Enquanto Alex Albon e Carlos Sainz aparecem nas pistas representando a Williams, existe um piloto que passa horas atrás das portas da fábrica de Grove ajudando a equipe a encontrar desempenho. Esse é o trabalho de Victor Martins, piloto de testes e desenvolvimento da equipe, que revelou como funciona a rotina de quem passa mais tempo no simulador do que dentro de um carro de Fórmula 1.
Embora seu trabalho não apareça para o público, Martins participa diretamente do desenvolvimento do FW48, da preparação para cada fim de semana de corrida e até dos projetos futuros da equipe. O francês explicou que sua função vai muito além de simplesmente dar voltas virtuais.
Victor Martins ajuda a desenvolver o carro antes mesmo de ele ir para a pista
Martins explica que seu impacto no desempenho do carro não acontece de forma direta, como decidir uma mudança na suspensão ou aprovar uma nova peça. O trabalho dele é fornecer informações para que os engenheiros tomem essas decisões com mais segurança. Grande parte da rotina acontece no simulador da Williams, onde ele testa diferentes acertos, estratégias de gerenciamento de energia e configurações para os circuitos antes da chegada dos pilotos titulares.
Além disso, ele mantém contato constante com Alex Albon e Carlos Sainz para entender quais são os pontos fortes e fracos do carro. A ideia é reproduzir essas características no simulador para acelerar o desenvolvimento durante a temporada. Segundo Martins, esse processo ajuda a equipe a chegar aos fins de semana já com uma direção de trabalho bem definida.
Desenvolver um carro sem pilotá-lo de verdade é um dos maiores desafios
Apesar de ser um dos responsáveis pelo simulador, Victor Martins admite que existe uma limitação importante: ele ainda não teve a oportunidade de guiar o FW48 em condições reais de corrida. Por isso, todo o trabalho depende da comparação entre os dados coletados na pista e aquilo que ele sente no simulador. O francês afirma que utiliza sua experiência nas categorias de base para interpretar essas informações e reproduzir o comportamento do carro da forma mais fiel possível.
Segundo ele, uma oportunidade de pilotar o carro atual seria extremamente valiosa, não apenas para sua carreira, mas também para melhorar a correlação entre pista e simulador, um dos aspectos mais importantes no desenvolvimento de um carro moderno de Fórmula 1.
O simulador da Williams também prepara os futuros pilotos
Além do trabalho com a equipe principal, Martins participa da criação de um segundo simulador voltado exclusivamente para os pilotos da academia da Williams. A proposta é reproduzir o comportamento de carros da Fórmula 2 e Fórmula 3, permitindo que jovens talentos cheguem mais preparados quando tiverem a oportunidade de testar um Fórmula 1.
Segundo o francês, os dois simuladores utilizam conceitos semelhantes, mas têm objetivos completamente diferentes. Enquanto um serve para desenvolver o carro da equipe, o outro é dedicado à formação dos futuros pilotos da Williams. Os dois projetos podem funcionar simultaneamente na fábrica, permitindo que engenheiros trabalhem tanto na evolução do carro atual quanto na preparação da próxima geração de pilotos.
O sonho da Fórmula 1 continua vivo
Mesmo atuando como piloto de testes e desenvolvimento, Victor Martins deixa claro que ainda sonha em disputar um Grande Prêmio. Atualmente, ele divide suas atividades entre a Williams e o Mundial de Endurance (WEC), mas não descarta uma oportunidade na Fórmula 1 caso ela apareça.
O francês também revelou que, até o momento, não há planos para participar de um treino livre (FP1) com o FW48, embora siga realizando testes com carros de temporadas anteriores dentro do programa TPC da equipe.
Para Martins, permanecer dentro da estrutura da Williams é uma forma de continuar aprendendo sobre engenharia, desenvolvimento e preparação de um carro de Fórmula 1, além de manter aberta a possibilidade de, um dia, conquistar um lugar definitivo no grid.
Em um esporte cada vez mais dependente de simulações e desenvolvimento virtual, o trabalho de pilotos como Victor Martins mostra que muitas das evoluções vistas nas pistas começam longe dos holofotes, dentro das salas de simulador das fábricas.
Foto: (Reprodução/ The Race)



