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Copa do Mundo

Gols, viradas, zebras e recordes: Copa de 2026 pode ser a melhor da história?

A Copa do Mundo de 2026 entrou em sua reta final com números históricos e uma sequência de partidas que já marcaram o torneio. Com oito jogos restantes, a discussão começa a ganhar força: esta pode ser considerada a melhor edição de todos os tempos?

A resposta sempre terá um lado pessoal. Ainda assim, gols, viradas, decisões nos minutos finais, grandes estrelas e estádios lotados ajudam a colocar a atual edição entre as mais emocionantes da história.

Copa tem a melhor média de gols desde 1970

Marrocos, Copa Africana de Nações. Foto: Reprodução/Fifa via Getty Images.
Marrocos, Copa Africana de Nações. Foto: Reprodução/Fifa via Getty Images.

A primeira Copa do Mundo com 48 seleções naturalmente seria a maior da história em número de participantes e partidas. A principal dúvida era se o aumento manteria a qualidade dentro de campo.

Até agora, os números apresentam uma resposta positiva.

Depois de 96 das 104 partidas programadas, a competição chegou a 280 gols. A média é de 2,92 por jogo, a maior registrada em uma Copa desde 1970.

Naquele Mundial disputado no México, foram 95 gols em 32 partidas, média de 2,97. Nenhuma das edições seguintes conseguiu chegar aos números apresentados em 2026.

A diferença fica clara na comparação com as últimas Copas. O torneio de 2022 teve média de 2,69 gols por partida. Em 2018, foram 2,64. A edição de 2014 terminou com 2,67, enquanto a Copa de 2010 apresentou apenas 2,27.

O alto número de gols também não está concentrado em poucos jogos.

A Alemanha conseguiu o maior placar da competição ao derrotar Curaçao por 7 a 1. Outras sete partidas tiveram seis gols, enquanto 13 confrontos terminaram com cinco.

Existe ainda outro dado importante para mostrar a qualidade ofensiva do torneio. Cerca de 74,6% dos gols foram marcados com a bola rolando, uma das maiores proporções já registradas na história das Copas.

Apenas 5% saíram de cobranças de pênalti, o menor percentual da história. Isso mostra que a média elevada não foi construída principalmente com penalidades, mas com jogadas produzidas pelas equipes.

Gols no fim e viradas aumentam a emoção

Foto: AFP/Getty Images

A quantidade de gols explica apenas parte da sensação de que a Copa de 2026 tem sido especial.

O momento em que eles acontecem também importa.

Dos 24 confrontos eliminatórios já disputados, oito tiveram o gol da vitória marcado depois dos 85 minutos. Isso significa que um terço dos jogos de mata mata foi decidido nos momentos finais.

O gol de Enzo Fernández contra o Egito foi ainda mais especial para os números da competição. Ele se tornou o décimo gol da vitória marcado aos 90 minutos nesta edição, um novo recorde em Copas do Mundo.

Quatro partidas precisaram dos pênaltis. A Argentina teve de disputar a prorrogação para eliminar Cabo Verde, uma das maiores surpresas do torneio.

Somente em julho, pelo menos três confrontos já podem ser colocados entre os jogos mais emocionantes desta Copa. Bélgica, Argentina e Inglaterra venceram Senegal, Egito e México por 3 a 2.

Os belgas e argentinos conseguiram algo ainda mais raro. As duas seleções estavam perdendo por dois gols de diferença e buscaram a virada nos momentos finais.

Foi a primeira vez desde 1970 que uma mesma Copa teve mais de uma partida em que uma seleção conseguiu reverter uma desvantagem de dois gols.

A Inglaterra construiu outro tipo de roteiro contra o México. A equipe jogou durante 40 minutos com um jogador a menos após a expulsão de Jarell Quansah e precisou suportar a pressão dentro do Estádio Azteca.

Até os oito empates por 0 a 0, um recorde na história das Copas, podem ser analisados por outra perspectiva. Em vez de representarem apenas jogos ruins, também podem mostrar o equilíbrio de uma competição em que muitos confrontos permaneceram abertos até os minutos finais.

Estádios lotados e estrelas em grande fase

messi haaland mbappe kane
Foto: AFP

 

Antes do início da competição, existia uma preocupação importante com o ambiente nos estádios.

Os ingressos caros e as enormes distâncias entre as sedes poderiam afastar os torcedores. Em muitos casos, acompanhar a seleção no jogo seguinte significava viajar centenas ou milhares de quilômetros.

O cenário encontrado foi diferente.

Segundo a FIFA, 99,7% dos assentos disponíveis foram ocupados. Mais de 4,4 milhões de pessoas acompanharam presencialmente apenas a fase de grupos.

Depois das duas primeiras etapas do mata mata, o público total chegou a 6,2 milhões.

A média supera 65 mil torcedores por partida e fica atrás apenas da Copa de 1994. Naquela edição, também disputada nos Estados Unidos, quase 69 mil pessoas estiveram presentes em média a cada jogo.

