Luis Zubeldía demitido do Fluminense
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Entenda os motivos que levaram o Fluminense a demitir Zubeldía

O Fluminense anunciou nesta quinta-feira (13) a demissão do técnico Luis Zubeldía, encerrando uma passagem de pouco mais de dez meses no comando do clube. Além do treinador, também deixam as Laranjeiras os auxiliares Maxi Cuberas, Carlos Gruezo e Alejandro Escobar, além do preparador físico Lucas Vivas. Marcão, o auxiliar-técnico permanente do Fluminense, assume interinamente a equipe para a partida deste sábado (15), contra o Palmeiras, no Maracanã, válida pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro.

A decisão da diretoria do Fluminense veio pouco mais de um dia após o empate sem gols contra o Independiente Rivadavia, na terça-feira (11), pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa Libertadores, resultado que ampliou para oito o número de partidas seguidas sem vitória e foi recebido com vaias da torcida no Maracanã. Antes disso, o Fluminense já havia sido eliminado da Copa do Brasil pelo Vasco, ao ser derrotado por 3 a 1 no jogo de volta que determinou a saída do torneio nacional, sendo a segunda eliminação do Tricolor diante do rival sob o comando técnico de Luis Zubeldía.

O Fluminense vive um jejum de vitórias

A crise que assola o Fluminense não surgiu de uma hora para a outra. A última vitória do clube havia sido em 27 de maio, quando o Fluminense bateu o Deportivo La Guaira por 3 a 1 pela fase de grupos da Libertadores, vitória que, graças a uma combinação de resultados no jogo entre Bolívar e Independiente Rivadavia, selou a classificação do Tricolor na segunda posição de seu grupo para as oitavas de final do torneio continental.

Após a classificação na Copa Libertadores, o Fluminense visitou o Cruzeiro e empatou em 1 a 1, iniciando uma longa sequência sem vencer. Dentro dos últimos oito jogos oficiais, a equipe somou sete empates e uma derrota, um aproveitamento inferior a 30%. Destas partidas, quatro foram atuando como mandante, com empates contra Red Bull Bragantino, Bahia e Independiente Rivadavia, além da derrota para o Vasco, que custou a permanência do clube na Copa do Brasil. Como visitante, alguns empates também deixaram a torcida pessimista, como os resultados contra Vasco e Botafogo, ambos rivais, e contra o Grêmio.

Desde o retorno do futebol pós-pausa para a Copa do Mundo, o ataque do Fluminense teve uma queda brusca de gols marcados, balançando as redes apenas quatro vezes em sete jogos, uma média de apenas 0,57 gol por partida. Apesar do baixo número de gols, a equipe teve uma média de finalizações superior em comparação com o período antes da Copa do Mundo, finalizando quase 16 vezes por partida. Apesar do grande volume de chutes, vale destacar que a equipe teve pouco menos de cinco finalizações no alvo por jogo, sendo muitas vezes chutes sem perigo para a meta adversária.

Junto com a má fase do Fluminense, a falta de criatividade dos jogadores e os erros na tomada de decisão, Zubeldía não conseguia encontrar a escalação ideal para dar continuidade ao seu trabalho. O treinador repetiu o time titular apenas uma vez desde o retorno da temporada, testando funções variadas na tentativa de encontrar uma combinação que devolvesse a produção ofensiva ao time.

A ascensão e a queda da ideia de jogo

Contratado em setembro do ano passado para substituir Renato Gaúcho, Zubeldía chegou ao Fluminense após passagens por Lanús, Racing, LDU de Quito, onde conquistou a Copa Sul-Americana e o Campeonato Equatoriano em 2023, além do São Paulo. Sua proposta sempre girou em torno do equilíbrio entre posse de bola e verticalidade, com uma linha defensiva bem postada, pressão na saída de bola adversária e times eficientes em transições rápidas.

Os primeiros meses pareciam confirmar essa reputação. O técnico chegou a comandar uma sequência de 16 vitórias seguidas como mandante, igualando uma marca histórica do clube que não era alcançada desde a década de 1940, e também conduziu o Fluminense ao quinto lugar no Campeonato Brasileiro de 2025.

Ao que tudo indicava, o Tricolor faria um ano de 2026 tão bom quanto haviam sido os últimos meses do ano anterior. Com o Brasileirão começando em janeiro, o Fluminense teve um bom início no campeonato e conciliava as disputas do Carioca, da Copa Libertadores e da Copa do Brasil. Apesar da expectativa, o time perdeu a final do estadual para o Flamengo na disputa de pênaltis.

Mesmo sem o título do Carioca, o Fluminense engatou uma sequência de vitórias e animava no Campeonato Brasileiro. A crise dentro do clube chegou com força após uma decisão da diretoria, quando Mattheus Montenegro, o presidente do clube, aceitou trocar o clássico contra o Flamengo, pelo Brasileirão, de sábado para domingo, medida que beneficiou o rubro-negro, que enfrentava dificuldades para retornar ao Rio de Janeiro. Após esta medida, o Fluminense foi derrotado pelo rival e começou a viver uma oscilação dentro de campo, ao mesmo tempo em que perdia a sua identidade de jogo.

Zubeldía não utilizava tanto a base do Fluminense

Outro motivo que gerou revolta da torcida do Fluminense com Luis Zubeldía foi o subaproveitamento da base. As categorias de base do Tricolor são um dos maiores símbolos históricos do clube, com o trabalho feito em Xerém revelando nomes como Thiago Silva e Marcelo, o que faz com que a torcida sempre reserve uma grande expectativa em relação a esse setor.

Um levantamento indica que, sob o comando do argentino, apenas 1,66% dos minutos da equipe foram destinados a jogadores formados nas categorias de base, o menor índice entre os últimos técnicos que passaram pelo clube.

Os próximos passos do Fluminense

Com a saída de Luis Zubeldía do comando técnico, o Fluminense corre contra o tempo para definir um substituto em meio a uma sequência decisiva de jogos. Antes de qualquer nome novo, Marcão assume interinamente para enfrentar o Palmeiras neste sábado (15), pelo Brasileirão, e terá a missão de preparar a equipe para o jogo de volta das oitavas da Libertadores, em Mendoza, na Argentina, diante do Independiente Rivadavia, em um dos compromissos mais importantes da temporada do clube.

A diretoria Tricolor deve buscar opções no mercado para assumir a equipe, buscando alguém capaz de reorganizar o time. Caberá ao novo comandante recuperar a confiança do elenco e gerir a pressão vinda das arquibancadas.

Créditos da foto de capa: Lucas Merçon / Fluminense F.C.