O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, revelou novos detalhes sobre a forma como a entidade que governa a Fórmula 1 está avaliando uma possível volta dos motores V8 à categoria. Embora a ideia ainda esteja em fase de discussão, o dirigente deixou claro que qualquer mudança dependerá do cumprimento de uma série rigorosa de critérios antes de receber aprovação.
O debate sobre o retorno dos V8 ganhou força no início de 2026, quando Ben Sulayem levantou pela primeira vez a possibilidade de a Fórmula 1 abandonar os atuais motores V6 turbo-híbridos em favor de uma configuração aspirada naturalmente. A tecnologia foi utilizada pela última vez no grid da categoria em 2013.
Desde então, várias equipes demonstraram simpatia pela possibilidade de mudança. As atuais regras de motores têm validade prevista até, no máximo, 2031, o que estabelece um prazo definido para que a FIA e os demais envolvidos decidam sobre uma eventual nova geração de unidades de potência. De acordo com as discussões em andamento, o início da década de 2030 aparece como o período mais provável para uma eventual mudança.
Insatisfação com as unidades de potência de 2026 alimenta debate
A discussão sobre uma possível reformulação dos motores também foi impulsionada pela crescente insatisfação com as unidades de potência introduzidas em 2026. Pilotos e equipes fizeram críticas ao nível de dependência da entrega de energia elétrica e às dificuldades de gerenciamento energético que esse sistema pode provocar durante as corridas.
A preocupação está relacionada principalmente à forma como os pilotos precisam administrar a energia disponível ao longo de uma prova. As exigências de recuperação, armazenamento e utilização da energia elétrica podem influenciar diretamente a estratégia e o comportamento dos carros na pista.
Em entrevista à Viaplay, Ben Sulayem afirmou que a FIA está disposta a revisar decisões regulatórias quando elas não produzem os resultados esperados. O presidente reconheceu que a entidade, assim como as equipes, pode cometer erros ou deixar brechas nas regras. “Nós cometemos erros. Também temos brechas, assim como as equipes”, afirmou. “Mas uma coisa que sempre faremos é levantar a mão e corrigir.”
O dirigente também destacou a evolução da disputa nas pistas desde o início da temporada como um sinal de que o trabalho de supervisão e regulamentação da FIA está produzindo efeitos. Ainda assim, qualquer alteração significativa nas regras dos motores precisa superar um processo de aprovação considerado bastante exigente.
Mudança dependeria de amplo acordo entre os envolvidos
Uma eventual alteração na fórmula de motores da Fórmula 1 não depende apenas da decisão da FIA. Fabricantes e empresas responsáveis pelas unidades de potência precisam alcançar uma “supermaioria” de quatro votos entre seis possíveis para aprovar mudanças desse tipo. As equipes também participam das discussões e têm influência no processo.
Esse modelo torna qualquer transformação estrutural um processo de negociação entre diferentes interesses. A FIA precisa considerar as preocupações dos fabricantes, das equipes, dos pilotos e dos demais participantes envolvidos no futuro técnico da categoria.
Por isso, Ben Sulayem evitou apresentar o possível retorno dos V8 como uma decisão já tomada. Em vez disso, descreveu o processo como uma discussão ainda aberta, sem um projeto definitivo estabelecido. Segundo o presidente da FIA, a entidade trabalha na construção de um novo conceito de motor a partir de uma “folha em branco”. A ideia é elaborar um novo documento de referência que estabeleça as prioridades para uma eventual futura geração de unidades de potência.
Som, simplicidade e custos estão entre as prioridades
Entre os principais pontos considerados pela FIA estão a qualidade sonora dos motores para os fãs, a simplicidade mecânica e o controle de custos. Esses elementos aparecem ao lado da sustentabilidade, que continuaria sendo uma exigência fundamental para qualquer nova configuração.
A utilização de combustível sustentável é vista como um dos pilares para garantir que uma eventual mudança de tecnologia não represente um retrocesso em relação às metas ambientais da categoria. Assim, uma possível volta aos motores V8 não seria necessariamente associada ao abandono dos objetivos de sustentabilidade.
Ben Sulayem também afirmou que estudos detalhados sobre custos estão sendo realizados em conjunto com as equipes. A análise financeira é considerada essencial para determinar se uma nova fórmula poderia ser viável para os participantes da categoria.
A busca por uma configuração mais simples e com custos controlados reflete parte das preocupações que cercam o atual modelo de unidades de potência. A complexidade tecnológica e os custos associados ao desenvolvimento dos motores são fatores relevantes nas discussões sobre o futuro da Fórmula 1.
Pilotos terão papel importante nas decisões
Um dos pontos destacados por Ben Sulayem foi a participação dos pilotos no processo de discussão. O presidente da FIA ressaltou que a definição do futuro dos motores não deve ser conduzida apenas pela entidade reguladora, pelas equipes ou pelos fabricantes.
“Nós estamos consultando as equipes, os fabricantes de unidades de potência e também os pilotos”, afirmou. “É importante. Não sou eu, não são as equipes. São os pilotos que dirigem esses carros.”
A declaração reforça a intenção de incluir diretamente os competidores no debate sobre as características dos carros que eles próprios conduzem. A opinião dos pilotos pode ter peso especialmente em questões relacionadas à dirigibilidade, ao gerenciamento de energia e à experiência proporcionada pelas unidades de potência.
Até o momento, não existe uma proposta formal apresentada para substituir os atuais motores. Dessa forma, o futuro da Fórmula 1 continua em aberto, embora as declarações de Ben Sulayem confirmem que existe um processo de consulta em andamento.
Com 2031 estabelecido como o limite máximo para a vigência das atuais regras, a FIA terá até esse período para definir os rumos da próxima geração de motores. Uma eventual volta dos V8, portanto, ainda depende de estudos, consultas e aprovação dos diferentes grupos envolvidos, além de precisar atender aos critérios de som, simplicidade, custos e sustentabilidade considerados essenciais pela entidade.
Foto: (MotorSport Images)



