Carlos Sainz
Automobilismo Fórmula 1

Fórmula 1 – Carlos Sainz mostra que o investimento da Williams se pagou

O piloto espanhol Carlos Sainz ficou conhecido no circo da Fórmula 1 por ser um piloto rápido, cerebral e competente. Sempre a sombra de algum companheiro mais badalado, não tinha o seu devido valor reconhecido. E o que aconteceu em Baku relembrou a todos do quão bom é o filho de Carlos Sainz Sr.

No GP do Azerbaijão, Sainz largou em segundo em uma das classificações mais malucas da história. Na corrida, se manteve na mesma posição, muito graças as brigas envolvendo Racing Bulls e Mercedes. No fim, acabou perdendo a P2 para George Russell nas paradas e cruzou a linha de chegada em terceiro para festa da equipe Williams.

Carlos Sainz – A glória em Baku

“Foi o melhor pódio da minha carreira”, disse o espanhol que soltou a voz com o clássico “Smooth Operator”. É o primeiro pódio da Williams desde a “corrida” em Spa com Russell, em 2021. Numa prova completa, é o primeiro pódio em oito anos que aconteceu justamente na mesma pista com Lance Stroll. E o piloto espanhol se juntou ao tetracampeão Alain Prost como os únicos a subirem ao pódio defendendo as três grandes da categoria: Ferrari, McLaren e Williams.

O pódio também rendeu outros fatos como a conquista do top-3 de uma corrida antes do piloto que a Ferrari contratou para 2025: Lewis Hamilton. E não só isso, como também é o último piloto Ferrari a vencer uma corrida pela escuderia italiana (México, 2024) além de ser o sexto do grid atual com mais idas ao pódio. Apesar de estar apenas em 12º no mundial de pilotos e numa campanha bem irregular pelo time de Grove, a P3 tem chances enormes de afirmar a Williams no top-5 entre as construtoras, que viria a ser a melhor colocação desde 2014-17 no início da era híbrida.

“Não tinha resultados para mostrar para mim mesmo, a equipe e a todos que se podia fazer bem. Quando veio o final, e como a vida me ensinou muitas vezes, uma sequência ruim acontece mas é importante continuar com o trabalho duro que chegam bons resultados como esse”, disse Sainz após a corrida.

Um resultado que não só contribuiu para um ano de afirmação da Williams brigando constantemente por pontos como também mostra para todo o paddock o quão talentoso e de certa forma subestimado é o piloto espanhol. Desde os tempos de McLaren, participando do processo de reconstrução da equipe e ajudando em 2019 (primeiro pódio desde 2014) e 2020 (terceiro lugar no mundial de construtores). Na Ferrari, formou com Charles Leclerc uma das duplas mais rápidas e consistentes do grid onde enfim, venceu corridas. A mais marcante sendo o GP de Singapura de 2023, acabando com a invencibilidade da Red Bull com o carro mais dominante da história.

Sainz ainda tem lenha para queimar e com o foco da Williams para 2026 (até aqui é a equipe que menos atualizou o carro), o otimismo está nas alturas. A dupla com Alexander Albon é de ótimo nível, sem contar a regularidade do piloto tailandês em 2025 e participando de todo o processo de reconstrução liderado por James Vowles.

As próximas corridas não serão fáceis para a equipe, com as provas da Cidade do México e Las Vegas sendo as grandes chances de um resultado expressivo antes de focar para 2026. Com 39 pontos de frente para a Racing Bulls no campeonato, a não ser que aconteça um resultado maluco nas últimas provas, o caminho está pavimentado para o top-5.

Para o madrilenho, era a atuação que faltava para recuperar a confiança e diminuir as dúvidas referentes a ele. O ano não está bom, pois antes do pódio em Baku os melhores resultados foram duas P8. Porém, por um fim de semana, os seus talentos foram mostrados ao mundo. A Williams, sem sombras de dúvidas, é a que mais agradece pelo investimento feito.