Flavio Briatore (Alpine) e Toto Wolff (Mercedes)
Automobilismo Fórmula 1

Fórmula 1: Entenda possível compra de parte da Alpine pela Mercedes

O acordo entre Alpine e Mercedes na Fórmula 1 pode estar além do fornecimento de motor. O consultor da equipe francesa, Flavio Briatore, admitiu que há negociação entre as partes para a compra de 24% das ações. Ele afirma ainda que há outros compradores em potencial interessados em negociar com a marca, que pertence ao grupo Renault.

Segundo a imprensa internacional, o acordo para o retorno de Briatore a um papel na gestão da Alpine em 2025 passou pela exigência do dirigente de que a equipe desistisse de desenvolver seus próprios motores (como fazia desde 2016) e firmasse parceria com a Mercedes.

A fabricante alemã tem aquela que é apontada como a melhor unidade de potência do início desta temporada. O conjunto Alpine-Mercedes já rendeu um salto de desempenho significativo em comparação com o ano anterior para o time de Enstone, que abriu 2026 somando dois pontos com o nono lugar de Pierre Gasly no GP da Austrália.

Negociação não envolve Wolff diretamente

Briatore explicou que, ao contrário do que se especulou na mídia, o interesse nas ações da Alpine parte da Mercedes enquanto time, e não apenas de Toto Wolff. Além de chefe e CEO da equipe alemã, o investidor austríaco também possui uma carreira bem-sucedida no ramo empresarial.

“No momento, temos três ou quatro compradores em potencial. Estamos falando da participação da Otro [Capital], não tem nada a ver com a Alpine. É a participação da Otro, e há alguns candidatos prontos para fechar o negócio”, contou.

Flavio Briatore (Alpine) e Toto Wolff (Mercedes)
Foto: Reprodução/MotoriOnline

Segundo o jornal inglês ‘The Telegraph’, as ações pertencentes ao grupo citado por Briatore representam 24% da marca. Dentre os principais investidores da Otro estão os atores Ryan Reynolds e Rob McElhenney, que são coproprietários do Wrexham, clube galês que disputa a segunda divisão inglesa.

Em 2023, a empresa adquiriu a parcela dos ativos da Alpine pelo equivalente a R$ 1,2 bilhão. Agora, de acordo com as informações veiculadas pelo site, ela está avaliada em mais de R$ 3 bilhões.

Dentre os nomes recentemente vinculados à aquisição da equipe encontra-se também o do ex-chefe da Red Bull na Fórmula 1, Christian Horner.

Briatore nega possibilidade de ele próprio comprar a Alpine

Perguntado se ele próprio poderia se envolver nas negociações de compra e adquirir uma parcela do time, Briatore desconversou. Apesar de ser o consultor da Alpine, a função na prática do empresário italiano é equivalente à de chefe de equipe.

Ele garantiu também que não haveria conflito de interesses no acordo, uma vez que ambas disputam o mesmo campeonato. O argumento usado foi o caso da Red Bull e da Racing Bulls, que pertencem à mesma companhia de energéticos e, na prática, funcionam como equipe A e B, respectivamente.

Além disso, Briatore defendeu que a compra dos 24% não é tão significativa nas decisões da Alpine. Segundo ele, “em uma empresa, 75% decidem e 25% são passageiros. A realidade é essa”.

A marca francesa preferiu evitar citar o nome de qualquer interessado na compra e afirmou, via porta-voz, que a equipe é frequentemente procurada e contatada por múltiplos potenciais investidores. A Alpine prefere manter o foco no andamento da temporada da Fórmula 1, onde briga no meio do pelotão após um desastroso 2025 em que ficou na última posição do campeonato de construtores.

Comprar um time esportivo não seria uma novidade na carreira de Briatore. Em 2007, junto ao ex-chefe da Fórmula 1 Bernie Ecclestone, Briatore comprou o Queens Park Rangers, clube de futebol da Inglaterra. O clube pertenceu aos dois até 2011, quando venderam para o bilionário malaio Tony Fernandes, que também teve envolvimento com a categoria por meio da equipe Caterham.

(Foto principal: Zak Mauger/Motorsport Images)