Em Portland, e com duas provas de antecedência, o piloto espanhol Alex Palou confirmou o seu quarto título na Fórmula Indy, sendo o terceiro de forma consecutiva. A categoria volta a ter um tricampeão em sequência desde Dario Franchitti, que faturou os títulos de 2009 e 2011.
Ser dominante no automobilismo, a ponto de fazer uma dinastia, é um feito para consagrar o piloto e colocar o seu nome na história da categoria em que disputa. Na Fórmula 1 por exemplo, tem Max Verstappen e Lewis Hamilton são recentes quanto o assunto é amplo domínio por temporadas. Se incluir as equipes, Red Bull, Ferrari, Mercedes, Williams e McLaren revezam entre si no topo, por se tratar de uma competição onde quem interpreta melhor o regulamento e se aproveita das brechas para maximizar a performance de um carro, vai levar muita vantagem. O roteiro da Brawn GP está aí para provar.
Para a Indy, vencer de forma tão avassaladora como Palou conseguiu é ainda mais difícil. Por se tratar de uma categoria mais “igualitária” em termos de carro, torna o tricampeonato ainda mais impressionante. Contando com o triunfo em Portland, são nove vitórias em 14 etapas. A efeito de comparação, o saudoso Gil de Ferran venceu 12 corridas em toda a sua carreira nos Estados Unidos.
O equilíbrio é tamanho na Indy onde já aconteceu de ter campeão vencendo apenas uma prova (Will Power – 2022). Para encontrar algum campeonato onde um piloto varreu a concorrência, tem que voltar mais de vinte anos no tempo, mais precisamente nos tempos da CART em 2002, com o título do brasileiro Cristiano da Matta. Naquela temporada, foram sete vitórias em 19 corridas com direito a quatro triunfos consecutivos. Essas performances fizeram que a Toyota o contratasse para a Fórmula 1 em 2003.
Alex Palou na Fórmula 1?
Para Palou, um piloto que competiu com Charles Leclerc na Fórmula 3 e se aventurou no automobilismo japonês antes de se firmar na Indy, ele não vê a ida para a F1 como algo benéfico para sua carreira. “Não me entenda mal, eu adoro a Fórmula 1 e é claro que era meu sonho, mas o momento não é adequado. Por que desperdiçar três ou quatro anos com uma equipe que não consegue vencer? Essa não é a minha ideia de corrida. Quero lutar por vitórias – especialmente na Indy 500 – e campeonatos. É isso que me deixa feliz.”, disse o espanhol após a vitória na Indy 500.
Mesmo com admiradores declarados como James Vowles, o piloto de 28 anos dificilmente sairá de onde é rei para buscar um novo desafio. Pois nem sempre os pilotos que saem da Indy para a Fórmula 1, ainda mais com idade considerada avançada para a categoria se tratando de um estreante (28 anos), é garantia de sucesso. Os nomes de Jacques Villeneuve e Juan Pablo Montoya vem a tona como exceção, e não regra.
Cristiano Da Matta, citado anteriormente, foi demitido em 2004 por conta de desentendimentos com a equipe Toyota. Alessandro Zanardi, piloto italiano com uma história incrível de superação, conseguiu um raro feito de sair da F1, fazer o seu nome e carreira nos EUA, e voltar a pedido de Frank Williams para correr no time de Grove em 1999. O timing foi ruim, com a equipe ficando para trás e só voltando a competir de fato dois anos depois, e as portas se fecharam de vez na categoria.
Talento, Palou mostrou que tem. E assim como tantos outros pilotos de alto nível na Indy e que nunca correram na F1 como Tony Kanaan, Hélio Castroneves e Scott Dixon, não precisa trocar onde está muito bem para se aventurar em algo que pode trazer frustração. Sua carreira está consolidada por lá e, a não ser que venha um convite de uma das grandes equipes, não tem o porque de sair.