A Copa do Mundo tem mostrado que não existe apenas uma forma de ser decisivo no futebol. Em um torneio que reúne alguns dos maiores nomes do planeta, jogadores completamente diferentes estão conseguindo chegar ao mesmo resultado: protagonismo.
Lionel Messi, Kylian Mbappé, Erling Haaland, Vinicius Júnior, Michael Olise, Harry Kane e Mikel Oyarzabal vivem grandes momentos na competição. Porém, o mais interessante é justamente perceber como cada um deles domina os jogos de uma maneira diferente. Alguns precisam tocar muitas vezes na bola. Outros aparecem pouco, mas são letais quando a chance surge. Há quem decida pela velocidade, quem controle o ritmo, quem encontre passes improváveis e quem simplesmente saiba estar no lugar certo.
Neste cenário, a Copa do Mundo também ajuda a mostrar a riqueza do futebol atual. Não existe um único perfil de craque. O que existe são caminhos diferentes para impactar uma partida.
Estilos diferentes com impacto parecido na Copa do Mundo
Aos 39 anos, Messi segue sendo a grande referência técnica da Argentina. Mesmo sem precisar correr o tempo inteiro, o camisa 10 continua lendo o jogo como poucos. Ele aparece pelo lado direito, busca o centro, recua para organizar e também surge perto da área para decidir. Com seis gols em seis jogos na Copa do Mundo, o argentino mostra que sua influência ainda vai muito além da finalização. A Argentina joga em torno dele porque Messi ainda entende melhor do que quase todos onde deve estar.
Mbappé, por outro lado, é um jogador de impacto mais direto. O francês costuma partir do lado esquerdo, mas também aparece pelo centro e troca bastante de posição no ataque. Com seis gols e duas assistências, ele vem sendo uma das grandes forças da França. Sua principal arma continua sendo a mesma: atacar espaços em velocidade e transformar qualquer descuido defensivo em uma situação de perigo. Não por acaso, o craque do Real Madrid já soma 18 gols em Copas do Mundo e segue na briga para se tornar o maior artilheiro da história do torneio.
Enquanto isso, Haaland representa outro tipo de domínio. O norueguês não precisa participar tanto da construção. Seu jogo está muito ligado à área, ao posicionamento e à finalização. Até aqui, o atacante marcou cinco gols em três partidas, mesmo tendo sido poupado em um jogo da fase de grupos da Copa do Mundo. O mais impressionante é que Haaland consegue passar longos períodos sem aparecer tanto, mas basta uma bola chegar em boas condições para mudar tudo.
Já Vinicius Júnior é o desequilíbrio pelo lado do campo. Aberto pela esquerda, o brasileiro usa velocidade, drible e explosão para quebrar marcações. Com quatro gols e uma assistência, ele tem sido o principal nome da Seleção Brasileira. Além disso, marcou nos três jogos da fase de grupos, algo que poucos brasileiros conseguiram em uma Copa do Mundo. É verdade que Vini tem uma zona mais definida do que Messi ou Mbappé, mas isso não torna seu jogo menos perigoso. Pelo contrário. Mesmo sabendo onde ele gosta de receber, os adversários seguem tendo muita dificuldade para pará-lo.
A Copa do Mundo também é decidida por inteligência e criação
Se Mbappé e Vinicius aceleram o jogo, Michael Olise tem feito a diferença de outra maneira. O francês se destaca pela capacidade de encontrar espaços onde quase ninguém enxerga. Atuando entre linhas, principalmente próximo da entrada da área, ele vem sendo fundamental na criação da França. Com cinco assistências, Olise é o principal garçom da Copa do Mundo até aqui. Além disso, sua conexão com Mbappé aumenta ainda mais o poder ofensivo da seleção francesa, já que um se movimenta para atacar os espaços enquanto o outro encontra o passe.
Ao mesmo tempo, Harry Kane também mostra que um centroavante pode ser muito mais do que um finalizador. O inglês já soma cinco gols na competição, mas sua importância não aparece apenas na bola na rede. Kane recua, participa da construção, abre espaço para os companheiros e depois volta para a área para finalizar. Essa capacidade de jogar longe e perto do gol torna o atacante muito difícil de marcar. Além disso, também é importante lembrar que o atleta se tornou o maior artilheiro da Inglaterra em Copas, superando Gary Lineker.
Oyarzabal fecha esse grupo mostrando a força da inteligência tática. O espanhol não tem o mesmo impacto físico de Mbappé ou Vinicius, nem vive apenas da área como Haaland. Seu diferencial está na leitura dos espaços. Ele aparece entre linhas, chega de trás para finalizar e também consegue participar da criação quando necessário. Com quatro gols e uma assistência, o jogador virou peça importante da Espanha e reforçou a confiança de Luis de la Fuente, que já o colocou entre os grandes nomes da seleção.
No fim, a grande marca desta Copa do Mundo é justamente essa variedade. Os maiores destaques até aqui são jogadores de estilos diferentes, funções diferentes e características diferentes. Ainda assim, todos chegam ao mesmo ponto: decidem partidas.
Créditos da foto de capa: Getty Images.