Gabriel Bonfim UFC Vegas 111
Lutas UFC

Gabriel Bonfim: a ascensão de um novo protagonista brasileiro no UFC

O Brasil volta a ter um nome forte emergindo nos holofotes do UFC. Gabriel “Marretinha” Bonfim, de 28 anos, representa a nova geração de lutadores brasileiros que não apenas carregam o talento natural, mas também o profissionalismo e a mentalidade moderna exigidos pelo cenário atual do MMA. Sua trajetória meteórica dentro do Ultimate, combinando técnica refinada, personalidade calma e resultados expressivos, o coloca como um dos principais nomes em ascensão na divisão dos meio-médios (até 77 kg).

Mais do que um prospecto, Bonfim começa a se firmar como realidade. Suas performances, desde a estreia até a vitória sobre o veterano Stephen “Wonderboy” Thompson, mostram um lutador em franca evolução, e um possível futuro integrante do top 10 da categoria mais competitiva do esporte. Agora, ele retorna no UFC Vegas 111, no main event, para tentar aumentar o seu hype.

Da promessa ao profissional consolidado

Natural de Brasília e formado nas bases do Cerrado MMA, Gabriel Bonfim é o típico caso de lutador que subiu degrau por degrau. Antes de chegar ao UFC, dominou o cenário nacional com finalizações rápidas e um estilo agressivo, mas inteligente. Junto com seu irmão, Ismael Bonfim, também atleta do UFC, Gabriel se destacou no Contender Series em 2022, finalizando seu adversário em menos de dois minutos e garantindo contrato com a organização.

Desde que estreou no MMA, o brasileiro construiu um cartel quase impecável: 17 vitórias e apenas uma derrota, sendo 13 delas por finalização, números que revelam um nível técnico acima da média. Suas guilhotinas e estrangulamentos são marca registrada, mas o que vem chamando mais atenção é sua versatilidade. Diferente de muitos finalizadores clássicos, Bonfim é um lutador que também se sente confortável na trocação e demonstra evolução constante no controle de distância e defesa de quedas.

A derrota que serviu de aprendizado

Todo lutador em ascensão precisa enfrentar um momento de queda para amadurecer. O de Bonfim veio em novembro de 2023, quando sofreu sua primeira derrota na carreira para Nicolas Dalby. O revés, embora doloroso, serviu como divisor de águas.

Na época, Bonfim admitiu ter se deixado levar pelo ritmo frenético da luta e pela pressão de estar invicto. Desde então, sua abordagem mudou. Passou a trabalhar com foco no preparo físico, na paciência estratégica e na adaptação durante os rounds. O resultado dessa evolução ficou evidente em 2024 e 2025, quando engatou uma sequência de vitórias convincentes.

Em fevereiro de 2025, finalizou Khaos Williams com uma guilhotina no segundo round, conquistando o prêmio de Performance of the Night. Mas foi em julho, no UFC Nashville, que Bonfim deu o salto mais significativo de sua carreira.

A vitória sobre Stephen Thompson: o divisor de águas

Enfrentar Stephen “Wonderboy” Thompson, ex-desafiante ao cinturão e ícone do striking, foi o teste perfeito para medir o verdadeiro nível de Gabriel Bonfim. E ele passou com nota alta.

Em um duelo tático e intenso, o brasileiro alternou quedas e pressão em pé, neutralizando o jogo de distância de Thompson e saindo vencedor por decisão dividida, uma das vitórias mais importantes de sua trajetória até aqui.

A luta serviu não apenas para consolidar seu nome dentro da categoria, mas também para mostrar que Bonfim não é mais apenas um talento técnico: ele é agora um competidor maduro, capaz de seguir uma estratégia e resistir à pressão de grandes eventos.

A mentalidade de campeão

Bonfim tem um diferencial que poucos lutadores jovens conseguem dominar cedo: o controle mental. Ele é frio, disciplinado e evita o comportamento impulsivo dentro e fora do octógono. Ao contrário de muitos prospectos que se perdem no hype, Gabriel mantém o discurso equilibrado.

Essa mentalidade é reflexo do ambiente em que foi criado. Ao lado do irmão Ismael, ele sempre treinou em academias que valorizam o coletivo, e isso moldou seu perfil de atleta comprometido com o processo, não apenas com o resultado.

No UFC, isso se traduz em uma trajetória coerente. Ele não busca saltos apressados no ranking, mas quer provar seu valor luta após luta. Ainda assim, após a vitória sobre Thompson, já deixou claro que deseja enfrentar nomes de maior expressão, como Colby Covington ou Vicente Luque, para testar-se no mais alto nível.

Evolução técnica e estilo moderno

A ascensão de Bonfim não é apenas resultado de talento natural, é consequência de adaptação e estudo. Ele representa uma nova geração de lutadores brasileiros que entenderam a importância da preparação multidisciplinar.

Nos últimos anos, Gabriel aprimorou sua movimentação em pé, tornando-se mais imprevisível. Sua base hoje lembra a dos melhores lutadores modernos: combina chutes baixos, controle de distância e um timing apurado para contra-ataques. No chão, continua letal. Suas transições para finalizações são rápidas, fluidas e técnicas — reflexo de anos de jiu-jitsu refinado adaptado para o MMA.

Analistas internacionais já o apontam como um dos grapplers mais perigosos da categoria, mas o que mais impressiona é a forma como ele integra todas as áreas do jogo. Bonfim luta de forma conectada, sem depender de um único recurso.

Com apenas alguns anos de carreira no UFC, Gabriel Bonfim já conquistou respeito de fãs e analistas. Se mantiver o ritmo atual e continuar evoluindo, pode não demorar até que seu nome entre na conversa pelo cinturão dos meio-médios.

(Foto: Zuffa LLC)