O encontro entre Grêmio e Flamengo neste domingo, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro, marca mais do que o choque entre dois dos clubes mais tradicionais e vitoriosos do país. Em Porto Alegre, o confronto reúne histórias cruzadas, reencontros e dois projetos técnicos bem diferentes que se enfrentam em fases ainda instáveis da temporada.
Um dos grandes atrativos do jogo são os reencontros de atletas que já defenderam o adversário com destaque. Do lado gremista, Gustavo Cuéllar, ainda em recuperação de lesão e sem previsão de retorno, é um dos nomes mais comentados.
O volante colombiano fez parte do elenco do Flamengo entre 2016 e 2019, onde conquistou a torcida com sua entrega e desempenho defensivo, antes de ser negociado em meio a controvérsias com a diretoria. Hoje, é visto como uma peça importante no processo de reconstrução do meio-campo gremista, e sua chegada é tratada como estratégica para trazer consistência a um setor que ainda busca identidade.
Pelo lado rubro-negro, o reencontro é ainda mais emblemático: Everton Cebolinha volta a Porto Alegre para enfrentar o clube onde viveu o auge de sua carreira. Revelado pelo Grêmio, Cebolinha foi protagonista da conquista da Libertadores de 2017, sendo eleito o melhor jogador da final contra o Lanús.
Hoje, no Flamengo, tenta reencontrar regularidade após altos e baixos desde que retornou do futebol europeu. Embora ainda não tenha se firmado como titular absoluto, é peça importante na rotação ofensiva de Filipe Luís e, certamente, carregará um componente emocional extra ao pisar na Arena do Grêmio com a camisa adversária.
Dois técnicos, duas ideias
Além das narrativas individuais, o jogo oferece um contraste interessante entre os dois treinadores: Filipe Luís e Gustavo Quinteros. Ambos estão em início de trajetória em seus respectivos clubes, mas com perfis e filosofias bastante distintos.
Filipe Luís, multicampeão como jogador e ídolo do Flamengo, assumiu o comando técnico nesta temporada em um processo raro no futebol brasileiro: a transição de ex-jogador para técnico principal no mesmo clube. Ainda construindo sua identidade como treinador, Filipe tem apostado em um modelo de jogo apoiado na posse de bola, troca rápida de passes e movimentação constante. A ideia é moderna, com forte influência do que viveu na sua carreira, especialmente sob Diego Simeone no Atlético de Madrid e Jorge Jesus no Flamengo.
No entanto, a execução ainda enfrenta dificuldades. O Flamengo tem oscilado em desempenho, especialmente fora de casa, e sofre com a maratona de jogos e o desgaste de jogadores. A equipe ainda busca consistência defensiva e regularidade na transição ofensiva. A proposta é ousada, mas ainda em construção.
Gustavo Quinteros, por sua vez, chegou ao Grêmio para substituir Renato Portaluppi com a missão de manter o clube competitivo em todas as frentes. Experiente e com passagem por clubes da América do Sul e seleção do Equador, Quinteros tem um estilo mais pragmático. Gosta de times compactos, com linhas defensivas bem definidas, e aposta em um meio-campo forte fisicamente, com transições rápidas, sobretudo pelas pontas, aproveitando a velocidade de jogadores como Pavón e Soteldo.
O Grêmio de Quinteros ainda não deslanchou em 2025, especialmente pela dificuldade de se impor em jogos fora de casa e pela instabilidade defensiva. O elenco é qualificado, mas precisa de tempo para assimilar o modelo mais estruturado do treinador, diferente da liberdade ofensiva que existia sob o comando de Renato.
O que esperar de Grêmio x Flamengo
O duelo na Arena deve ser equilibrado, com o Grêmio tentando se impor fisicamente no meio-campo e aproveitar o apoio da torcida, enquanto o Flamengo buscará controlar a posse e explorar a técnica de seus meias e atacantes. A ausência de Cuéllar tira uma peça importante do esquema gremista, mas a equipe gaúcha ainda conta com nomes experientes como Edenilson e Villasanti para segurar o setor.
No Flamengo, Filipe Luís deve seguir apostando em uma formação com meias criativos e Cebolinha pode aparecer como titular, justamente diante de seu ex-clube. Bruno Henrique, principal jogador da equipe na temporada, deve continuar a sua parceria com Juninho, que ainda busca se encontrar no ano.
Grêmio x Flamengo promete não apenas por ser um confronto entre gigantes, mas pelo pano de fundo que acompanha o duelo: reencontros emocionantes, técnicos de visões opostas e dois projetos que ainda tentam se consolidar.
(Foto: Lucas Uebel/Grêmio)