Flamengo e Grêmio empataram, por 1 a 1, na tarde deste domingo, pela 22ª rodada do Brasileirão 2025. No Maracanã, Arrascaeta marcou o 12° gol na competição, mas Tiago Volpi, de pênalti, deixou tudo igual. O Rubro-Negro segue líder do Brasileirão, enquanto o Tricolor Gaúcho se afasta da zona de rebaixamento e ganha moral com o torcedor. Veja como foi o duelo:
Depois da goleada histórica sobre o Vitória, o Flamengo entrou em campo com duas mudanças em relação ao time que iniciou a última partida. Ayrton Lucas assumiu a vaga de Alex Sandro, que saiu lesionado logo no começo do jogo anterior. Além disso, Nicolás De La Cruz voltou ao time titular, substituindo Jorginho, vetado devido a um incômodo na coxa para o confronto contra o Tricolor Gaúcho.
O Grêmio, por sua vez, vinha de um empate frustrante com o Ceará na Arena, mas sustentava uma sequência de dois jogos sem perder e buscava novo triunfo como visitante, assim como havia conseguido contra o Atlético-MG. O técnico Mano Menezes, porém, lidava com uma extensa lista de desfalques, que ganhou o acréscimo de Alysson, com entorse no tornozelo. Carlos Vinicius foi o escolhido para formar dupla de ataque com Braithwaite. Na defesa, Balbuena, também lesionado, abriu espaço para Noriega, recém-contratado, que fez sua estreia como titular. No meio-campo, Dodi retornou de suspensão e reassumiu sua posição.
Grêmio preciso nos combates e Flamengo com problemas na construção
Os minutos iniciais poderiam ser resumidos em uma palavra: combate. Como manda o manual de Filipe Luís, o Flamengo pressionou a saída de bola do Grêmio desde o primeiro momento. Esta característica flagrou, basicamente, que a performance irrepreensível do jogo contra o Vitória se repetiria, em primeira instância. Só que Mano Menezes traria uma surpresa positiva e executou um plano tático que bloqueou, por diversas vezes, o ataque rubro-negro.
O estreante Erick Noriega — substituto de Fabián Balbuena — mostrou-se uma peça interessante e que viria a disputar duramente titularidade. O paraguaio tem um prazo longo de recuperação e o Imortal, embora tenha recebido a má notícia da lesão do jogador, pôde desfrutar de uma tranquilidade em razão da boa atuação do debutante. A precisão nos combates e os avanços para interceptar os atletas do Flamengo foram cruciais para neutralizar a construção do adversário. Nesse sentido, aquele rubro-negro “arrebatador” não teve vida fácil e se viu obrigado a repensar a estratégia — mesmo que tenha demorado para tal.
O ‘Fla’ concentrou as investidas no corredor central, onde esbarrava sempre no atento Cuéllar (ex-Flamengo) e Noriega, seguro no primeiro tempo. Por isso, viu-se muito Nico De La Cruz e Arrascaeta sendo bastante acionados, mas sem a liberdade desejada. As ações ofensivas demoraram para serem diversificadas, no quesito criativo e acabaram revelando uma equipe mandante ineficaz, por boa parte do tempo.
Do outro lado, o Grêmio mantinha-se como dava, mas ainda tinha problemas nas articulações. Se a atuação defensiva merece o devido reconhecimento, no ataque a atuação não acompanhou. Isso porque, assim que roubava a bola, o Imortal errava muitos passes e a ligação com Braithwaite e Carlos Vinícius foi pouca. Por isso, não tinha muita combinação entre os meias Edenilson e Cristian Olivera e os avançados. Mas, engana-se aquele que acredita que isso é apenas demérito do Grêmio, quando, na realidade, o Flamengo que iniciava uma pressão assim que perdia a posse.
No final, Pedro desperdiçou duas excelentes chances. Na primeira, Volpi fez uma intervenção espetacular, já na segunda, a zaga tirou antes mesmo da bola cruzar a linha do gol. Foram poucas as oportunidades que dariam ao duelo um grau de competitividade maior, no entanto, a marcação foi louvável das duas equipes e o placar sem gols foi merecido.
Arrascaeta marca novamente e Volpi é preciso na cobrança de pênalti
Para que as redes fossem balançadas, não era para menos que as equipes fossem se expor mais. Grêmio teria o contra-ataque a seu dispor, caso mantivesse o DNA de defesa sólida do primeiro tempo — mas, isso não aconteceu. O Flamengo foi superior boa parte da segunda etapa e encurralou totalmente o Tricolor Gaúcho.
