cenário se inverteu. O PSG, com uma temporada mais pesada nas pernas, parecia sentir o desgaste. O Flamengo, mais leve, manteve a confiança construída no fim do segundo tempo e seguiu competitivo. O jogo ficou aberto, indefinido, com poucas chances claras, mas muita tensão.

Na reta final da prorrogação, porém, o desgaste cobrou seu preço. O Flamengo passou a errar mais na saída de bola. As decisões ficaram mais lentas, a perna mais pesada. Em um desses erros, Dembélé teve a chance de matar o jogo, mas finalizou por cima, mantendo o suspense até o último instante.

O apito final encerrou um confronto intenso, físico e emocionalmente desgastante, que expôs virtudes e limites de ambos os times.

Nos pênaltis, um nome brilhou: Matvey Safonov. O goleiro, que ganhou a posição do inconsistente Lucas Chevalier, pegou quatro dos cinco pênaltis do Flamengo e deu o título ao PSG. As cobranças, no entanto, foram mal batidas pelos jogadores do Fla, que pareceram sentir o momento.

Flamengo sofre com falta de frieza nos pênaltis; ajustes de FIlipe Luís são bons, mas substituições não

O Flamengo sai fortalecido pelo desempenho. Mesmo sofrendo no início, a equipe mostrou capacidade de adaptação, cresceu no segundo tempo e mudou completamente o panorama do jogo com as substituições de Filipe Luís. A entrada de Pedro deu referência, Bruno Henrique ganhou liberdade e Plata foi decisivo ao atacar os espaços.

O ponto fraco esteve na saída de bola. Os erros sob pressão do PSG foram recorrentes e custaram caro, especialmente no gol sofrido. Rossi alternou bons momentos com decisões arriscadas, sendo protagonista nos dois sentidos.

Mesmo assim, os ajustes de Filipe Luís foram necessários. A equipe conseguiu mudar o seu estilo de jogar e segurou um pouco o ímpeto de um PSG que dominou o primeiro tempo. O que faltou, no entanto, foram mais opções no banco para realmente mudar o jogo. O rubro-negro teve poucos jogadores disputando a segunda bola quando colocou a presença física de Pedro, e isso ajudou a puxar o Paris para mais perto do gol.

O nome do jogo, no entanto, é Safonov. O goleiro, questionado quando entrou no lugar de Chevalier, teve uma atuação de gala nos pênaltis, mesmo com as cobranças ruins do Flamengo. O PSG é claramente mais frágil e mais vencível nesta temporada, mas ainda é um dos melhores times do mundo, e o domínio durante boa parte do confronto mostrou isso.

No final, o Flamengo perde mais um Mundial por detalhes, mas a lição precisa ficar para que a equipe monte o elenco pensando nas diferentes formas de jogar, e não apenas pelos nomes que entram em campo.

(Foto: Karim Jafaar/AFP)