O Gre-Nal 453 terminou sem gols nesta quinta-feira (27), no Beira-Rio, pela ida das quartas de final da Copa do Brasil. O empate deixa a decisão completamente aberta para a próxima quinta-feira (3), na Arena do Grêmio, depois de uma partida que teve dois tempos bastante diferentes.
O Grêmio foi mais controlador na primeira etapa, mas não conseguiu transformar a posse em chances claras. Após o intervalo, o Inter cresceu, tomou conta das ações e terminou com 51% de posse e 15 finalizações, contra 49% e 11 do Tricolor. A diferença, porém, não apareceu no placar.
Grêmio controla o primeiro tempo, mas pouco ameaça
O clássico começou em alta velocidade, com os dois times tentando pressionar e acelerar as transições. O Grêmio ensaiou uma pressão desde os primeiros minutos e Krovinovic já apareceu para finalizar da entrada da área. O Inter respondeu tentando explorar a velocidade de Carbonero e Vitinho nas costas da defesa.
Aos poucos, a estratégia de Luís Castro ficou mais evidente. Noriega recuava entre Wallace e Kannemann, formando praticamente uma linha de três, enquanto os laterais ganhavam liberdade para acompanhar Carbonero e Bernabei pelos lados.
Sem a bola, o Grêmio se organizava em um 4-5-1 compacto, fechando o centro e dificultando a movimentação do ataque colorado. A estrutura funcionou para limitar o adversário, mas também deixou Carlos Vinícius bastante isolado quando o time recuperava a bola.
O centroavante era procurado frequentemente nas ligações diretas e brigava pela primeira bola, tentando fazer o pivô. O problema era a distância para os companheiros. Krovinovic foi quem mais procurou aproximar os setores e, depois que o ritmo inicial diminuiu, passou a aparecer mais para organizar a posse.
Do outro lado, o Inter sofreu com o confronto físico. Vitinho começou como referência central, mas perdeu boa parte das disputas com a defesa gremista. A mobilidade existia, porém faltava espaço para transformá-la em vantagem.
O Grêmio terminou o primeiro tempo com 58% de posse e sete finalizações, contra duas do Inter. A superioridade, entretanto, foi muito mais territorial do que ofensiva: nenhuma das tentativas gremistas acertou o gol.
O Colorado começou a encontrar uma alternativa perto do intervalo, quando passou a utilizar mais os corredores. Calebe chegou ao fundo e cruzou para Vitinho cabecear para fora. Pouco depois, Carbonero colocou outra bola na área e encontrou novamente o atacante, em lance posteriormente invalidado por impedimento.
O primeiro tempo ainda terminou marcado pelo excesso de tensão. Houve muitas reclamações, discussões e focos de confusão pelo gramado, inclusive com participação dos bancos. A partida ficou mais emocional do que técnica na reta final.
Pezzolano mexe e o Inter muda o jogo
No intervalo, Pezzolano trocou Calebe por Bruno Henrique e reorganizou o setor ofensivo. Paulinho passou a atuar mais aberto pela direita, Carbonero ganhou liberdade como segundo atacante e Bruno Henrique passou a sustentar o meio ao lado de Villagra.
A mudança surtiu efeito. Logo no primeiro minuto, Maripán errou na saída e o Grêmio recuperou a bola. Krovinovic recebeu na entrada da área e acertou um belo chute, obrigando Matheus Cunha a fazer grande defesa com a ponta dos dedos.
Foi, porém, uma das últimas boas ações ofensivas do Grêmio. O Inter passou a crescer e Vitinho começou a se movimentar constantemente para receber lançamentos nas costas da defesa, alternando os lados do campo. Aos 15 minutos, Bruno Gomes encontrou o atacante pela direita. Vitinho avançou e rolou para Carbonero, que chegou batendo. Wallace se jogou na bola e bloqueou a finalização.
A jogada simbolizou a mudança de comportamento do Colorado. Em vez de insistir no confronto físico, o Inter passou a atacar o espaço.
Aos 19 minutos, Pezzolano foi novamente ao banco. Alan Patrick e o estreante Sanabria entraram nos lugares de Carbonero e Paulinho. Sanabria assumiu a referência central, Vitinho foi para a direita e Alan Patrick passou a organizar o jogo por dentro.