As arquibancadas lotaram e os maiores jogadores também corresponderam.

A disputa pela Chuteira de Ouro reúne quatro dos principais atacantes do mundo. Lionel Messi lidera com oito gols. Kylian Mbappé e Erling Haaland aparecem logo atrás, com sete cada. Harry Kane soma seis.

Pela primeira vez na história, três jogadores marcaram sete ou mais gols em uma mesma Copa do Mundo.

A competição conseguiu reunir grandes atuações individuais com uma disputa aberta pelo título. Argentina, Espanha, França e Inglaterra, as quatro primeiras seleções do ranking mundial, chegaram às quartas de final e estão em lados diferentes dos confrontos.

A expansão também deu espaço para grandes surpresas

Vozinha Cabo Verde
Foto: Getty Images

A presença de 48 seleções criou o temor de que a Copa tivesse muitos jogos desequilibrados.

Algumas goleadas aconteceram, mas as seleções consideradas menores também produziram histórias importantes.

Curaçao entrou para a história como o menor país a disputar uma Copa do Mundo. Depois de perder por 7 a 1 para a Alemanha, a seleção reagiu e conseguiu empatar com o Equador.

O Catar viveu uma campanha de extremos. Foi derrotado por 6 a 0 pelo Canadá, mas também empatou por 1 a 1 com a Suíça, que conseguiu chegar às quartas de final.

Nenhuma história, no entanto, foi tão marcante quanto a de Cabo Verde.

Com Vozinha, de 40 anos, no gol, a seleção empatou com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita para avançar à fase de 16 avos de final.

No mata mata, Cabo Verde ficou perto de uma das maiores zebras da história. A seleção levou a atual campeã Argentina para a prorrogação antes de perder por 3 a 2.

Essas campanhas ajudaram a diminuir a impressão de que a expansão serviria apenas para aumentar o número de goleadas.

Polêmicas ainda impedem uma avaliação perfeita

Gianni Infantino, presidente da Fifa (à esq) e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (à dir). Foto: Divulgação / Associated Press (AP)
Gianni Infantino, presidente da Fifa (à esq) e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (à dir). Foto: Divulgação / Associated Press (AP)

A Copa de 2026 também acumulou problemas importantes.

O custo é um deles.

Ingressos, hotéis e transportes pressionaram o orçamento dos torcedores em um nível raramente visto na história da competição. A necessidade de viajar por três países e atravessar grandes distâncias aumentou ainda mais as despesas.

As pausas para hidratação também provocaram discussões. Elas foram compreendidas em situações de calor extremo, mas vaiadas quando realizadas sob chuva ou em estádios climatizados com o teto fechado.

A duração da competição é outra crítica.

A Copa começou em 11 de junho e terminará apenas em 19 de julho. Durante todo esse período, somente quatro dias não tiveram partidas.

O calendário também aumenta a preocupação com os jogadores. A Premier League começará em 21 de agosto, apenas um mês e dois dias depois da final.

O formato de 48 seleções ainda reduziu a tensão da fase de grupos. Apenas 16 equipes foram eliminadas na primeira etapa, permitindo que muitas seleções continuassem na competição mesmo sem grandes resultados.

A maior polêmica aconteceu fora de campo.

Folarin Balogun foi expulso contra a Bósnia e Herzegovina e deveria cumprir suspensão. Donald Trump confirmou que telefonou para Gianni Infantino para discutir o caso, e a FIFA utilizou o artigo 27 de seu Código Disciplinar para suspender a punição por um período de um ano.

Balogun pôde enfrentar a Bélgica.

Das 189 expulsões na história das Copas, apenas dois jogadores não cumpriram suspensão. O outro foi Garrincha, em 1962, quando as punições automáticas ainda não existiam e o caso também ficou cercado por acusações de interferência política.

A UEFA, a Federação Belga e Thomas Tuchel criticaram a decisão. Os jogadores da Bélgica afirmaram depois que a situação aumentou a motivação para a vitória por 4 a 1.

Apesar das polêmicas, a Copa de 2026 chega aos últimos oito jogos com argumentos fortes para entrar na discussão entre as melhores da história.

São 280 gols, média de 2,92 por partida, dez gols da vitória aos 90 minutos, grandes viradas, estádios praticamente lotados e uma disputa histórica pela artilharia.

A avaliação definitiva ainda depende do final.

Copas podem ter sua imagem transformada pelas últimas partidas. As decisões ruins de 1990 e 1994 diminuíram parte da lembrança positiva construída durante aqueles torneios. Em 2022, a final espetacular entre Argentina e França elevou a percepção sobre toda a competição.

A edição de 2026 já produziu quase tudo que uma grande Copa precisa. Agora, com as principais seleções do mundo ainda vivas e oito partidas restantes, falta descobrir se o final estará à altura de tudo que aconteceu até aqui.

(Foto de capa: Justin Setterfield/Getty Images)

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Kaique