Mohammed Ben Sulayem Fórmula 1
Automobilismo Fórmula 1

Fórmula 1: conflitos no Oriente Médio forçam mudança de última hora em regra

Os ataques com mísseis envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã colocaram a Fórmula 1 em alerta. O bombardeio a uma base naval americana no Bahrein abriu discussões sobre um possível cancelamento da quarta etapa do campeonato e de outras provas do calendário no Oriente Médio. Agora, às vésperas da abertura da temporada, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) precisou flexibilizar regras ligadas ao toque de recolher, ao menos para o GP da Austrália.

Com o espaço aéreo de partes do Golfo Pérsico fechado, o deslocamento das equipes até Melbourne foi afetado. Rotas sobre Abu Dhabi, Kuwait e Qatar ficaram indisponíveis e obrigaram a reorganização dos voos. Como a maioria das equipes tem sede no Reino Unido, a logística já seria complexa, e a tensão geopolítica levou a Fórmula 1 a fretar trajetos alternativos passando por Singapura.

Ainda assim, os atrasos foram inevitáveis e afetaram o cronograma de chegada de carros e equipamentos. Diante disso, a FIA suspendeu temporariamente as restrições que limitam o trabalho das equipes em determinados períodos do fim de semana.

O que é o toque de recolher e como isso afeta o planejamento da Fórmula 1

Na Fórmula 1, o toque de recolher determina intervalos em que funcionários das equipes não podem trabalhar nos carros. A medida está ligada ao controle de gastos e à limitação da carga de trabalho nos fins de semana de corrida. O conceito é diferente do parc fermé (ou parque fechado, em tradução livre), regime que restringe alterações no carro após a classificação para garantir que a configuração do treino seja a mesma usada na corrida.

O diretor de prova Rui Marques comunicou às equipes que, devido aos atrasos nas viagens e no transporte de equipamentos, os dois primeiros períodos de toque de recolher previstos para o fim de semana não serão aplicados no GP da Austrália.

O primeiro desses períodos normalmente começa 42 horas antes do primeiro treino livre e termina 29 horas antes da sessão. O segundo vai de 18 horas antes do início do treino até quatro horas antes da atividade.

A flexibilização foi adotada para ajudar equipes que ainda enfrentem dificuldades logísticas na chegada de peças e materiais ao paddock da Fórmula 1. Sem as restrições iniciais, os mecânicos terão liberdade para trabalhar na preparação dos carros assim que tudo estiver disponível nas garagens.

Todos os carros e equipes chegaram em segurança a Melbourne, apesar do caos aéreo. Porém, caso atrasos na chegada de peças e equipamentos ocorram, a flexibilização da regra poderá garantir tempo valioso para os funcionários prepararem tudo a tempo dos treinos livres.

FIA monitora conflito — que já impactou o calendário do WEC

No início da semana, a FIA divulgou uma nota afirmando que “a segurança e o bem-estar guiarão nossas decisões enquanto avaliamos os próximos eventos da F1 e do WEC [Campeonato Mundial de Endurance]”. A entidade informou ainda que mantém contato constante com equipes e promotores para acompanhar a evolução da situação e agir rapidamente caso seja necessário.

O presidente do órgão regulador da Fórmula 1, Mohammed Ben Sulayem, nascido nos Emirados Árabes, país que também é alvo do Irã, declarou que deseja calma e um rápido retorno à estabilidade.

Os efeitos do conflito já chegaram ao WEC, que decidiu adiar a abertura da temporada 2026. A etapa dos 1812km do Catar estava marcada para 28 de março, mas foi transferida para o fim do ano, ainda sem nova data definida. As 6 Horas de Imola serão a nova prova inaugural do campeonato em 19 de abril, no Autódromo Enzo e Dino Ferrari.

Por enquanto, o prólogo da categoria de endurance permanece mantido. A pré-temporada está programada para os dias 22 e 23 de março no Circuito de Sakhir, no Bahrein, e segue confirmada até nova ordem.

Os impactos esportivos são, neste momento, a menor das preocupações. Segundo a HRANA (Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos), o número de mortos no conflito já ultrapassa mil pessoas. A apreensão e o medo nos países envolvidos e seus aliados são grandes entre a população.

(Foto principal: Fórmula 1 / Getty Images)