Flamengo x Palmeiras
Futebol Brasileirão

Flamengo x Palmeiras: guerra de narrativas sobre arbitragem apenas atrapalha o futebol brasileiro

Flamengo e Palmeiras estão, mais uma vez, no centro de polêmica sobre a arbitragem brasileira. O problema não é novidade no Brasil, com os árbitros cada vez mais questionados, mesmo com a implementação do VAR. Clubes grandes são acusados de serem beneficiados pelas decisões tomadas em campo e fora dele.

No entanto, passamos a ver, nos últimos anos, uma tentativa crescente de controlar a narrativa sobre a arbitragem. As equipes se sentem prejudicadas, soltam notas oficiais e condicionam toda a situação. Não há, hoje, um time que seja inocente sobre o assunto, mas são o Flamengo e o Palmeiras que voltam a estar envolvidos nas reclamações recentes.

Mauricio, do Palmeiras, em disputa com Caca — Foto: Reprodução / Premiere
Mauricio, do Palmeiras, foi denunciado por suposta cotovelada em Caca. Foto: Reprodução/Premiere

Flamengo e Palmeiras em nova polêmica

A nova polêmica começou em Vitória x Palmeiras, em jogo do Brasileirão. Em lance na partida, o Leão e muitos torcedores nas redes sociais entenderam que Maurício acertou uma cotovelada no rosto de Caca. Dessa forma, houve um pedido para que o meia recebesse cartão vermelho. Alex Gomes Stefano, árbitro do confronto, apresentou o amarelo e o VAR não chamou para revisão.

Em campo, a decisão já causou polêmica, especialmente porque o Rubro-Negro teve dois expulsos pouco depois e o camisa 18 ainda foi o responsável por abrir o placar. O Palestra venceu por 4 a 0 e voltou para São Paulo com os três pontos, aumentando a vantagem sobre o Flamengo, que apenas empatou na rodada.

No entanto, neste sábado (1), dias após a partida, o STJD denunciou o jogador palmeirense por conta deste lance. A denúncia foi baseada no artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que cita “conduta violenta” no esporte. O clube paulista se revoltou com a decisão e publicou nota oficial.

O time afirma estar perplexo com a denúncia e que se trata de uma afronta. Há também o argumento da falta de critérios, citando outros casos que julga ser semelhantes. Por fim, o Palmeiras afirma que decisões recentes “reforçam a percepção de que faltam equilíbrio e isonomia nas condutas do Tribunal” e exige respeito.

O Flamengo, em resposta, também publicou nota. Apesar do time carioca não estar envolvido de forma direta, há uma briga pela liderança do Brasileirão, além de uma rivalidade crescente entre os dois clubes. Dessa forma, afirmou que o Alviverde é beneficiado pela arbitragem, usando um levantamento do ge com números sobre o VAR desde 2020.

Segundo o Rubro-Negro: “Nenhum dado, isoladamente, comprova favorecimento. Mas estatísticas acumuladas ao longo de sete temporadas ajudam a explicar por que esse debate não acaba e segue sendo pauta de todos os envolvidos com o futebol.” Segundo os dados, o Palestra é o time com:

  • Maior número de decisões alteradas a seu favor (65);
  • Menor número de decisões contrárias entre os principais clubes do país (47).

A resposta, é claro, aumentou o clima hostil entre as torcidas, além de, assim como a nota da equipe paulista, piorar a pressão sobre a arbitragem brasileira.

Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo
Bap, presidente do Flamengo, protagoniza algumas disputas com Leila Pereira, do Palmeiras. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

Atitudes pioram o cenário da arbitragem no Brasil

É compreensível que os clubes se manifestem ao se sentirem prejudicados por conta das decisões envolvendo a arbitragem no Brasil. Mas também é preciso entender que, no cenário atual, esse tipo de atitude apenas piora a situação, além de não dar nenhuma solução para os problemas enfrentados por todos.

O Flamengo até reconhece a necessidade de voltar a focar mais no jogo e não na arbitragem. Contudo, ao se sentir prejudicado, a diretoria dificilmente irá tomar uma atitude diferente da do Palmeiras. Então, do que adianta falar isso em uma nota que só foi postada como resposta ao rival direto no Brasileirão?

É difícil que isso ocorra, mas é preciso uma união dos times brasileiros para haver uma melhora efetiva. Além disso, o papel de procurar soluções é da CBF, tendo as equipes ao seu lado para conversas e busca por melhoria de forma conjunta.

A entidade poderia, por exemplo, tomar atitudes para que as pressões em cima dos árbitros ainda em campo diminuíssem. Ou agir para que as simulações sejam punidas, assim como as ceras ou as outras diversas atitudes que só atrapalham as partidas.

Mas uma coisa é certa: as polêmicas sobre as arbitragens não irão diminuir enquanto as equipes, especialmente as maiores do Brasil, tentarem dominar a narrativa e condicionar as decisões. Isso, aliás, tem apenas causado mais problemas.

Foto: Wagner Meier/GettyImages