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Automobilismo Fórmula 1

Fórmula 1: pilotos temem defender posição após batida de Bearman

Alexander Albon, da Williams, revelou que os pilotos da Fórmula 1 estão receosos em se defender contra adversários durante as corridas após o forte acidente sofrido por Oliver Bearman (Haas) ao ultrapassar a Alpine de Franco Colapinto no GP do Japão.

A maior preocupação envolve as diferenças de velocidade em uma disputa. No caso da etapa anterior, o britânico estava cerca de 50 km/h mais rápido que o argentino, que, ainda assim, tentou proteger a linha interna da curva, o que resultou na batida.

Isso tem sido pauta de discussões e reuniões entre os pilotos, revelou Albon.

Pilotos receiam provocar novo acidente

Acidente de Oliver Bearman no GP do Japão de Fórmula 1
Foto: Kym Illman/Getty Images

Segundo o tailandês, as disputas por posição em situações de diferentes cargas de bateria foram debatidas no briefing dos pilotos. “É uma situação bem estranha agora, porque você quer se defender, mas às vezes fica preocupado com o carro atrás, se ele está sob controle”, contou.

Os competidores não se sentem totalmente no controle de seus carros, e isso ficou evidente nas declarações de Lando Norris após a prova anterior. O britânico ultrapassou Lewis Hamilton de forma praticamente involuntária, quando a bateria do rival da Ferrari se esgotou. Em seguida, o mesmo acontecia com a McLaren, e o atual campeão do mundo ficava à deriva e precisava se defender estando muito mais lento.

O medo de tentar proteger a posição e ser atingido em cheio por um carro significativamente mais rápido tem afetado os pilotos após o incidente em Suzuka. De dentro do carro, embora o superclipping seja perceptível, é difícil para o piloto mensurar o quanto está mais lento em relação aos adversários.

Esse risco já havia sido apontado por Andrea Stella, chefe da McLaren, durante os testes de pré-temporada da Fórmula 1, mas o real impacto das unidades de potência 50% elétricas só pôde ser percebido de fato quando o campeonato começou.

Modo reta é agravante do problema

Na mesma entrevista, Albon mencionou que uma possível solução para a Fórmula 1 seria tornar o modo reta mais estável, para evitar que manobras evasivas causem perda de controle do carro.

Durante o acidente de Bearman, o modo não estava ativado, mas a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) teve dificuldades nas etapas iniciais para determinar os trechos em que os pilotos poderiam utilizá-lo.

A abertura das asas dianteira e traseira é mais flexível e abrange pontos onde o antigo DRS não era utilizado, o que afeta a estabilidade dos carros. Movimentos bruscos com o modo ativado podem causar rodadas e batidas, e os pontos de ativação incluem também algumas das chamadas “retas-curvas”.

Algumas das pistas que têm essa característica no traçado são Interlagos, Jeddah — etapa cancelada em 2026 — e Miami, que será a próxima etapa do campeonato de Fórmula 1, em 3 de maio.

(Foto principal: Simon Galloway/LAT Images via Getty Images)