Renato chega para recuperar a confiança
A volta de Renato Portaluppi ao Grêmio tem um peso que ultrapassa a simples troca de treinador. O ídolo conhece o clube, entende a relação com a torcida e chega justamente quando o time mais precisa recuperar confiança. Em um ambiente de pressão, sua presença naturalmente provoca uma mudança de sentimento e devolve ao torcedor uma dose de esperança para a reta final da temporada.
Mas esperança, por si só, não resolve os problemas do Grêmio.
Renato chega em um momento no qual cada partida passou a ter um peso enorme. O clube ainda tem 11 rodadas do Brasileirão pela frente, mas precisa cumprir também um jogo atrasado da 21ª rodada. E esse compromisso será justamente contra o Botafogo, nesta quarta-feira (16), no Estádio Nilton Santos.
A partida, portanto, acontece antes mesmo de Renato ter tempo para implementar seu trabalho. O planejamento prevê Luiz Felipe Scolari, o Felipão, no comando da equipe diante do Botafogo, enquanto Renato se integra ao grupo e começa a preparar a sequência.
O Grêmio precisa reagir imediatamente, mas o novo treinador ainda está chegando.
O problema está aparecendo principalmente no segundo tempo
É nesse ponto que a análise sobre o momento gremista precisa ir além da troca de treinador.
A equipe vem apresentando uma queda considerável de rendimento após o intervalo. O problema não é simplesmente deixar de atacar com a mesma frequência. Conforme o jogo avança, o Grêmio perde presença ofensiva, oferece mais campo ao adversário e passa a defender mais próximo da própria área.
A consequência é previsível: o adversário ganha confiança, aumenta o volume e encontra mais espaços para finalizar. E, em um time que já enfrenta dificuldades para transformar suas oportunidades em resultados, sofrer mais gols na etapa final torna a queda de rendimento ainda mais perigosa.
Há diferentes fatores que podem explicar esse comportamento, evidentemente. Uma equipe pode recuar por decisão tática, sofrer com a pressão do adversário ou perder concentração nos minutos finais. Mas a repetição do cenário também levanta uma questão inevitável sobre a condição física do elenco.
O Grêmio parece estar chegando ao trecho final dos jogos com menos capacidade de sustentar o nível apresentado anteriormente.
E isso é particularmente preocupante agora.
Renato pode organizar, mas não pode criar pernas
O novo treinador terá ferramentas para tentar amenizar o problema. Pode mudar a maneira como a equipe pressiona, ajustar a altura das linhas, controlar melhor determinados momentos das partidas e fazer substituições pensando não apenas em desempenho, mas também em preservação física.
Pode, principalmente, recuperar jogadores emocionalmente.
Mas existe um limite.
Se parte do elenco realmente estiver sofrendo com desgaste acumulado, Renato não conseguirá resolver tudo apenas com treinamento ou motivação. Um treinador consegue organizar melhor as peças que possui, mas não transforma, de uma hora para outra, um grupo desgastado em um elenco fisicamente renovado.
Isso ganha ainda mais importância porque a temporada está longe de oferecer apenas uma competição.
Além das 11 rodadas restantes do Brasileirão, o Grêmio terá pela frente a reta decisiva da Copa do Brasil. O calendário não permite que o clube escolha quando reagir. É preciso encontrar respostas enquanto as partidas continuam acontecendo.
Botafogo será o primeiro teste desse cenário
O confronto com o Botafogo aparece justamente no meio dessa transição.
Felipão deve comandar a equipe no Nilton Santos, enquanto Renato começa a assumir o trabalho. O jogo terá valor imediato para a tabela, mas também poderá oferecer uma primeira amostra sobre a capacidade do Grêmio de sustentar seu desempenho ao longo dos 90 minutos.
Não é necessário que o time mantenha o mesmo ritmo do primeiro ao último minuto. Isso seria irreal. O ponto é não permitir que a queda natural de intensidade se transforme em perda completa de controle.
O Grêmio precisa aprender a administrar o desgaste sem entregar o campo ao adversário.
Essa pode ser uma das principais missões de Renato.
Se o time conseguir chegar aos minutos finais mantendo suas linhas minimamente compactas, presença ofensiva e capacidade de disputar a partida no campo adversário, haverá um sinal de evolução. Se novamente recuar em excesso, perder força para atacar e passar a sobreviver diante da pressão rival, o problema continuará evidente.
A chegada de Renato ajuda, mas não resolve tudo
É impossível ignorar o impacto emocional do retorno de Renato.
Em momentos de crise, confiança pode mudar completamente a postura de um elenco. Um jogador mais seguro toma decisões melhores. Um grupo que acredita mais em seu treinador também tende a responder de maneira diferente aos momentos de dificuldade. E a relação de Renato com o Grêmio pode acelerar esse processo.
Só que o desafio é transformar essa motivação em desempenho sustentável.
A mudança também passa pela comissão técnica. Profissionais ligados à preparação física serão incorporados ao novo ciclo, enquanto Renato estrutura seu trabalho para a reta final.
Isso reforça que o problema precisa ser encarado de maneira ampla.
Não basta trocar o comando e esperar que o time automaticamente corra mais, pressione melhor e sofra menos nos minutos finais. É preciso entender por que a equipe perde intensidade, quais jogadores suportam melhor a sequência de partidas e como administrar um elenco que terá de dividir forças entre Brasileirão e Copa do Brasil.
O Grêmio precisa recuperar a confiança e preservar o físico
A chegada de Renato devolve esperança ao torcedor gremista. E isso não é pouco. O clube precisava de uma mudança de ambiente, e o retorno de um ídolo oferece exatamente esse impacto.
Mas o Grêmio entra na reta final da temporada com um problema que pode ser mais difícil de resolver do que simplesmente trocar o treinador.
Com 11 rodadas restantes do Brasileirão, mais o compromisso atrasado contra o Botafogo e a reta decisiva da Copa do Brasil, o calendário exigirá muito de um elenco que já demonstra sinais de desgaste.
Renato pode recuperar a confiança. Pode reorganizar o time. Pode melhorar a gestão dos jogos. O que ele não pode fazer sozinho é fabricar profundidade de elenco ou eliminar, em poucos dias, um desgaste físico acumulado ao longo da temporada.
Por isso, a missão do novo treinador será maior do que resgatar a mística. Ele terá de encontrar uma maneira de fazer essa confiança durar até o apito final.
Porque, para o Grêmio, a reta decisiva não será vencida apenas com motivação. Será preciso também ter pernas para sustentá-la.
Foto: Lucas Uebel – Grêmio – Divulgação