Gonzalo Plata teve uma mudança no posicionamento, abrindo um pouco o campo para as movimentações dos meio campistas Saúl e Arrascaeta. Foi alteração mágica de Filipe Luís, mas que seria a única na partida. Aos sete minutos, Arrascaeta recebeu com liberdade e tabelou com Pedro, que fez o pivô e devolveu no camisa 10. O uruguaio chutou colocado e sem chances para Volpi. 1 a 0 para o Mengão!
Luiz Araújo foi a campo com a missão de dar profundidade aos cariocas e assim fez com maestria. Com Samuel Lino de um lado e o camisa 7 do outro, o ‘Mengão’ espaçou o rival e deu uma nova configuração a formação. Com isso, Arrascaeta pôde flutuar com mais tranquilidade e ter mais opções de passe pelas beiradas, já que Plata, em muitas ocasiões, afunilava — já ‘L.A’ repaginou o ataque dos cariocas.
O Flamengo manteve o ‘sufoco’, mas não teria a mesma atitude agressiva na defesa — principalmente para conter os avanços de Pavón, que havia acabado de entrar. O argentino acendeu o Grêmio na partida e movimentou o ataque, até então improdutivo. Mano Menezes fez uma boa leitura e também promoveu a entrada de Aravena liberando as subidas de Marlon pelo corredor direito. A participação do lateral foi fundamental para o lance do pênalti.
Nos minutos finais, Marlon tentou bater pro meio da área e a bola resvala no braço de Ayrton Lucas. Pênalti bem assinalado pela arbitragem de Paulo César Zanovelli. Na cobrança, Tiago Volpi revisitou os tempos de batedor de pênaltis no Campeonato Mexicano e deslocou Agustín Rossi, que mal saiu na foto. Tudo igual no Maracanã, 1 a 1.
As tentativas do Flamengo não resultaram em nada e Filipe Luís deixou o campo com críticas nas escolhas pelas substituições — vide a entrada de Evertton Araújo na vaga de Nico De La Cruz. O marcador poderia ser decepcionante para o ‘Fla’, ainda mais diante de um público recorde. No entanto, para os líderes, a missão, por hora, será torcer para uma vitória do Corinthians no dérbi contra o Palmeiras, vice-líder. Placar final: Flamengo 1×1 Grêmio.
Próximos compromissos
O Brasileirão 2025 terá uma parada devido a realização dos últimos confrontos das Eliminatórias da Copa do Mundo. Depois da Data Fifa, o Flamengo, líder do Brasileirão com 47 pontos em 21 jogos, volta a campo pela 23ª rodada para enfrentar o Juventude, fora de casa, no sábado, 14 de setembro, às 16h (horário de Brasília). O duelo pode ser a chance do Rubro-Negro de “exorcizar o fantasma” do Alfredo Jaconi.
Já o Grêmio, aliviado após conquistar um ponto importante no Maracanã, segue lutando na parte inferior da tabela. O Tricolor Gaúcho agora terá pela frente o Mirassol, em Porto Alegre, também pela 23ª rodada — encaixe que promete ser decisivo para sua reação na competição.
Ficha técnica da partida
Flamengo 1×1 Grêmio
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Competição: 22ª rodada do Brasileirão 2025
Data: Domingo, 31 de agosto de 2025
Horário: 16h (horário de Brasília)
Público: 69.447 torcedores
Renda: R$ 4.995.950,00
Árbitro: Paulo César Zanovelli da Silva (MG)
Assistentes: Guilherme Dias Camilo (MG) e Celso Luiz da Silva (MG)
Quarto árbitro: Tarcísio Flores da Silva
VAR: Ilbert Estevam da Silva (SP)
Gols:
- Flamengo: Giorgian De Arrascaeta, 8’/2°T
- Grêmio: Tiago Volpi, 39’/2°T (p)
Cartões amarelos:
- Flamengo: Léo Ortiz, 44’/1°T
- Grêmio: Walter Kannemann, 37’/1°T; Dodi, 19’/2°T
Flamengo: Rossi; Varela (Emerson Royal, 45’/2°T), Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas; De La Cruz (Evertton Araújo, 32’/2°T) e Saúl; Plata (Luiz Araújo, 12’/2°T), Arrascaeta e Samuel Lino; Pedro (Bruno Henrique, 32’/2°T). Técnico: Filipe Luís.
Grêmio: Tiago Volpi; Marcos Rocha, Noriega, Kannemann e Marlon; Dodi (André Henrique, 33’/2°T), Cuéllar e Cristian Olivera (Aravena, 15’/2°T); Edenilson (Cristian Pavón, 20’/2°T); Braithwaite (Cristaldo, 15’/2°T) e Carlos Vinícius (Wagner Leonardo, 33’/2°T). Técnico: Mano Menezes.
Créditos pela foto de capa: Delmiro Junior/Photo Premium — Reprodução.