O ex-diretor da equipe Haas de Fórmula 1, Guenther Steiner, acredita que, se o regulamento de 2026 não funcionar para o heptacampeão Lewis Hamilton, seu tempo na categoria estará “acabado”.
Hamilton ingressou na Ferrari no início de 2025, após 12 anos na Mercedes. Embora as expectativas para a chegada do piloto britânico fossem altas, ele não conseguiu se adaptar à equipe tão rapidamente quanto esperava. Os fãs viram um vislumbre de sucesso com a vitória de Hamilton na corrida de sprint chinesa no início da temporada, mas ele não conseguiu terminar acima do quarto lugar em um Grande Prêmio.
O piloto de 40 anos disse à imprensa durante o Grande Prêmio da Hungria que era “inútil” e que a Ferrari talvez devesse considerar um piloto diferente.
“Ele não é inútil, mas no momento não está entregando o que se esperava dele”, comentou Steiner ao Web.de sobre as declarações de Hamilton. “Ele está insatisfeito consigo mesmo. E as expectativas do público são enormes – talvez grandes demais.”, seguiu.
“O fato é: ele não está se adaptando à Ferrari. A comparação direta com seu companheiro de equipe é sempre a mais reveladora. E aí você pode ver: Charles Leclerc é melhor. Eu sempre disse que era preciso dar tempo a Hamilton até o verão. Mas, do jeito que as coisas estão, ele simplesmente não correspondeu às expectativas.”, decretou Steiner.
Steiner argumentou que o piloto da Ferrari perdeu a autoconfiança desde que se mudou para a equipe de Maranello. “Ele perdeu a autoconfiança.”, disse Steiner. “Se você não acredita mais em si mesmo, não consegue ter um bom desempenho”, acrescentou o ex-chefe da Haas. “Só precisamos lembrar: quando sua ida para a Ferrari foi anunciada, foi uma grande euforia — até para mim.”, continuou.
“O heptacampeão mundial na Scuderia… parecia um conto de fadas. E, claro, ele próprio esperava muito disso. Mas quando a realidade não corresponde às expectativas, você perde a fé em si mesmo.”, explicou.
O ex-diretor da equipe Haas afirmou que as férias de verão serão um “momento de reflexão” para Hamilton e resultarão em seu retorno “mais relaxado”, levando a uma melhora no desempenho, ou em sua saída do campeonato no final do ano.
“Talvez ele volte depois das férias mais relaxado e o desempenho melhore. Mas talvez não, e aí eu poderia muito bem imaginá-lo dizendo no final do ano: ‘Chega. Não vou me submeter a mais um ano disso’. Ele tem muitos interesses fora da Fórmula 1, ele é uma marca por si só. Muitos pilotos precisam da F1 como plataforma. Lewis não precisa mais. E isso torna mais fácil para ele traçar um limite.”, contou Steiner.
Ele acrescentou: “Lewis teve dificuldades com os novos carros de efeito solo desde o início. E em 2026, haverá novos carros, novos motores, e ninguém sabe quem estará forte lá. Talvez ele diga: ‘Vou tentar’. Mas se isso também não funcionar, acabou. E não de um dia para o outro — se ele quisesse se aposentar, ele comunicaria a tempo para que a equipe pudesse encontrar um substituto.”, concluiu.
Qual é a perspectiva de Hamilton para 2026?
Lewis Hamilton atravessa um dos períodos mais desafiadores de sua carreira. Desde sua saída da Mercedes e chegada à Ferrari em 2025, havia grande expectativa de um renascimento competitivo, mas a realidade foi bem diferente.

A diferença de desempenho em relação Charles Leclerc gerou questionamentos não apenas sobre a adaptação de Hamilton ao carro da Ferrari, mas também sobre sua motivação e capacidade de competir em alto nível contra uma geração mais jovem e agressiva. A cada GP, aumenta a pressão para que o britânico reencontre sua melhor forma.
No entanto, a temporada 2026 pode representar um divisor de águas. Com a introdução de um novo regulamento técnico, focado em motores mais sustentáveis, carros menores e mudanças aerodinâmicas significativas, o grid será, mais uma vez, embaralhado. Esse tipo de reset regulatório já foi palco de reviravoltas históricas na categoria e é exatamente disso que Hamilton pode se beneficiar.
O britânico já demonstrou ao longo da carreira que sabe tirar proveito de períodos de transição. Foi assim em 2014, quando a Mercedes dominou a era híbrida, e pode ser novamente em 2026, caso a Ferrari consiga interpretar bem o novo regulamento. Mais do que isso, Hamilton terá a chance de contribuir ativamente no desenvolvimento do novo carro, utilizando sua experiência para ajudar a moldar um projeto competitivo desde o início.
Apesar da fase atual decepcionante, é imprudente descartar Hamilton. Sua longevidade no esporte, o histórico de recuperação em situações adversas e sua capacidade técnica ainda fazem dele um nome relevante no cenário da Fórmula 1. A temporada 2026 poderá ser sua última grande chance de voltar ao topo e talvez até buscar o tão sonhado oitavo título mundial.
Em um esporte onde tudo pode mudar de um ano para o outro, a aposta é que com um novo carro, novas regras e um novo ciclo, Hamilton possa também escrever um novo capítulo em sua lendária carreira.
(Imagem de capa: Divulgação)