João Fonseca chegou na segunda rodada de todos os Grand Slams de 2025, mas os resultados não parecem ser suficientes para o público. Apesar de um bom jogo, contra um tenista que devolviam toda e qualquer bola, o brasileiro foi eliminado do US Open.
Como já virou de costume, pessoas que pouco acompanham tênis resolveram tecer comentários. Um deles foi o histórico narrador Galvão Bueno. O esporte nunca foi o foco do profissional, que sempre trabalhou mais com futebol e Fórmula 1. No entanto, tem sido comum que o jornalista fale sobre João após algum resultados.
Sua opinião não é tão diferente daquelas que vem de pessoas que não acompanham muito a modalidade. Falam de forma genérica sobre ‘mental’, ‘muitos erros’, ‘agressividade desnecessária’, contudo sem realmente se aprofundarem no assunto. Não só isso, mas muitos também insistem que o erro de Fonseca pode ser na sua equipe técnica.
Galvão, nome reconhecido em todo o Brasil, ecoou algumas dessas opiniões. Em sua rede social, o narrador escreveu um pequeno texto após a derrota do jovem de 19 anos:
“Derrota dura de João Fonseca contra o tcheco Tomas Machac!! Por partes: é muito difícil jogar a segunda rodada de um Grand Slam contra uma fera como o número 22 do mundo!! Mas o jogo foi estranho! Depois de um primeiro set espetacular dos 2 jogadores, João perdeu o tiebreak, entrou em um buraco e ali perdeu o jogo!! Foram sumindo o jogo, a força mental e o entusiasmo!! João foi se abatendo e cometendo erros primários.
Contra um adversário forte defensivamente como o tcheco hoje, isso vira fatal!! 7/6, 6/2 e 6/3!! Respostas vem junto com a derrota! João, com 19 anos é um grande jogador, é o futuro, mas ainda não está pronto!! Talvez seja o momento de mexer na preparação. Na técnica, na forma de jogar e principalmente alguém que tenha o conhecimento de como fazer pra transformar um menino em um adulto absolutamente vencedor!! Força, João. Às vezes, dói muito, mas vc chega lá!!”
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Comentários leigos sobre João Fonseca
Vários desses comentários foram feitos após a derrota de João Fonseca. Mas será que as pessoas sabem ou entendem o que estão falando? Por exemplo, cada vez mais é pedido para que o brasileiro troque de técnico. No entanto, não parecem considerar que foi com Gui Teixeira que João pulou do top 700 para o top 50 em menos de dois anos.
Além disso, Fonseca também conta com Franco Davin em sua equipe. Ex-tenista, o profissional foi técnico de Juan Martín del Potro quando o argentino foi campeão do US Open de 2009. Delpo afirmou, na época, que o treinador foi o responsável pela incrível campanha no Grand Slam.
Outra questão: “Foram sumindo o jogo, a força mental e o entusiasmo”. Até poucos meses atrás, a força mental do jovem de 19 anos era uma de suas características mais elogiadas por todos. Realmente mudou tanto assim ou João apenas enfrentou um adversário que não deu brechas para responder?
Por que essas mudanças repentinas de pensamento ao falar sobre um tenista tão novo? O brasileiro é um fenômeno, mas joga sozinho e, em quadra, viverá altos e baixos em toda a sua carreira. Uma derrota não significa que precisa mudar tudo e que se tornou um jogador horrível do nada. Faz parte de sua evolução.
Além disso, vamos compreender também como João Fonseca esteve bem no US Open, mesmo com a derrota. Nas competições anteriores, o tenista parecia tenso e forçando uma mudança que não aparentava estar pronto para fazer. Ajustes serão necessários, mas não de uma vez e de forma repentina.
Isso significa que Galvão ou outros leigos não possam opinar? Poder, pode, estamos em um país livre. Mas, se o fizer, seria bom que fizesse uma pesquisa maior e procurasse entender mais sobre o esporte em questão. Contudo, outro problema que o profissional precisa entender é que seu nome pesa.
E, consequentemente, sua opinião também. Com a opinião que expôs, ficou claro que não tem tanto conhecimento sobre os detalhes acerca do carioca. Mesmo assim, seus argumentos serão usados por diversas outras pessoas.

Aumento do público e futebolização do tênis
João Fonseca furou a bolha e trouxe consigo um grande público. O problema é que o maior esporte do Brasil é o futebol, onde a cultura não é lá muito boa. Há o costume, por exemplo, de pedir a demissão de um técnico com qualquer derrota. Isso não acontece (e nem deve) no tênis.
É ótimo que mais pessoas estejam acompanhando o esporte, mas é preciso aprenderem algumas coisas. Não, João não irá trocar de treinador apenas porque perdeu ou quando estiver passando por uma fase ruim. Haverá várias tentativas de consertar o que está dando errado antes de tomar esse passo.
Outro fator: Fonseca está sozinho em quadra. Sabe quando um jogador de futebol não está muito bem naquele dia específico e o técnico o substitui? Isso é impossível no tênis, e o brasileiro terá dias ruins. É impossível ganhar todos os jogos, mesmo que esse seja o objetivo, pois ninguém entra em quadra para perder.
Mais uma coisa, e parece que estamos com uma tecla quebrada de tanto repetir isso: João Fonseca tem apenas 19 anos, recém completado, aliás. Em seu caminho, irá sofrer muitas derrotas, algumas bem dolorosas e outras até humilhantes. Faz parte do que é esse esporte e o público brasileiro precisa se acostumar a isso.
Por fim, há uma alta expectativa no que o carioca pode fazer no circuito, até porque seu talento é muito grande. Só que isso é no futuro. Tanto o tenista quanto a sua equipe possuem esse foco: o sucesso futuro. Fonseca passa por um processo e até mesmo seu calendário, que é tão criticado, é pensado na sua evolução.
E nesse caso, usarei as palavras de alguém que passou pelo circuito da ATP, Fernando Meligeni. No programa ‘Pelas Quadras’, da ESPN, o ex-tenista falou sobre a derrota e deixou a situação bem clara: “João tá em ascensão, tá experimentando. Existe o cara que quer ser campeão hoje e o que quer ser campeão fazendo as coisas certas.”
Foto: Imagn Images



