O Flamengo venceu o Fluminense por 1 a 0 neste domingo (11), no Maracanã, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, em um clássico decidido pela capacidade rubro-negra de transformar o domínio territorial em uma oportunidade decisiva. Carrascal marcou no segundo tempo, depois de receber um cruzamento de Lucas Paquetá, e garantiu três pontos importantes na disputa pela liderança. Do outro lado, o Tricolor demorou a encontrar soluções ofensivas, melhorou com as mudanças promovidas por Marcão e teve uma oportunidade clara de empate com Serna nos acréscimos, mas não conseguiu evitar a derrota.
O resultado levou o Flamengo aos 64 pontos, ultrapassando o Palmeiras, que venceu o Corinthians por 4 a 1 e chegou a 63. O Fluminense permaneceu com 51 pontos, na terceira colocação, e pode ver o Athletico-PR diminuir a distância caso o time paranaense vença a Chapecoense na segunda-feira (12).
Flamengo aproveita os espaços e concentra as melhores oportunidades
Desde os primeiros minutos, o Flamengo demonstrou maior facilidade para avançar pelo campo ofensivo, especialmente pelo lado direito. A movimentação de Jorge Carrascal, Lucas Paquetá e Samuel Lino ajudou a equipe de Leonardo Jardim a encontrar espaços entre as linhas tricolores, principalmente quando Guilherme Arana e Soteldo não conseguiam recompor a tempo.
A pressão sobre a saída de bola também contribuiu para o volume rubro-negro. O Fluminense tentou dificultar a construção desde a defesa, mas alternou a marcação alta com períodos em que recuou praticamente toda a equipe para trás da linha do meio-campo. Essa mudança de comportamento diminuiu os espaços nas proximidades da área, embora também tenha afastado o time de Marcão do gol adversário.
O Flamengo, por sua vez, conseguiu criar oportunidades mesmo sem apresentar uma circulação perfeita. Houve erros de passe e algumas jogadas em que a equipe demorou a concluir, mas a movimentação ofensiva produziu situações mais perigosas do que as construídas pelo rival. Samuel Lino exigiu defesa de Fábio logo no início, enquanto Lucas Paquetá apareceu livre na área aos dez minutos e obrigou o goleiro tricolor a trabalhar novamente. Léo Ortiz também levou perigo, e Pedro desperdiçou uma chance clara ao finalizar para fora diante de Fábio.
A atuação do camisa 1 foi determinante para manter o placar zerado durante a primeira etapa. O Fluminense teve dificuldades para acelerar a transição e conectar seus atacantes, mas encontrou no goleiro uma resposta para as principais investidas rubro-negras.
Fluminense demora a construir, mas encontra alternativas antes do intervalo
A equipe de Marcão teve problemas para transformar a recuperação da bola em ataques consistentes. Rodrigo Castillo ficou isolado em diversos momentos, enquanto Lucho Acosta precisou recuar para participar da organização das jogadas. A circulação tricolor, por vezes lenta, permitiu que o Flamengo reorganizasse sua marcação antes de ser efetivamente ameaçado.
Canobbio apareceu como uma das principais alternativas do Fluminense para avançar, tanto pela capacidade de pressionar quanto pelas tentativas de conduzir o time ao campo ofensivo. Ainda assim, a equipe encontrou poucas situações de superioridade perto da área rubro-negra.
A melhor oportunidade tricolor do primeiro tempo surgiu aos 25 minutos, quando Guilherme Arana cruzou e Castillo cabeceou para baixo, exigindo uma defesa de Rossi. Mais tarde, o argentino voltou a tentar, desta vez após conduzir a bola desde o meio-campo, mas mandou a finalização por cima.
O Flamengo também diminuiu o ritmo em alguns momentos e cometeu erros que impediram uma vantagem antes do intervalo. Mesmo assim, o volume de oportunidades e a capacidade de chegar em condições de finalizar indicavam uma equipe mais próxima do gol. O empate sem gols refletia, sobretudo, a atuação dos goleiros e a falta de precisão nas conclusões.
Carrascal decide após Paquetá encontrar espaço para cruzar
O segundo tempo começou com o Flamengo mantendo a presença no campo de ataque. A equipe de Leonardo Jardim continuou tentando acelerar as jogadas, mas ainda encontrou dificuldades para concluir algumas sequências. Pedro finalizou por cima, enquanto o Fluminense respondeu com uma tentativa de Castillo bloqueada por Léo Ortiz.
A entrada de Ganso no lugar de Lucho Acosta e de Serna na vaga de Soteldo, aos 14 minutos, modificou a dinâmica tricolor. O camisa 10 ofereceu mais critério à circulação, enquanto o colombiano trouxe velocidade e capacidade de atacar os espaços. Pouco depois, Martinelli finalizou rasteiro após uma jogada que passou por Serna, obrigando Rossi a fazer uma boa defesa.
