A seleção italiana inicia uma nova etapa com um rosto bastante conhecido no comando. Roberto Mancini está oficialmente de volta ao cargo de técnico da Azzurra após a decisão da Federação Italiana de Futebol (FIGC) de recolocá-lo à frente da equipe nacional. O treinador retorna depois de um período marcante entre 2018 e 2023, quando liderou a reconstrução da Itália, conquistou a Eurocopa de 2020, disputada em 2021, e estabeleceu a maior sequência de jogos sem derrotas da história da seleção italiana até então.
A volta de Mancini acontece em um contexto diferente daquele encontrado em sua primeira passagem. Diversos jogadores que foram protagonistas da conquista continental já não fazem parte do grupo ou perderam espaço, enquanto uma nova geração ganhou força tanto na Serie A quanto no futebol europeu. O desafio do treinador será justamente unir a experiência dos atletas mais consolidados com jovens que chegam cercados de expectativa para formar uma seleção competitiva visando os próximos torneios internacionais.
Além da mudança no comando técnico, a estrutura da seleção também passa por alterações importantes. Claudio Ranieri assumirá a função de diretor técnico da Federação e também será presidente do Club Italia, enquanto a FIGC ainda pretende nomear um novo dirigente para coordenar as seleções nacionais e supervisionar as categorias de base.
O objetivo é criar um ambiente mais integrado entre todas as equipes da federação, facilitando a transição dos jovens talentos até a seleção principal.
O 4-3-3 deve continuar sendo a base da seleção italiana

Se existe uma marca registrada das equipes de Roberto Mancini, ela é a organização tática aliada à valorização da posse de bola e da intensidade ofensiva. Durante sua primeira passagem pela seleção italiana, o treinador consolidou o 4-3-3 como sistema principal, modelo que deve voltar a ser utilizado neste novo ciclo.
A ideia é manter uma equipe equilibrada, capaz de controlar o jogo através da circulação da bola e da participação ativa dos laterais no ataque. Ainda assim, Mancini possui flexibilidade suficiente para adaptar o esquema de acordo com as características dos jogadores disponíveis.
Uma das alternativas mais prováveis é a utilização do 4-2-3-1 em determinadas partidas. Nesse desenho, um meia mais criativo atuaria atrás do centroavante, enquanto dois volantes ofereceriam maior sustentação defensiva. Essa possibilidade abre espaço para que jogadores de perfil ofensivo tenham mais liberdade para criar jogadas sem comprometer o equilíbrio da equipe.
Na defesa, Gianluigi Donnarumma permanece como uma das grandes certezas da seleção. Capitão da equipe e um dos goleiros mais respeitados do futebol europeu, ele continuará sendo um dos pilares do projeto.
À sua frente, a tendência é que a linha defensiva misture experiência e renovação. Palestra aparece como favorito para assumir a lateral direita, enquanto Giovanni Di Lorenzo surge como alternativa. Pela esquerda, Federico Dimarco continua sendo considerado um titular praticamente incontestável graças à sua qualidade ofensiva e capacidade de construção.
No miolo da defesa, a disputa promete ser uma das mais equilibradas do elenco. Alessandro Bastoni e Riccardo Calafiori despontam como favoritos para formar a dupla titular, mas nomes como Alessandro Buongiorno, Gianluca Mancini, Giorgio Scalvini e Matteo Gabbia também entram na disputa. Além deles, jovens como Reggiani, Ahanor, Chiarodia e Mané representam opções para o futuro da seleção.
Meio-campo consolidado e ataque marcado pela renovação

O setor que parece oferecer menos dúvidas para Roberto Mancini é o meio-campo.
Sandro Tonali e Nicolò Barella aparecem como as duas principais referências da equipe. Ambos combinam intensidade, qualidade técnica e capacidade para atuar em diferentes funções dentro do sistema do treinador.
Barella, em especial, chega como uma das principais lideranças técnicas da nova Itália. Sua experiência em grandes competições e a capacidade de influenciar tanto ofensiva quanto defensivamente fazem dele um jogador praticamente indispensável.
Ao lado dos dois, resta definir quem assumirá a função de organizador da equipe. Manuel Locatelli, Bryan Cristante e Nicolò Fagioli disputam esse espaço, cada um oferecendo características diferentes. Enquanto Locatelli apresenta maior qualidade na saída de bola, Cristante oferece força física e equilíbrio defensivo. Já Fagioli se destaca pela criatividade e pela capacidade de acelerar a circulação da posse.
As opções não param por aí. Lorenzo Pellegrini continua sendo uma alternativa importante para atuar mais avançado, enquanto jovens como Niccolò Pisilli e Cher Ndour começam a ganhar espaço após boas atuações nas competições nacionais.
O ataque talvez seja o setor que mais simboliza o momento de renovação vivido pela seleção italiana.
Pio Esposito surge como um dos candidatos naturais à posição de centroavante, mas divide espaço com nomes mais experientes como Moise Kean e Mateo Retegui. A concorrência ainda inclui duas das principais promessas do futebol italiano, Francesco Camarda e Samuele Inacio, jogadores que representam o futuro da posição.
Pelas pontas, a quantidade de alternativas chama atenção. Riccardo Orsolini, Federico Chiesa, Nicolò Zaniolo, Mattia Zaccagni e Matteo Politano oferecem experiência em alto nível, enquanto Alessandro Fini, Luca Koleosho e Mattia Liberali representam a nova geração que começa a surgir.
Entre esses nomes, Liberali aparece como um dos atletas que mais despertam expectativa. Suas características técnicas e criatividade fazem com que muitos o apontem como um possível protagonista deste novo ciclo comandado por Mancini.
A experiência de Mancini pode acelerar o desenvolvimento da nova geração italiana

O principal diferencial de Roberto Mancini talvez não esteja apenas em sua capacidade tática, mas também na forma como costuma trabalhar com jovens jogadores.
Durante sua primeira passagem pela seleção, diversos atletas receberam oportunidades ainda muito cedo e acabaram se consolidando como peças importantes da equipe campeã da Eurocopa. Essa característica pode voltar a fazer diferença agora, em um momento em que o futebol italiano apresenta uma geração promissora.
Ao mesmo tempo, Mancini encontra uma base experiente capaz de oferecer estabilidade durante essa renovação.
Donnarumma, Bastoni, Barella, Tonali, Dimarco e Chiesa já disputaram competições de alto nível e conhecem o funcionamento da seleção nacional.
Essa combinação entre jogadores consolidados e jovens talentos pode permitir uma transição mais equilibrada, evitando mudanças bruscas e mantendo a competitividade da equipe.
Naturalmente, ainda será necessário observar quais atletas confirmarão espaço ao longo das próximas convocações e de que maneira Mancini distribuirá funções dentro do sistema tático. Entretanto, os primeiros indícios apontam para uma Itália que preservará sua identidade construída nos últimos anos, mas com uma renovação gradual do elenco.
Depois de conduzir a Azzurra ao título europeu e transformar uma seleção desacreditada em campeã continental, Roberto Mancini retorna com a missão de recolocar a Itália entre as principais forças do futebol mundial. Desta vez, o desafio será diferente, mas a estratégia parece seguir o mesmo caminho: apostar em uma base sólida, valorizar jovens talentos e construir uma equipe capaz de competir em alto nível durante muitos anos.
(Foto de capa: EPA-EFE/ANDY RAIN)



