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Gerard Piqué: estrague só o futebol, fique longe do tênis

Nesta última semana, Gerard Piqué, ex-jogador espanhol e ídolo do Barcelona, participou do podcast de Iker Casillar, ex-goleiro. Com várias opiniões polêmicas, o ex-zagueiro afirma que o tênis precisa passar por mudanças. Entre as alterações, está o fim do segundo saque.

Hoje empresário esportivo, Piqué é o criador da Kings League. Torneio de futebol society que conta com regras bem diferentes do esporte clássico. Focando em transformar o esporte em um show midiático, faz com que seja mais curto e, de certa forma, mais emocionante. Agora, o ex-jogador insiste em fazer o mesmo no tênis.

Gerard Piqué e o tênis

Piqué foi responsável por mudanças na Copa Davis. Foto: ITF

Não é de hoje que Gerard Piqué se envolve no mundo do tênis. Em 2019, a Copa Davis mudou alguns detalhes nas finais. O que antes era disputado em cinco sets, se tornou jogos de três. A mudança ocorreu porque o grupo Kosmos, do ex-zagueiro, passou a gerenciar o torneio.

O acordo foi desfeito, em uma ruptura unilateral, três anos depois. Os fãs do esporte não aprovaram o envolvimento do ex-jogador de futebol. Mesmo assim, Piqué agora voltou a opinar sobre tênis:

“Tentamos mudar certas coisas e não há jeito. A ITF não quer mudar nada. Por que se serve duas vezes no tênis? São 30 segundos a mais de uma pessoa batendo a bola no chão. As pessoas não querem ver isso. Também não querem ver um jogo de cinco minutos com 40-40, vantagem, 40-40. Teria que se colocar um ponto de ouro a 40-40.”

Fim do segundo serviço

Aryna Sabalenka
Aryna Sabalenka sacando em partida. Foto: Getty Images

O saque, para o tênis, é um dos fundamentos mais importantes, senão o mais importante. Hoje em dia, pode não ser tão decisivo como já foi no passado, pois a devolução se tornou um fator extremamente relevante. No entanto, o primeiro e segundo serviço fazem parte da estratégia do jogador.

Gerard Piqué fala que as pessoas não querem ver “uma pessoa batendo bola no chão” entre um saque e o outro. Mas o ex-jogador não parece levar em consideração a tensão de assistir à partida e ver um tenista errar o primeiro saque e precisar acertar o segundo.

Vamos considerar a seguinte situação: Aryna Sabalenka enfrenta Iga Swiatek na final de Roland Garros. Se trata do top 2 atual do ranking da WTA e o próximo Grand Slam de 2025. A número 1 vai sacar para ser campeã e o game está em 40-30 para ela. Só que a bielorrussa erra seu primeiro saque e vai para o segundo.

Caso o conselho de Piqué fosse seguido, o game ficaria em 40-40. Sem maiores pressão, sem tensão, sem expectativa. Para aqueles que não estão acostumados com tênis, pode até ser uma boa solução. Para aqueles que são apaixonados, assistir um tenista vencer o ponto no segundo serviço em um momento de pressão como esse é algo incrível.

Ainda, qual a estratégia para o segundo saque? O tenista irá se manter agressivo ou vai apenas colocar a bola em quadra? Vai tentar algo novo ou manter o que já foi usado? Falar em acabar com o segundo serviço é falar em terminar um dos fatores mais importantes do tênis.

E se o argumento para o fim do fundamento é apenas o tempo, há outras maneiras de lidar com isso.

Ponto de ouro

Copa Davis 2025
Jogos de duplas são no sistema ‘no-ad’. Foto: André Gemmer/Green Filmes

Já existem partidas no sistema ‘no-ad’, ou seja, sem vantagem. É aplicado apenas para jogos de duplas e, quando chega no 40-40, o próximo que pontuar, ganha o set. Essa mudança começou em 1999 e, desde então, é mantida longe da disputa de simples.

Mais uma vez, o argumento de Piqué é apenas que a situação de “iguais, vantagem, iguais” gasta muito tempo da partida. E, de novo, argumento que acabar com essa parte do esporte seria também diminuir a emoção que o confronto proporciona.

Voltamos a imaginar uma situação hipotética, dessa vez com Jannik Sinner e Carlos Alcaraz. Em uma final no Australian Open, o jogo foi para o 5º set e o italiano tenta quebrar o saque do espanhol para ser campeão. O game fica, então, em 40-40.

A tensão, a pressão, a expectativa é inigualável. O argumento de economizar tempo em certas situações de tênis não funciona muito bem. Um amante do esporte sabe que não há nada igual a uma partida de 3h ou mais.

Quem não lembra da final do Australian Open de 2012? Novak Djokovic e Rafael Nadal ficaram em quadra por quase 6h em uma decisão de altíssimo nível. Sem contar que novas regras de tie break foram criadas exatamente para evitar partidas “intermináveis”.

Se terminar com o segundo serviço é acabar com uma das coisas mais importantes do tênis, o mesmo é aplicado para a regra da vantagem. E se quer tanto pôr fim, talvez seja melhor criar um novo esporte, porque claramente não gosta de tênis.

Foto: Getty Images