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Futebol Brasileirão

Fluminense explora os espaços do Coritiba, tem noite inspirada de Savarino e chega ao G-3

A vitória do Fluminense por 4 a 0 sobre o Coritiba, nesta quinta-feira, no Maracanã, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro, teve em Savarino o seu principal protagonista, mas o resultado também passou pela maneira como o time comandado por Marcão soube interpretar os espaços oferecidos pelo adversário. Com três gols do venezuelano e uma participação importante dos jogadores que entraram na etapa final, o Tricolor transformou a superioridade construída ao longo da partida em uma vitória expressiva, que o levou aos 51 pontos e à terceira colocação.

O placar poderia sugerir um confronto de domínio absoluto desde os primeiros minutos, mas a construção do resultado teve etapas bem definidas. O Coritiba começou tentando dificultar a saída de bola tricolor com uma linha defensiva adiantada e pressão no campo de ataque. A proposta, no entanto, apresentou um problema recorrente: a equipe paranaense não conseguia transformar a pressão em recuperação de bola com condições de atacar e, quando era superada, deixava espaços importantes para a progressão do Fluminense.

Foi nesse cenário que o Tricolor encontrou o caminho para controlar a partida. A circulação de bola e a movimentação dos jogadores entre as linhas adversárias permitiram que a equipe avançasse com paciência, sem precisar acelerar todas as posses. À medida que o Coritiba perdeu organização, o Fluminense passou a encontrar condições mais favoráveis para chegar à área e construir suas oportunidades.

A pressão do Coritiba abriu espaços para o Fluminense

A estratégia inicial dos visitantes exigia intensidade para encurtar os espaços e impedir que o Fluminense construísse suas jogadas desde a defesa. Com a última linha posicionada perto do meio-campo, o Coritiba procurava reduzir o campo de ação tricolor, mas dependia de uma pressão coordenada para evitar que os jogadores adversários encontrassem passes por dentro ou conseguissem superar a primeira linha de marcação.

O Fluminense teve algumas dificuldades para entrar na área nos primeiros minutos, mas encontrou uma alternativa importante com Paulo Henrique Ganso. Quando o meia recuava para participar da construção, oferecia uma opção de passe e ajudava a equipe a escapar da pressão. Esse movimento também contribuía para reorganizar a posse e encontrar os companheiros mais adiantados em melhores condições de receber.

A diferença estava na capacidade de cada equipe de transformar seu posicionamento em ações efetivas. Enquanto o Coritiba pressionava sem conseguir manter a mesma agressividade depois de ser superado, o Fluminense tinha mais recursos para trabalhar a bola no campo ofensivo. A equipe tricolor não precisava necessariamente encontrar um passe vertical logo na primeira tentativa, porque a circulação também servia para deslocar a marcação e identificar espaços.

O time paranaense, por sua vez, sofreu com a distância entre a tentativa de pressionar e a capacidade de sustentar as ações ofensivas. Pedro Rocha, uma das principais referências de ataque da equipe, ficou isolado em vários momentos do primeiro tempo, com pouca participação dos companheiros na aproximação. Assim, mesmo quando recuperava a bola, o Coritiba encontrava dificuldades para transformar a posse em uma ameaça consistente.

A melhor oportunidade dos visitantes antes do intervalo surgiu em uma situação de bola parada. Aos 16 minutos, Josué cobrou uma falta de longa distância e acertou o travessão de Fábio, em um lance que poderia ter mudado o panorama da partida. O susto, porém, não alterou a dinâmica do confronto, e o Fluminense seguiu com mais presença no campo de ataque.

Savarino transforma o domínio em vantagem

O primeiro gol saiu aos 29 minutos, quando Savarino aproveitou uma sobra após cobrança de escanteio de Hulk. A bola atravessou a área, chegou ao venezuelano na entrada e foi finalizada em direção ao gol, com desvio em Rodrigo Moledo antes de entrar. O lance teve participação da bola parada, mas também premiou a presença ofensiva de uma equipe que já acumulava mais iniciativa e conseguia manter o adversário recuado.

O gol mudou a relação do Coritiba com a partida. Em desvantagem, os visitantes precisavam buscar mais o ataque, mas não demonstravam capacidade para aumentar a produção ofensiva sem comprometer a organização defensiva. O Fluminense, por outro lado, ganhou mais liberdade para circular a bola e explorar as dificuldades do adversário na recomposição.

