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Fluminense “perde encanto” e precisa encontrar caminho para os gols novamente

A derrota por 2 a 1 para o Flamengo em clássico válido pela 11ª rodada do Brasileirão escancarou um incômodo que começa a rondar o Fluminense sob comando de Luís Zubeldía: o time que encantava pela competitividade e criatividade ofensiva parece no início da temporada neste momento desconectado do próprio brilho, com enormes dificuldades claras para transformar posse em gols.

No clássico, a equipe até manteve traços característicos de seu modelo, com circulação de bola paciente e tentativa constante de controlar o ritmo da partida. Nomes como Martinelli e Hércules foram novamente centrais na construção, oferecendo linhas de passe e ditando o tempo do jogo, mas sem causar dano real ao goleiro Rossi.

Durante boa parte da partida, o Fluminense teve a bola, mas encontrou enorme dificuldade para romper as linhas defensivas do rubro-negro. Faltou profundidade, faltaram movimentos coordenados de ruptura e, principalmente, presença mais agressiva na área adversária.

Canobbio tentou ser o elemento de desequilíbrio pelos lados, buscando o drible e a aceleração, mas frequentemente se viu isolado ou sem opções claras de passe em zonas decisivas. Enquanto isso, John Kennedy, referência ofensiva da equipe, recebeu poucas bolas em condições ideais, muitas vezes cercado por marcadores e distante da construção das jogadas. O cenário se repetiu ao longo do jogo: o Fluminense chegava até o último terço com relativa facilidade, mas travava na hora de transformar domínio territorial em chances reais de gol.

Outro ponto que ajuda a explicar a queda de rendimento ofensivo é a desconexão entre meio-campo e ataque. Lucho Acosta, responsável por organizar o jogo, precisou recuar em diversos momentos para participar da saída de bola, o que esvaziou a faixa central próxima à área adversária. Sem essa presença entrelinhas, os pontas passaram a receber a bola em situações previsíveis, quase sempre de frente para defesas já montadas. A ausência de infiltrações de meias ou laterais reduziu drasticamente as opções ofensivas.

Além das questões táticas, há um componente emocional evidente. O Fluminense parece menos confiante no último terço, pois jogadas que antes eram executadas com naturalidade (tabelas rápidas, infiltrações em diagonal, finalizações de primeira) agora surgem com hesitação. Essa perda de fluidez tornou o time previsível, e a defesa do Flamengo conseguiu antecipar movimentos e controlar as principais ações ofensivas sem grande dificuldade.

Fluminense perdeu o seu principal fator de 2026

O gol marcado no clássico surgiu mais como um lampejo do que como consequência de um padrão consolidado, muito graças à falha cometida pelo rubro-negro na grande área. E esse é talvez o maior alerta: o Fluminense deixou de criar com regularidade. O que antes era rotina passou a ser eventual.

O desafio agora é claro: recuperar a agressividade ofensiva sem abrir mão da identidade baseada em posse e controle. Para isso, será fundamental reaproximar os setores, aumentar a participação dos jogadores de frente em zonas centrais e criar mecanismos que liberem Cano para finalizar com mais frequência.

Zubeldía precisará de maior concentração para tomar decisões corretas e evitar que uma crise se espalhe em meio à disputa da Libertadores e do Brasileirão. Para isso, vencer diante do Rivadavia será fundamental.

Imagem: AGIF