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Automobilismo Fórmula 1

Fórmula 1: quais foram os pilotos mais bem pagos da temporada 2025?

A Fórmula 1 coroou um novo campeão em 2025, mas o fim da temporada deixou claro que, no auge do automobilismo mundial, o título não é o único termômetro de sucesso. Em um esporte cada vez mais global, midiático e financeiramente poderoso, os salários dos pilotos revelam uma hierarquia própria, muitas vezes desconectada do resultado final na pista.

A lista divulgada pela Forbes com os pilotos mais bem pagos da Fórmula 1 escancara essa realidade e ajuda a explicar como experiência, reputação e valor de mercado pesam tanto quanto vitórias e troféus.

Segundo a publicação, os dez pilotos mais bem pagos da Fórmula 1 em 2025 somaram cerca de 363 milhões de dólares em salários e bônus. O número impressiona não apenas pelo volume absoluto, mas pelo ritmo de crescimento. Em relação a 2024, houve um aumento de 15%, e desde a primeira lista, em 2021, o salto é de 72%. Esses dados refletem um esporte em plena expansão comercial, impulsionado por novos mercados, contratos de mídia mais robustos e uma visibilidade global sem precedentes.

Lando Norris é campeão, mas está longe de ser o mais bem pago

O caso mais emblemático da desconexão entre desempenho e remuneração é o de Lando Norris. Mesmo conquistando seu primeiro título mundial e liderando a McLaren a uma temporada dominante, o britânico não terminou o ano como o piloto mais bem pago do grid. Norris aparece apenas na terceira posição, com ganhos estimados em 57,5 milhões de dólares, fruto de um salário base relativamente modesto, cerca de 18 milhões, compensado por um pacote robusto de bônus ligados ao desempenho, que somaram quase 40 milhões.

No topo da lista aparece, mais uma vez, Max Verstappen. O holandês da Red Bull, que terminou a temporada apenas dois pontos atrás de Norris após uma impressionante recuperação nas rodadas finais, teve ganhos estimados em 67 milhões de dólares em 2025. Seu salário base, combinado com bônus de performance, reflete não apenas sua competitividade constante, mas também seu status como principal rosto da Fórmula 1 atual.

Logo atrás está Lewis Hamilton, outro exemplo claro de como a Fórmula 1 remunera muito mais do que resultados imediatos. Em sua primeira temporada pela Ferrari, o heptacampeão mundial recebeu cerca de 70,5 milhões de dólares, sendo 70 milhões apenas de salário fixo.

O dado chama atenção porque Hamilton viveu, em 2025, a primeira temporada de sua carreira sem subir ao pódio. Ainda assim, sua presença na Ferrari, sua história no esporte e sua força como marca global justificam um contrato desse porte. É a prova definitiva de que, na Fórmula 1 moderna, legado e apelo comercial pesam tanto quanto a performance atual.

A força da McLaren em 2025 também se refletiu nos salários. Oscar Piastri, peça fundamental na conquista do Mundial de Construtores, aparece na quarta posição, com ganhos estimados em 37,5 milhões de dólares. Sete vitórias, 16 pódios e um papel decisivo ao longo do campeonato elevaram seu valor dentro da equipe e no mercado.

Logo atrás, Charles Leclerc fecha o top 5 com cerca de 30 milhões, beneficiado por um contrato de longo prazo com a Ferrari que garante estabilidade financeira mesmo em uma temporada considerada abaixo das expectativas esportivas.

Os veteranos seguem bem representados. Fernando Alonso, aos 44 anos, faturou aproximadamente 26,5 milhões de dólares, mesmo enfrentando dificuldades com a Aston Martin. George Russell, agora líder técnico da Mercedes após a saída de Hamilton, aparece com 26 milhões, consolidando sua posição como pilar do futuro da equipe alemã.

A lista também evidencia a abertura de espaço para novos nomes. Lance Stroll surge na oitava colocação, com 13,5 milhões, valor revelado em documentos financeiros públicos da Aston Martin. Já Andrea Kimi Antonelli, em sua temporada de estreia pela Mercedes, aparece com ganhos estimados em 12,5 milhões de dólares, incluindo bônus significativos.

Até onde a Fórmula 1 pode chegar?

A pergunta que surge naturalmente é por que os salários continuam crescendo em ritmo tão acelerado. A resposta passa por vários fatores estruturais. Desde a popularização da categoria com a série “Drive to Survive”, a Fórmula 1 ampliou seu alcance global, atraiu novos patrocinadores e aumentou drasticamente sua receita anual. Hoje, a maioria das equipes movimenta centenas de milhões de dólares por temporada, o que cria margem para contratos cada vez mais elevados.

Além disso, o teto de gastos introduzido nos últimos anos limita investimentos em desenvolvimento e operações, mas exclui os salários dos pilotos. Isso transformou os pilotos em um dos poucos campos onde as equipes podem buscar vantagem competitiva livremente. Ter um campeão mundial ou uma estrela global tornou-se não apenas uma decisão esportiva, mas também um investimento estratégico.

A lista da Forbes deixa claro que, na Fórmula 1 contemporânea, ser campeão é importante, mas não é tudo. A combinação de talento, histórico, visibilidade e capacidade de atrair patrocinadores define quem realmente lidera fora das pistas. E, ao que tudo indica, com o crescimento contínuo do esporte, essa distância entre troféus e contracheques tende a ficar ainda mais evidente nos próximos anos.