Uma das questões mais relevantes do regulamento de 2026 da Fórmula 1 é o gerenciamento de energia. Agora, 50% da potência do motor será gerada pela bateria elétrica. De acordo com Andrea Stella, chefe da McLaren, a nova dinâmica trará dificuldades em pistas rápidas e com poucos pontos de frenagem forte.
É o caso de Albert Park, que abre o campeonato com o GP da Austrália dentro de duas semanas. Sobretudo após as mudanças no layout realizadas em 2021, o circuito passou a ser feito praticamente de pé embaixo pelos pilotos, com pouquíssimas freadas fortes e predominância de curvas de média e alta velocidade. A recuperação de energia será, portanto, um desafio significativo.
Baterias se esgotando rapidamente preocupam a Fórmula 1

Uma das cenas que mais chamou a atenção da Fórmula 1 nos testes de pré-temporada foi a onboard de Nico Hülkenberg em uma de suas voltas rápidas. O alemão chegou à reta principal com a tela do volante indicando bateria cheia e, antes mesmo de alcançar a curva 1, a carga se esgotou e sua Audi perdeu velocidade.
Segundo Stella, o circuito de Sakhir era um traçado mais amigável do que o de Barcelona, palco do shakedown coletivo que não foi televisionado, no que diz respeito ao gerenciamento de energia. Em Barcelona, os problemas de carga foram sentidos com mais intensidade. Ainda assim, as dificuldades também apareceram no Bahrein.
Os riscos em pistas de alta velocidade, como Melbourne, Monza, Jeddah e Spa-Francorchamps, são reais. Nos cenários mais pessimistas, poderemos ver pilotos evitando acelerar a 100% nas retas ou ficando sem bateria no meio delas e, consequentemente, perdendo velocidade final. Embora isso possa gerar trocas de posição constantes e resultados imprevisíveis, alguns pilotos já deixaram clara sua oposição a uma dinâmica que consideram burocrática e contraintuitiva.
Para auxiliar na gestão de energia dos novos motores, a Fórmula 1 desenvolveu o regulamento técnico com foco em carros de menor arrasto aerodinâmico. Isso induz freadas mais fortes, momento em que a recuperação é realizada, e torna o ganho de velocidade nas retas mais eficiente.
Para a rodada de abertura, Stella prevê que o foco dos pilotos será, para além da velocidade e do ritmo de corrida, a administração das baterias. “Acho que veremos os pilotos mais ocupados em termos de estilo de pilotagem para garantir que a unidade de potência seja explorada na recuperação e na entrega de energia de maneira eficiente”, afirmou o dirigente.
Caixa de câmbio também será mais exigida
A unidade de potência não deve ser a única dor de cabeça da Fórmula 1 em 2026. Os pilotos estão sendo obrigados a operar em marchas inferiores para recuperar mais energia e manter o giro alto do motor, o que limita o indesejado turbo lag. Curvas que, em condições normais, seriam feitas em terceira ou segunda marcha passaram a exigir o uso da primeira. A longo prazo, isso pode gerar maior desgaste nas engrenagens do componente. No Bahrein, isso pôde ser observado particularmente nas curvas 1 e 10.
Para os competidores, ter que usar a primeira marcha não é algo prazeroso. A prática é similar a puxar um freio de mão, graças ao freio motor e ao sistema brake-by-wire (sistema eletrônico que controla os freios traseiros).
A Ferrari reconheceu a importância da questão e utilizou, na segunda semana da pré-temporada, um câmbio mais adequado ao estresse sofrido nas acelerações. O objetivo é aumentar a durabilidade do componente não apenas durante as corridas, mas ao longo de toda a temporada, evitando punições decorrentes de trocas acima do limite permitido.
A escuderia de Maranello parece ser uma das equipes que melhor compreendeu as nuances do novo regulamento neste início de era da Fórmula 1. A asa traseira com rotação de 270 graus e o flap posicionado atrás do exaustor, semelhante ao antigo beam wing, estão entre as inovações que buscam colocar a equipe como uma das postulantes ao protagonismo em 2026.
(Foto: Peter Fox via Getty Images)