O crescimento do Fluminense, porém, não impediu o Flamengo de encontrar o lance decisivo. Aos 20 minutos da etapa final, Lucas Paquetá recebeu com espaço e teve tempo para levantar a cabeça e cruzar. A defesa tricolor não acompanhou a movimentação de Carrascal, que apareceu livre entre Millán e Arana e finalizou de primeira, na diagonal, sem dar chances a Fábio.
O gol expôs dois aspectos importantes da jogada: a liberdade concedida a Paquetá para executar o passe e a falha de acompanhamento defensivo sobre Carrascal. Em uma partida na qual o Flamengo já havia criado as oportunidades mais claras, a qualidade do cruzamento e a movimentação do colombiano foram suficientes para transformar o volume ofensivo em vantagem.
A partir dali, o cenário mudou. O Flamengo passou a ter mais espaço para explorar a necessidade de avanço do adversário, enquanto o Fluminense precisou abandonar parte da cautela e assumir riscos para tentar buscar o empate.
Mudanças melhoram o Fluminense, mas falta precisão na conclusão
Marcão respondeu com novas alterações. Hulk entrou no lugar de Rodrigo Castillo, Savarino substituiu Canobbio e, posteriormente, o jovem Wesley Natã ocupou a vaga de Martinelli. Com as mudanças, o Fluminense ganhou novas possibilidades de movimentação: Savarino passou a trabalhar mais por dentro, Wesley ficou responsável por dar profundidade pelo lado, e Ganso recuou para ajudar na saída de bola.
Hulk também contribuiu na construção, participando de combinações fora da área e oferecendo uma referência para a equipe dar sequência aos ataques. O Tricolor melhorou na circulação e conseguiu pressionar a saída rubro-negra, embora a superioridade territorial na reta final não tenha se convertido em muitas finalizações realmente perigosas.
O Flamengo também renovou a equipe, com as entradas de De la Cruz e Plata, além de Bruno Henrique e Joaquín Freitas, buscando manter intensidade e velocidade. Carrascal, autor do gol, deixou o campo nos minutos finais para a entrada de Danilo, em uma mudança que reforçou a preocupação de Leonardo Jardim em proteger a vantagem.
A melhor oportunidade do Fluminense apareceu aos 46 minutos do segundo tempo. Wesley Natã fez uma grande jogada individual e cruzou para a área. A bola atravessou a defesa e chegou a Serna, praticamente na pequena área. O colombiano dominou, tentou se equilibrar e finalizou fraco, facilitando a defesa de Rossi.
Foi o momento em que o Tricolor esteve mais perto de evitar a derrota na reta final, mas a conclusão não correspondeu à qualidade da jogada. Hulk ainda tentou levar perigo em cobranças de falta, incluindo uma que obrigou Rossi a mandar a bola para escanteio, mas o goleiro rubro-negro manteve a vantagem até o apito final.
A reação tricolor mostrou que as substituições melhoraram a capacidade de conectar passes e atacar os espaços, mas também evidenciou a diferença entre construir uma situação promissora e efetivamente transformá-la em gol. O Flamengo, que havia sido mais perigoso durante boa parte do clássico, conseguiu sustentar o resultado mesmo diante da pressão final.
Vitória tem peso na disputa pela liderança
O triunfo coloca o Flamengo na liderança do Brasileirão, com 64 pontos, um a mais que o Palmeiras. A equipe de Leonardo Jardim não fez uma atuação livre de erros, mas produziu as melhores chances, encontrou o gol em uma jogada de qualidade e soube administrar a vantagem nos minutos finais. A capacidade de Paquetá de encontrar o cruzamento e a movimentação de Carrascal decidiram um confronto equilibrado no placar, mas com superioridade rubro-negra na criação de oportunidades.
Para o Fluminense, a derrota representa um resultado preocupante na disputa pelas primeiras posições. A equipe permaneceu com 51 pontos e pode ver o Athletico-PR se aproximar caso o adversário vença a Chapecoense. Mais do que o revés no clássico, fica a necessidade de corrigir a lentidão na construção e a dificuldade de produzir chances claras quando enfrenta um adversário capaz de pressionar a saída de bola.
Os dois rivais, agora, voltam suas atenções para a semifinal da Libertadores. O Fluminense recebe o Palmeiras no Maracanã na quarta-feira (14), enquanto o Flamengo visita o Estudiantes na quinta-feira (15). A sequência exigirá recuperação física e ajustes táticos, especialmente para o Tricolor, que precisará transformar a melhora apresentada nos minutos finais do Fla-Flu em uma atuação ofensiva mais consistente.
Foto: Adriano Fontes/ CRF/ Divulgação