O Inter ganhou novas possibilidades. Sanabria prendia os zagueiros e atacava a área, Vitinho mantinha a ameaça em profundidade e Alan Patrick dava qualidade à circulação da bola. Aos 23, Sanabria apareceu livre após cobrança de escanteio, mas, desequilibrado, mandou por cima.
Grêmio perde força e passa a apenas se defender
Enquanto o Inter encontrava soluções, o Grêmio perdeu completamente a capacidade de ameaçar. Carlos Vinícius saiu aos 11 minutos para a entrada de Braithwaite. A ideia era ganhar mobilidade, mas a mudança não resolveu o problema da saída. O Grêmio continuou recorrendo às bolas longas, agora procurando o dinamarquês, que encontrou ainda mais dificuldades para transformar os lançamentos em vantagem.
Sem conseguir sustentar a posse no ataque, o Tricolor foi recuando. O Inter, por sua vez, passou a ter paciência para tocar a bola. Alan Patrick tornou-se o principal ponto de organização, recebendo por dentro e escolhendo quando acelerar. O Colorado conseguiu manter o adversário próximo da própria área durante longos períodos.
O número de faltas gremistas na intermediária e pelos lados também aumentou. Era um reflexo da dificuldade para conter as movimentações coloradas sem recorrer à interrupção das jogadas. Aos 32 minutos, Luís Castro tentou reagir com Enamorado e Danilo Barbosa nos lugares de Pavón e Noriega. A saída de Noriega foi significativa, já que ele havia sido fundamental para a estrutura defensiva do primeiro tempo.
Mesmo assim, o cenário pouco mudou. O Grêmio se defendia cada vez mais, enquanto o Inter mantinha a posse e procurava espaços. O problema colorado, mais uma vez, estava na transformação do domínio em gol.
Inter domina, mas não consegue vencer
O Colorado terminou a partida com 51% de posse, depois de começar o segundo tempo atrás nos números, e teve 15 finalizações contra 11 do Grêmio. No alvo, foram três chutes colorados e dois gremistas.
Os números confirmam a evolução do Inter durante a partida. O time conseguiu mudar sua estrutura, passou a circular melhor a bola e encontrou mais maneiras de chegar ao ataque. Mas faltou eficiência.
Sanabria teve sua oportunidade, Vitinho conseguiu explorar a profundidade e Alan Patrick assumiu o controle da construção. Ainda assim, o Inter não encontrou a finalização capaz de transformar sua superioridade territorial em vantagem.
Na reta final, o ritmo caiu e os erros técnicos aumentaram. O desgaste de um clássico muito físico, somado às diversas interrupções e substituições, deixou o jogo mais morno. Aguirre entrou no lugar de Bruno Gomes e Niclas Eliasson fez sua estreia nos acréscimos, mas o Colorado não encontrou o gol.
O Grêmio, por sua vez, conseguiu proteger a própria área. Mesmo tendo praticamente parado de atacar no segundo tempo, manteve a defesa firme e resistiu ao crescimento do adversário.
Decisão completamente aberta na Arena
O 0 a 0 não favorece nenhum dos dois de maneira definitiva. O Grêmio leva para a Arena um empate conquistado depois de sofrer no segundo tempo, mas terá de apresentar uma postura ofensiva muito diferente se quiser avançar.
A atuação defensiva foi um ponto positivo para Luís Castro. A equipe conseguiu controlar o Inter durante boa parte do primeiro tempo e, quando perdeu o domínio territorial, mostrou capacidade para proteger a área. O problema está no ataque: o Grêmio terminou a partida sem encontrar respostas para sair da pressão colorada.
Pezzolano, por outro lado, pode tirar mais sinais positivos do segundo tempo. O Inter corrigiu problemas, ganhou presença pelo centro, encontrou Vitinho em profundidade e passou a controlar a posse. O que faltou foi justamente aquilo que tem sido um problema recorrente: eficiência.
Na próxima quinta-feira (3), na Arena do Grêmio, o contexto será diferente. O mando passa para o Tricolor e a necessidade de propor o jogo tende a ser maior. O Inter, depois de não aproveitar seu melhor momento no Beira-Rio, terá de encontrar uma forma de transformar seu volume ofensivo em gols.
Depois de 90 minutos de muita disputa, tensão e pouca eficiência, o Gre-Nal 453 não produziu vantagem para nenhum dos lados. A vaga nas semifinais continua completamente em aberto.
FOTO: LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA/DIVULGAÇÃO