A equipe voltou do intervalo sem alterações e ampliou logo aos três minutos do segundo tempo. Em uma cobrança curta de escanteio, Thiago Silva recebeu na entrada da área e tocou para Savarino, que finalizou de primeira, acertando o ângulo. A bola ainda desviou em Moledo, mas a qualidade da batida chamou atenção e fez o Tricolor abrir dois gols de vantagem.

O segundo gol tornou ainda mais evidente o contraste entre as equipes. O Fluminense conseguia movimentar a defesa adversária e encontrar jogadores em condições de finalizar, enquanto o Coritiba tinha dificuldade para organizar uma resposta. A tentativa de adiantar a marcação, que já havia oferecido espaços na primeira etapa, passou a representar um risco ainda maior diante da necessidade de diminuir a diferença.

Aos 19 minutos, Savarino completou o hat-trick e praticamente definiu o confronto. Serna conduziu a bola em contra-ataque e encontrou o camisa 11 dentro da área. Com tranquilidade, o venezuelano cortou a marcação e bateu de canhota para fazer 3 a 0. Diferentemente dos dois primeiros gols, nos quais houve desvio de Moledo, a terceira finalização destacou a capacidade individual do atacante para resolver a jogada em espaço reduzido.

O desempenho de Savarino foi o ponto alto de uma atuação coletiva que encontrou diferentes maneiras de ferir o adversário. O Fluminense marcou após escanteio, em uma finalização de primeira na entrada da área e em uma transição rápida. A variedade das situações também ajuda a explicar por que o Coritiba não conseguiu se ajustar apenas com uma mudança pontual na marcação.

As substituições mantêm o Fluminense no controle

Com a vantagem construída, Marcão promoveu a entrada de Lucho Acosta no lugar de Ganso aos 16 minutos do segundo tempo. A troca alterou as peças do setor de criação, mas não impediu que o Fluminense continuasse encontrando espaços para atacar. O time manteve a circulação no campo ofensivo e aproveitou a postura cada vez mais vulnerável do Coritiba, que tentava pressionar sem conseguir impedir a progressão tricolor.

As mudanças também deram oportunidades a jogadores que participaram diretamente do quarto gol. Já nos acréscimos, Castillo avançou e tocou para Wesley Natã, que atacou a área em velocidade. O jovem atacante teve a qualidade de rolar de calcanhar para Acosta, que ficou cara a cara com Pedro Rangel e finalizou de canhota para fechar o placar em 4 a 0.

A jogada foi um retrato do que o Fluminense conseguiu fazer ao longo da etapa final: movimentar os jogadores, atacar os espaços e tomar decisões com qualidade perto da área. Castillo iniciou a construção, Wesley Natã deu profundidade e participou com um toque técnico, e Acosta concluiu com tranquilidade. Mais do que aumentar a diferença, o gol mostrou que o Tricolor ainda tinha capacidade de produzir mesmo quando o ritmo da partida já era mais baixo.

O Coritiba teve uma oportunidade de diminuir após cobrança de escanteio, quando Tinga se atrapalhou praticamente em cima da linha e não conseguiu completar para as redes. O lance foi uma das poucas chegadas mais perigosas dos visitantes na etapa final e não mudou o panorama de um confronto em que o time paranaense teve dificuldade para criar de forma consistente.

Uma vitória que fortalece a campanha tricolor

O resultado leva o Fluminense aos 51 pontos e à terceira colocação, ultrapassando Athletico-PR e Cruzeiro no cenário da rodada. A posição reforça o peso dos três pontos na disputa pelas primeiras colocações, mas a atuação também oferece elementos importantes para a sequência do campeonato.

O Tricolor mostrou capacidade de controlar a posse, escapar da pressão adversária e explorar os espaços deixados quando o rival tentou adiantar suas linhas. A equipe não precisou depender de uma única fórmula ofensiva: encontrou o primeiro gol em uma sobra de escanteio, ampliou com uma finalização de alta qualidade e marcou o terceiro em contra-ataque, antes de fechar a conta com uma bela combinação entre os reservas.

Savarino foi o nome da noite, com três gols e presença decisiva nas finalizações, mas a atuação também destacou a importância da movimentação coletiva e da leitura dos espaços. O Coritiba começou com uma proposta agressiva, porém não conseguiu sustentá-la sem expor sua defesa, enquanto o Fluminense soube aproveitar essa fragilidade e administrar a vantagem sem perder a capacidade de atacar.

No Maracanã, a vitória por 4 a 0 não foi apenas consequência de uma noite inspirada de um jogador. Foi também o resultado de uma equipe que identificou as limitações da estratégia adversária e encontrou maneiras diferentes de transformar essa leitura em gols.

Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC / Divulgação