A volta de Roberto Mancini ao comando da seleção italiana pode provocar mudanças importantes na disputa por espaço dentro da equipe. Após retomar o trabalho interrompido em 2023, o treinador reencontra uma Itália com novos nomes surgindo, jogadores em busca de recuperação e diferentes possibilidades para definir o sistema utilizado nos próximos compromissos.
Neste cenário, um possível retorno ao 4-3-3 aparece como um dos principais pontos de atenção. A formação pode favorecer atletas que atuam abertos no ataque e tiveram menos espaço recentemente, enquanto jogadores acostumados a ocupar toda a faixa do campo, como Dimarco e Palestra, podem perder parte da liberdade ofensiva que teriam como alas.
Dessa forma, o retorno de Mancini também abre uma nova disputa por protagonismo. Alguns jogadores carregam uma relação anterior com o treinador, enquanto outros precisam aproveitar o momento nos clubes para entrar em seus planos. A concorrência passa pelos três setores da equipe e deixa poucas posições completamente definidas.
Zaniolo e Orsolini podem ganhar novo espaço na Itália
Nicolò Zaniolo aparece como um dos jogadores que podem ser beneficiados pela mudança no comando. Foi Mancini quem promoveu sua estreia pela seleção italiana, assim como aconteceu com Pafundi, o que cria uma ligação importante entre o atleta e o treinador. Agora, após superar os atritos com a Udinese, o atacante se prepara para disputar outra temporada como protagonista no clube.
O 4-3-3 também pode oferecer uma função mais adequada para Zaniolo. Com pontas ocupando os lados do ataque, o jogador passa a ter uma possibilidade mais clara de encaixe. Porém, uma antiga relação com o treinador não garante seu retorno. O desempenho na Udinese será importante para transformar essa proximidade em uma nova oportunidade com a camisa da Itália. Na mesma faixa do campo, Riccardo Orsolini surge como outro candidato. O jogador está próximo de renovar seu contrato e já alcançou o status de uma das principais referências do Bologna. Neste caso, sua continuidade no clube pode ajudar a manter a regularidade necessária para entrar novamente na disputa por espaço na seleção.
A concorrência, porém, não ficará restrita aos dois. Pelo outro lado do ataque, Federico Chiesa e Mattia Zaccagni também esperam começar uma nova etapa. Chiesa busca recuperar seu melhor nível no Liverpool, agora sob o comando de Andoni Iraola, que assumiu o lugar de Arne Slot. Já Zaccagni tenta reagir depois de uma temporada negativa pela Lazio.
Sendo assim, Mancini pode encontrar diferentes opções para recuperar uma característica importante de sua primeira passagem: a presença de atacantes abertos pelos lados. Ao mesmo tempo, o cenário coloca pressão sobre os próprios jogadores. Zaniolo, Orsolini, Chiesa e Zaccagni chegam a este momento com motivos diferentes para buscar uma retomada, mas todos precisam mostrar que ainda podem ocupar uma função importante na Itália.
Disputa também passa pelo centro do ataque e meio-campo da Itália
A última partida da primeira passagem de Mancini pela seleção ajuda a entender o ponto de partida do treinador. Em 18 de junho de 2023, a Itália venceu a Holanda por 3 a 2 e terminou aquela edição da Nations League na terceira colocação. Na ocasião, o time começou com Donnarumma; Toloi, Acerbi, Buongiorno e Dimarco; Frattesi, Cristante e Verratti; Gnonto, Retegui e Raspadori.
Desde então, novas alternativas ganharam força. No centro do ataque, Mancini terá que escolher entre Kean, Retegui e Pio Esposito. Os três aparecem como candidatos à vaga de referência ofensiva, deixando aberta uma das decisões mais importantes para a montagem da equipe. Antes de definir o titular, o treinador precisará avaliar quem consegue aproveitar melhor o espaço entre os pontas.
A organização do meio-campo também promete gerar concorrência. Nicolò Fagioli e Manuel Locatelli devem disputar a função mais central, responsável por conduzir a saída de bola e organizar o setor. Bryan Cristante aparece como uma alternativa capaz de exercer diferentes funções, enquanto Barella surge como o nome mais consolidado para uma das vagas como meio-campista. Atrás deles, Ndour e Pisilli começam a ganhar força como opções para o futuro. Ainda que não apareçam inicialmente à frente da disputa, os dois podem aumentar a concorrência com o passar do tempo. Dessa forma, Mancini terá que equilibrar jogadores que já fizeram parte de seus planos com nomes que cresceram durante o período em que esteve fora da seleção.
Na defesa, Di Lorenzo e Calafiori podem oferecer alternativas mais cautelosas pelas laterais. Já na região central, Gianluca Mancini e Alessandro Bastoni começam como os nomes com menos concorrência. A situação, porém, pode mudar com o avanço de jovens como Mane, Chiarodia, Reggiani e Natali, considerados jogadores em ascensão.
Donnarumma permanece como referência no gol, mas grande parte da equipe ainda precisa ser definida. O retorno de Mancini não significa apenas recuperar jogadores utilizados anteriormente. O treinador também encontra uma seleção em processo de renovação, com diferentes gerações disputando espaço e funções que podem mudar conforme o sistema escolhido.
O fato é que o possível retorno ao 4-3-3 pode reabrir caminhos para nomes como Zaniolo, Orsolini, Chiesa e Zaccagni. Porém, o desafio de Mancini será maior do que escolher os pontas. Da referência ofensiva até a formação da defesa, o treinador terá que construir uma nova hierarquia e decidir quais jogadores realmente merecem participar desta retomada da seleção italiana.
Créditos da foto de capa: Getty Images.



